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Yahoo em apuros despede 15% dos trabalhadores e fecha escritórios na Europa

A empresa de Silicon Valley teve mais um ano fiscal para esquecer e anunciou um novo plano de reestruturação.

Até ao final de março, os escritórios da Yahoo em Madrid, Milão, Buenos Aires, Dubai e Cidade do México vão encerrar para sempre. A pioneira da Internet tomou a decisão de desinvestir na maioria dos países europeus e da América Latina, focando-se nos mercados que considera terem maior potencial para a sua recuperação – Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Hong Kong e Taiwan.

Esta é uma das componentes de mais um plano de reestruturação anunciado ontem pela CEO Marissa Mayer, que nos últimos quatro anos tem tentado evitar que o barco afunde.

Tal como previsto pelos analistas, a empresa vai cortar mais 15% da sua força de trabalho, o que representa cerca de 1600 trabalhadores dos 10400 que tem neste momento. Serão vendidas propriedades e encerrados sites e produtos, numa tentativa de focar a Yahoo nalguns segmentos-chave e simplificar a oferta. É o tudo por tudo da empresa, que admite agora estar aberta a ser comprada: foi o que disse Mayer durante a conferência com analistas que se seguiu à apresentação de resultados.

“O conselho de administração irá envolver-se em propostas estratégicas qualificadas”, referiu a CEO, fazendo eco de algo que o chairman do conselho, Maynard Webb, referiu no comunicado de resultados. “O conselho acredita que a exploração de alternativas estratégicas adicionais, em paralelo à execução do plano de gestão, é do melhor interesse dos acionistas”, indicou.

O foco continua a ser separar a participação na Alibaba, mas os investidores da empresa estão sedentos de retorno e de boas notícias.

Só que dificilmente as terão este ano. Mayer e o diretor financeiro Ken Goldman avisaram que 2016 será um ano de transição, com “pressão” sobre as receitas e os lucros. De resto, pouco melhor que 2015. No quarto trimestre, as vendas cresceram 2% para 1,17 mil milhões de euros mas o EBITDA levou um tombo de 48% para apenas 198 milhões de euros. Houve alguns indicadores positivos, como a subida de 12% nas receitas provenientes das buscas e de 13% nas receitas de anúncios em formato display.

No total do ano fiscal, o volume de negócios cresceu 8% para 4,5 mil milhões e o EBITDA recuou 30% para 876 milhões de euros. Aliás, o relatório de contas apresenta um encargo extraordinário (perda de goodwill por imparidade) de 4,1 mil milhões de euros, que resulta em perdas totais de 3,9 mil milhões. Mas não é para essas contas que os investidores estão a olhar. Os cliques pagos caíram 10% numa altura em a rival Google apresenta crescimentos a dois dígitos nesta área. A fé inabalável de Marissa Mayer na sua capacidade de dar a volta à empresa é cada vez mais posta em causa.

O plano passa por concentrar a Yahoo em três áreas – motor de busca, email e a rede social Tumblr, e quatro verticais – Notícias, Desporto, Finanças e Lifestyle. Tudo o resto será colocado em segundo plano, incluindo o site de armazenamento de fotos Flickr.

“A nossa visão para o Yahoo não mudou”, disse Mayer. “Queremos ser conhecidos como uma plataforma de descoberta para os utilizadores. As pessoas acedem ao Yahoo pelo conteúdo diferenciado e personalização.” Os sites da marca atraem mil milhões de utilizadores por mês; resta descobrir como tornar essa popularidade rentável outra vez.

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