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Fundo Elliott quer EDP nas renováveis. Mas tem forçado vendas nos EUA

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O fundo quer que EDP venda ativos para investir em renováveis. Mas tem forçado outras empresas a vender essa área de negócio.

As renováveis são vistas pela Elliott como a joia da coroa da EDP. Este fundo quer que a elétrica portuguesa saia do Brasil e venda outros ativos para reforçar investimento nas energias limpas, particularmente no mercado americano. Mas nos raides recentes que tem feito pelo setor elétrico dos EUA, os investimentos da Elliott culminam com a venda de ativos, entre os quais o negócio de renováveis.

Na apresentação que fez para uma “nova EDP”, a Elliott defende que a empresa tem “uma das mais atrativas plataformas de energias renováveis nos EUA”. E pretende que António Mexia, o CEO da elétrica portuguesa, coloque todas as fichas nessa área, à custa da saída no Brasil e do desinvestimento no negócio da distribuição na Península Ibérica. Argumenta que os retornos históricos nas renováveis são altos e que é uma área com potencial de crescimento.

A energia tem sido uma das grandes apostas de Paul Singer, que foi considerado pela Bloomberg como o “investidor mais temido do mundo”. Em 2017 e 2018 lançou três raides em elétricas americanas, em que não foi além de participações de 7%. Mas em duas delas forçou a venda do negócio de renováveis.

Vitórias da Elliott

Uma das últimas grandes batalhas de Paul Singer teve como protagonista a Sempra, um elétrica californiana. Tal como na EDP, a Elliott comprou uma participação na empresa e apresentou um plano de transformação. O investimento foi conhecido em junho do ano passado. E a gestora de ativos exigia a venda do negócio de energia solar, de participações em parques eólicos e de empresas elétricas na América do Sul.

A administração da empresa californiana opôs-se, reiterando que preferia executar a sua própria estratégia. Mas isso abriu uma frente de batalha com Paul Singer, que além das vendas exigia uma revisão ao cálculo da remuneração dos gestores da empresa. E, como na maior parte das vezes, o investidor que foi apelidado de “abutre da Argentina” levou a melhor.

Não só a Sempra avançou para a venda de ativos como teve de nomear administradores de confiança da Elliott. Vendeu as renováveis nos EUA e avançou em janeiro com os processos de alienação de empresas detidas no Peru e Chile.

Com a execução do plano que apresentou para a Sempra, Singer estimava que a empresa pudesse aumentar o dividendo a um ritmo de até 10% e reduzir dívida. E, apesar do emagrecimento da empresa, os investidores têm aplaudido a execução da estratégia montada. Desde que a gestora divulgou o investimento na empresa, com uma posição de cerca de 4%, as ações da Sempra sobem mais de 16%.

Outra das empresas em que a Elliott sacrificou o negócio de renováveis foi na NRG Energy. Esta empresa estava altamente endividada por causa da aposta nas energias limpas e Paul Singer, desta vez com o apoio da gestão, delineou um plano para tirar dimensão à NRG Energy de forma a ganhar mais eficiência e a desendividar a companhia. As unidades de renováveis foram alienadas no início de 2018, cerca de um ano depois de Paul Singer ter investido. Desde que a Elliott entrou na empresa, as ações da NRG Energy quase que triplicaram de valor.

Além da Sempra e da NRG, no início do ano passado Singer apostou ainda na FirstEnergy. Nesta empresa exigiu a venda de ativos de geração convencional de energia para que a empresa se focasse na distribuição de eletricidade. As ações ganham 36% desde que foi comunicada a participação.

O plano para a EDP

A Elliott comunicou a entrada no capital da EDP em outubro do ano passado. A 14 de fevereiro a gestora divulgou um plano para uma “nova EDP”. A entidade liderada por Paul Singer propôs uma alternativa à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela China Three Gorges. Quer que a empresa liderada por Mexia venda os 51,2% que detém na EDP Brasil, proposta a que o governo português já mostrou desagrado. Sugere também a alienação de 49% das redes de distribuição ibéricas e das centrais termoelétricas em Portugal e Espanha.

A Elliott estima que essas vendas permitam um encaixe de 7,6 mil milhões para a EDP. E propõe que, desse dinheiro, 3,5 mil milhões sejam investidos em renováveis, 2,8 mil milhões para abater dívida e 1,2 mil milhões para remunerar acionistas. Desde que Paul Singer divulgou a posição na EDP as ações ganham 5,9%. Sobem 2,2% desde a apresentação do plano. A EDP deverá responder às propostas da Elliott a 12 de março, data em que informará os investidores sobre as contas e a estratégia para a empresa.

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