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Autoeuropa. Paragem de produção deixa 600 pessoas sem contrato

Milhares de carros estão parados em Setúbal à espera do fim do impasse com trabalhadores eventuais do porto.
(Carlos Santos/Global Imagens)
Milhares de carros estão parados em Setúbal à espera do fim do impasse com trabalhadores eventuais do porto. (Carlos Santos/Global Imagens)

Centenas de trabalhadores temporários das empresas fornecedoras da fábrica de Palmela são afetados porque não têm mecanismos de dias de não produção.

Há 600 pessoas a trabalhar para as empresas fornecedoras da Autoeuropa que vão chegar ao Natal sem contrato. Um quinto dos operários do parque industrial da fábrica de Palmela vão ser dispensados nas próximas semanas por causa da paragem de produção de automóveis entre 22 de dezembro e 4 de janeiro por falta de motores a gasolina. Ao mesmo tempo, há mais de 20 mil carros que estão a aguardar expedição para a Alemanha por causa do impasse no porto de Setúbal.

“Os fornecedores têm de acompanhar as paragens da Autoeuropa, reduzindo a produção ou mesmo parando a atividade se trabalharem em exclusivo para a fábrica. Nas empresas que param a atividade, há 20% dos trabalhadores do parque industrial que têm contratos temporários e não têm proteções para a paragem de produção”, explica Daniel Bernardino, coordenador das comissões de trabalhadores do parque industrial da Autoeuropa.

Esta situação não é habitual porque “quando são comunicados antecipadamente os dias de não produção, é possível arranjar ações de formação nestes períodos e manter estes trabalhadores ocupados. Desta vez, isso não foi possível porque não houve grande margem”.

Os restantes 2400 trabalhadores do parque industrial estão protegidos de duas formas: ou os fornecedores contam com outros clientes além da Autoeuropa ou são declarados dias de não produção, tal como na fábrica portuguesa do grupo Volkswagen.

A Autoeuropa vai parar a laboração por um período total de 12 dias a contar a partir deste domingo. Este domingo, não haverá montagem de automóveis nos dois turnos. Seguem-se, depois, mais 11 dias de interrupção, entre o turno da tarde 22 de dezembro e o turno da noite de 4 de janeiro de 2019. A produção será retomada nessa noite.

Estas paragens serão registadas como férias coletivas (24 e 31 de dezembro, 2 e 3 de janeiro) e como dias sem produção (9, 22, 23, 26, 27, 28, 29 e 30 de dezembro). A falta de peças para a montagem de automóveis tem condicionado a produção da Autoeuropa ao longo de 2018: já houve vários dias sem laboração por falta de componentes para assegurar a montagem de veículos.

A falta de motores a gasolina para responder à cada vez maior procura dos clientes está a levar à suspensão da produção em várias fábricas do grupo Volkswagen na Europa. Na fábrica espanhola do grupo VW de Navarra, por exemplo, a montagem de automóveis parou 10 dias desde o início de setembro por causa da quebra de fornecimento destes mesmos motores.

20 mil carros parados
Além da paragem de produção, a Autoeuropa está a ter cada vez mais dificuldades em escoar os 885 carros produzidos diariamente. O impasse no porto de Setúbal – com a paragem dos trabalhadores eventuais – faz com que a fábrica de Palmela tenha 20 mil automóveis à espera de serem enviados para a Alemanha.

Além do porto de Setúbal e da Base Aérea do Montijo, já foi necessário recorrer a um terceiro espaço em Setúbal para parquear os carros montados em Palmela e que aguardam o transporte para os portos de Leixões e de Vigo e Santander (Espanha).

Os carros acumulam-se em Portugal porque o ritmo de exportação de carros é mais baixo mesmo com estes três portos do que utilizando Setúbal, por onde os automóveis saíam mais do que uma vez por semana. Além disso, estes carros têm maiores custos porque são transportados por camiões ao longo de várias centenas de quilómetros.

E até os fornecedores da Autoeuropa estão a ter custos mais elevados na produção de componentes: por causa dos bloqueios de estrada dos “coletes amarelos” em França, as peças tiveram de ser enviadas por avião em vez de ser usado o camião.

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