Emigração

“Portugal vai ser um centro de captação de talento europeu e latino-americano”

Paulo Marques, Nuno Sebastião e Pedro Bizarro, co-fundadores da FeedZai. (Fotografia: direitos reservados)
Paulo Marques, Nuno Sebastião e Pedro Bizarro, co-fundadores da FeedZai. (Fotografia: direitos reservados)

O CEO da Feedzai acredita que Portugal tem potencial para atrair investimentos de outras empresas.

“Vão aparecer mais empresas em Portugal, mas acima de tudo vai ser um centro de captação de talento europeu e latino-americano” – a convicção é do co-fundador e CEO da fintech portuguesa Feedzai, Nuno Sebastião, um dos portugueses que na tarde desta quinta-feira partilharam as suas experiências além-fronteiras na LACS, em Lisboa.

A startup, uma das mais reconhecidas internacionalmente, mantém sede em Coimbra e dedica-se a alimentar sistemas de inteligência artificial para prevenir fraudes no setor financeiro. “Há casos de muitos brasileiros que querem trabalhar na Europa, têm passaportes portugueses e vêm para cá. Diria que temos já duas dezenas deles na empresa”, disse na segunda edição das Conversas com a Diáspora, o evento de “aquecimento” para o Encontro Anual da Conselho da Diáspora Portuguesa, que decorre amanhã.

No mesmo painel, intitulado “Empreender e arriscar para o sucesso”, o lusodescendente John Melo, CEO da Amyris Biotechnologies, graceja: “Em Portugal é pecado sonhar”. Nascido nos Açores, mas a viver nos Estados Unidos desde 1973, diz que “o país está melhor e, em comparação ao resto da Europa, é um bom lugar para se ser empreendedor”.

John Melo recorda que, há dois anos, a empresa de que é presidente executivo (especializada no desenvolvimento de fontes de energias alternativas ao petróleo) estabeleceu uma parceria com a Universidade Católica Portuguesa para a criação de um hub de biotecnologia no Porto. “É um investimento de cerca de 50 milhões de dólares e talvez venha a investir mais uns 80 ou 100 milhões”, anuncia.

“Portugal é um lugar bom para sediar um negócio tecnológico”, afirma o português destacado no mundo, sublinhando que, “nos Estados Unidos, sobretudo em Silicon Valley, está a tornar-se difícil ter acesso ao mesmo talento que existe na Europa”. Mas, é peremptório: “Não estou pronto para investir numa empresa criada e vendida em Portugal”.

Já astrobióloga Zita Martins, que optou pela emigração em 2002, congratula-se pela igualdade de género na ciência em Portugal. “Cerca de 50% de todos os licenciados na área de ciências no país são mulheres – um caso de sucesso. O mesmo não acontece noutros países”, frisou a cientista, envolvida numa futura missão espacial para detetar a existência de vida em Marte.

Como habitualmente, o encontro – que vai na sexta edição – contará, na abertura, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que soma o cargo de vice-presidente honorário do Conselho da Diáspora Portuguesa. Ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente honorário deste organismo, cabe encerrar o evento.

Um dos painéis vai abordar o tema “Como potenciar e projetar o talento português em Portugal”. O segundo painel dedicar-se-á às “Vantagens do contexto: como pode Portugal reforçar a sua competitividade”.

Criado em 2012, então com 24 membros, o Conselho da Diáspora Portuguesa integra hoje 95 conselheiros, residentes em 27 países, num total de 47 cidades, a maioria nos Estados Unidos e Canadá.

*Notícia atualizada às 20:10 com mais informação.

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