2500 trabalhadores da Siemens em Portugal ainda não sabem dimensão dos cortes

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Os 2500 trabalhadores da Siemens em Portugal não sabem como é que a eliminação de 11 600 postos de trabalho os vai afectar. Fonte oficial da empresa em Portugal, adiantou que ainda é "permaturo" falar sobre o impacto que esta decisão terá nas diferentes regiões do mundo em que estão presentes. Em Portugal a Siemens tem 14 centros de competências a funcionar.

O comunicado oficial da Siemens é omisso quanto ao número de trabalhadores que serão afetados em Portugal, e em cada país, pelo plano de redução de custos e reestruturação do grupo que prevê a eliminação de quase 12 mil postos de trabalho até outubro deste ano.

A comunicação refere apenas que “ainda é muito cedo para dar detalhes sobre o possível impacto nas localizações individuais e departamentos”, mas deixa a certeza de que “haverá alterações em toda a organização. Vamos dissolver algumas unidades e juntar outras”, explicam.

O plano do grupo prevê que do total de 11 600 postos de trabalho a ser eliminados, 7600 (65%) serão dispensados no âmbito do processo de racionalização de custos a nível mundial, os restantes 4 mil vão sair da empresa devido ao encerramento das operações regionais. A nível mundial, a empresa tem 362 mil trabalhadores.

A Siemens tem atividade em Portugal há 109 anos e atualmente emprega 2500 pessoas. Cerca de 1000 trabalhadores (40% do total) estão distribuídos pelos designados Centros de Competência, que o grupo foi atribuindo ao nosso país desde 2005.

Estes centros desenvolvem competências nas áreas da energia, infraestruturas, saúde, tecnologias de informação e serviços partilhados. E, desde 2005, o volume de negócios gerado por estes centros nacionais atingiu os 400 milhões de euros, sobretudo em exportações para os 190 países onde a Siemens atua.

No setor das “infra-estruturas e cidades”, há quatro centros de competência a funcionar no nosso país. O centro de “Smart Grids” desenvolve projetos e presta serviços nas áreas de manutenção de equipamentos de alta e média tensão. Este centro trabalha com a EDP e a REN, em Portugal (manutenção de transformadores da EDP e fornecimetno de teleproteções para os sistemas de comunicações da REN) e tem atividades em Angola (manutenção de três subestações da Edel), na Noruega (instalação de quadro de média tensão numa plataforma petrolífera) e na Argélia (sistemas de comunicações para subestações da Sonilgaz).

Ainda neste setor existe o centro de “eTicketing e Bilhética” que foi responsável pela instalação de sistemas de bilhética em 21 estações da CP Lisboa, nas linhas de Sintra e Cascais. Este setor integra também o centro de “Capacity Plus Aeroportos Modulares”, especializado na implementação de terminais aeroprtuários modulares personalizados, que já foram usados, por exemplo, no aeroporto de Lisboa, por ocasião do Campeonato Europeu de Futebol. Por último, no setor de infraestruturas há o centro “Zone Hub Portugal – Comando, Controlo e Proteção para Infraestruturas de Redes Elétricas”.

No setor da “Energia” o Centro de Instrumentação e Controlo de Centrais Elétricas atua na área do desenvolvimento e colocação em serviço de centrais de produção de energia em países como a Índia, Argélia, Letónia, Uruguai e Brasil.

Nas tecnologias de informação, o centro de “Corporate IT Automation”, criado este ano, está desenvolver plataformas de suporte para a Siemens. Para o setor da saúde funciona em Portugal o centro de “Sistemas de Informação e Consultadoria Clínica”, que desenvolveu as soluções “Siemens Diagrammer”, um sistema que permite o registo gráfico das patologias de cada doente e acompanha a sua evolução, e o “Siemens Triage”, baseado no sistema de Manchester para a triagem nas urgências dos hospitais.

Os restantes sete centros de competências estão associados ao setor de serviços partilhados, e integram desde a gestão da área financeira da empresa, serviços de venda e pós-venda, serviços contabilisticos e financeiros para empresas do grupo, gestão de recursos humanos, apoio de tesouraria e gestão, gestão de custos e encomendas e compras e logística.

Estes 14 centros empregam em média 50 trabalhadores cada um. As exceções são o centro de “Accounting & Finance”, com 200 pessoas, e o “Corporate IT Automation”, que tem 100 trabalhadores.

Relativamente aos cortes anunciados, fonte oficial da Siemens Portugal adiantou ao “Dinheiro Vivo” que não têm indicações sobre a estratégia o grupo alemão para o nosso país e lembrou que o anúncio destas medidas veem no seguimento do programa “Vison 2020”, divulgado em maio último, e que estipula um corte de custos de mil milhões de euros.

Este programa prevê, ainda, a a redução da organização do grupo de 16 para nove divisões, e a separação da unidade de cuidados de saúde da restante gestão.

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