João Vasconcelos

15 ideias para perpetuar o legado de João Vasconcelos

Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens
Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Arregaçava as mangas, calçava as luvas de boxe e ia a jogo. Do pai das startups, recorda-se sempre a gargalhada fácil e a luta para pôr Portugal no mapa. Fê-lo à frente da Startup Lisboa, enquanto secretário de Estado da Indústria e em tantas outras iniciativas que abraçou, ficando na memória como o chief happiness officer de Portugal.

Manuel Caldeira Cabral – Ex-ministro da Economia

“Quando convidei o João para a minha equipa, sabia que conhecia bem as startups e que, como poucos, tinha percebido a importância que estas empresas podiam ter para mudar o país. O João trouxe paixão, entusiasmo e determinação a uma política de apoio ao empreendedorismo e aceleração digital, concretizada nos programas Startup Portugal e Indústria 4.0, ou com a vinda e o sucesso da Web Summit, pelos quais tanto lutou. Com 43 anos, o João deixou um contributo notável, que mudou Portugal para melhor. Um contributo que temos de honrar dando continuidade. Deixou muitos amigos e uma família que adorava e que dizia sempre era a fonte da sua força e alegria de viver. Essa força, essa alegria, essa amizade e essa paixão por fazer e por abraçar a mudança, faz-nos tanta falta.”

Miguel Fontes – Diretor da Startup Lisboa

“Uma ideia é precisamente a criação do prémio João Vasconcelos. Quisemos lançá-lo porque o ele marcou de forma indiscutível o ecossistema de empreendedores. E nada melhor para perpetuar esse legado do que criar um prémio anual que permita distinguir precisamente quem se destaque no ecossistema empreendedor da Startup Lisboa; e que isso seja força suficiente, de motivação e inspiração, a quem, neste momento, continua a empreender e que no futuro continuará a tentar pôr de pé os seus projetos.”

Pedro Ortigão Correia – Executive board member do Bison Bank

“Se o João tivesse de deixar uma ideia para o país teria imensa dificuldade. Nunca olhou para os problemas de forma simples ou ingénua, mas de modo inteligente, estruturado e apaixonado. Promover o empreendedorismo até pode parecer óbvio, mas o país só crescerá de forma sustentável se acreditar no seu incrível tecido empresarial. Temos PME e empresários extraordinários que o país (Lisboa sobretudo) desconhece mas vingam no mundo inteiro. É difícil criar novos campeões todos os dias, bem mais seguro é apoiar e ajudar a crescer os que existem. Uma ideia para perpetuar o legado do João: criar um prémio Campeões Lá Fora, Heróis Cá Dentro, Empresas De Futuro.”

Graça Fonseca – Ministra da Cultura

“Ousar arriscar. Ir além do apenas possível. Liderar com um sorriso. Apostar no talento dos outros. É tudo isto que devemos continuar a fazer em memória do João Vasconcelos. Foi o que fizemos um dia em Lisboa. Ousámos abrir a Startup Lisboa no centro de uma cidade que não falava inglês e nunca tinha visto empresários de ténis e calças de ganga. A cidade mudou, o país também. E para sempre o nosso chief happiness fará parte dessa mudança”.

Adolfo Mesquita Nunes – Ex-secretário de Estado do Turismo

“O primeiro passo para continuarmos a ser empreendedores deveria ser ignorar ideias vindas de políticos. Aos políticos deve pedir-se que saiam da frente, que deixem fazer e larguem a tentadora ideia de que o mundo se esvai se uma qualquer lei não for aprovada.”

Fernando Rocha Andrade – Ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

“Foi sempre contagiante o entusiasmo que pôs em tudo o que fazia – na política, nas empresas, na vida. Tinha aquela dinâmica que o levou, numa remota cidade sueca, falando um misto de português e inglês, a desenrascar um barco para uma dúzia de amigos (talvez acima da lotação) poderem dar um passeio no lago. Acreditava que era possível mudar a cultura e a mentalidade do país, adversos à iniciativa empresarial. Acreditava que era preciso dar gás a quem tinha ideias, e fê-lo, na Startup Lisboa e no governo. Foi motor da criação do regime fiscal para startups, o Programa Semente.”

Ana Lehmann – Ex-secretária de Estado da Indústria

“Não tenho só uma ideia para perpetuar o enorme legado do João. A melhor homenagem é todos os dias empreender. Inclusive por conta de outrem, como ele também fazia. Todos os dias, em todos os contextos. Defendo um cluster de iniciativas robustas em seu nome, não uma ação isolada. Um prémio de empreendedorismo parece-me óbvio, mas não basta. Proliferar eventos, relembrá-lo nas próximas edições da WebSummit, dar o seu nome a iniciativas e infraestruturas, a políticas públicas, fazer ações nas escolas para estimular as crianças a serem empreendedoras. E manter a sua família por perto.”

Pedro Matias – Ex-chefe de gabinete e atual presidente do ISQ

“O grande legado que nos deixou foi percebermos que devemos acreditar em nós e que os portugueses podem disputar o palco com os melhores do mundo em qualquer área. Essa é a sua mensagem e foi isso que norteou muito da sua vida, nivelando sempre por cima. Na indústria, nas artes, na arquitetura, no design, no vinho, no calçado, no desporto e até no digital temos capacidade, competência, inteligência, tenacidade para ir muito além. A melhor maneira de perpetuar o seu legado é termos ambição e fazer mais e melhor todos os dias.”

Pedro Rocha Vieira – CEO da Beta-i

“A morte do João Vasconcelos, como a de todos os que se debateram por grandes causas, deixa responsabilidade acrescida aos que ficam e pode muitas vezes ter o efeito catalisador de acelerar os processos de transformação pelos quais se debatia. Uma boa forma de o homenagear é continuar a aposta reformadora e transformadora dos principais atores do ecossistema de inovação. É necessária uma profunda reforma do Estado, mais flexível, mais célere, mais inovador, com melhores recursos e ferramentas. Indústria e empresas têm de ser mais abertas à experimentação, à capacitação de talento e investimento em tecnologia. Precisamos de lideranças menos prepotentes e mais abertas a novas narrativas e estratégias de crescimento. Homenagear o João seria ainda não desacelerar a aposta no apoio ao empreendedorismo e manter a coragem e a persistência de arriscar criar algo novo. Por fim, seria continuar a afirmação de Portugal no mundo e sermos todos porta-vozes de otimismo e confiança na nossa capacidade de fazer a diferença à escala global.”

Ana Guedes de Carvalho – Gestora de marketing

“Sim, João, ‘mais vale feito que perfeito’. Muitas das pessoas com quem te cruzaste recordam esta tua afirmação, que resume bem o desejo permanente de concluir uma missão e avançar para a seguinte. O que achas de fazer um livro com este título, que reúna na primeira pessoa as muitas histórias dos que tiveram o privilégio de te conhecer? Vamos a isso?”

António Saraiva – Presidente da CIP

“Poucos são capazes de nos cravar uma imagem tão impressiva. O João foi um deles. Admirava nele a capacidade única de transformar sonhos em realidade com a sua energia inesgotável, dinamismo contagiante e alegria cativante. Cruzei-me com ele institucionalmente e ganhei um amigo para todas as horas. A economia digital em que Portugal mergulha teve nele um dos pioneiros. As novas dinâmicas empresariais assentes na inovação e o estímulo ao empreendedorismo ficarão a dever-lhe o enorme impulso que o país teve. Até sempre João.”

Manuel Tarré – Chairman da Gelpeixe

“O país perdeu um homem de referência, no mundo empresarial e da política. Dele ouvi sempre mensagens fortes, positivas e dignas dum empreendedor de excelência, capazes de manter assistências atentas às suas simples palavras e à capacidade de nos levar a sonhar com desafios que nunca tínhamos pensado, ficando mais confiantes pelo contágio dessas mensagens, passadas de forma forte e clara. Foi motor de muitas startups e alma de impactantes projetos no país, deixando-o mais enriquecido e ávido de pessoas como ele, capazes de nos guiar em desafios que se avizinham e que tão bem antecipava. Sério de compromissos, fazia parte dos poucos a quem um aperto de mão era suficiente para celebrar acordos. Espero ter oportunidade de me cruzar com mais pessoas com o seu perfil, para assim podermos deixar um futuro melhor aos que ficam.”

Celso Guedes de Carvalho – Comissário da Expo 2020 Dubai

“O João era um homem invulgar. Tinha o dom de fazer acontecer, de inspirar, de contagiar quem o conhecia, detetar talento e antever tendências. Nos últimos dias lembrei-me do impulso que deu ao Hub Criativo do Beato e do seu orgulho no reconhecimento internacional dos artistas portugueses. E imaginei-o a passear à beira-rio e a sorrir ao ver o seu rosto esculpido pelo Vhils num silo do HCB. Que boa triangulação.”

Miguel Santo Amaro – Cofundador da Uniplaces

“Demasiado cedo para alguém que tanto deu e tinha ainda tanto para dar. O João será sempre sinónimo de paixão, ambição e amizade. Era uma força da natureza, transportava consigo o espírito do empreendedor, a ambição de fazer, sem medos ou burocracias. Foi um irmão mais velho para mim – acolheu-me na Startup Lisboa e foi um exemplo de como fazer acontecer. Foi o nosso porta-estandarte para o empreendedorismo em Portugal e no mundo. Recentemente ligado às tecnológicas, sempre foi um apaixonado pela economia real, pela indústria, pelo empreendedorismo social, pelos carros clássicos, pelo mar e acima de tudo pelos amigos e família! Resta-me agradecer a sua amizade e legado. Ficará na memória. Já sentimos saudades.”

Rita Meneses – CEO da Cabopol

“São infinitos os elogios e aplausos profissionais mas escrevo-te como amiga e admiradora, João. Vivemos tantos anos de boa disposição e energia positiva. E sempre tiveste um carinho para mim. Sempre foste único mas também sabias melhor do que ninguém ser crítico, insatisfeito e ter uma paixão enorme sobre as pessoas e coisas. Valorizavas as pessoas simples, mais genuínas, diferentes ou audazes. Manter o entusiasmo nas causas e nos projetos em que acreditamos é a melhor forma de perpetuar o teu legado.”

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