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4x3x3x1: Como será a tática da comissão de trabalhadores da Autoeuropa?

Fotografia: Pedro Saraiva
Fotografia: Pedro Saraiva

Nova comissão de trabalhadores é a única entidade que vai negociar com a administração as condições para o novo horário de produção da fábrica

A Autoeuropa elegeu na terça-feira a nova comissão de trabalhadores para um mandato de três anos, até 2020. A lista E, liderada por Fernando Gonçalves, ganhou as eleições mas não conseguiu a maioria – ficou apenas com 4 dos 11 mandatos. Terá de dialogar com a lista D, comandada por Fausto Coutinho (3 mandatos), a lista C, liderada por José Carlos Silva (3 mandatos) e a lista A, de Paulo Marques (1 mandato).

Isto quer dizer que a nova comissão de trabalhadores vai funcionar com a tática 4x3x3x1. Enquanto não é eleito o capitão desta equipa, o que defendeu cada uma das listas para o futuro da fábrica de Palmela? Qual é a proposta de horário que gostariam que fosse negociada com a administração para a produção do novo modelo T-Roc corresponder à procura?

A nova comissão de trabalhadores é a única entidade que vai negociar com a administração as condições para o novo horário de produção da fábrica e, assim, responder à procura pelo veículo utilitário desportivo (SUV) T-Roc, que estará à venda em novembro na Alemanha e em dezembro em Portugal. Conseguir um acordo com a administração da fábrica será a principal prioridade do arranque de mandato da nova comissão de trabalhadores.

O Dinheiro Vivo recorda as propostas deixadas por cada uma das listas à comissão de trabalhadores.

-Fernando Gonçalves – Lista E:

“Ausência de apoio da CT cessante perante a intransigência da administração”. Esta é a principal razão para esta candidatura participar nas eleições de dia 3. Há vários problemas na unidade de Palmela e o investimento de 677 milhões de euros feito nos últimos anos “não dotou a fábrica de capacidade produtiva suficiente”. Propõem a solução temporária de um quarto turno, ao fim de semana, “como é realidade em outras empresas da região”, e que a administração, “depois de ter percebido o descontentamento demonstrado pelos trabalhadores, abdique de uma postura intransigente no sentido de se chegar a um acordo que não prejudique os trabalhadores que levaram a fábrica até ao patamar de excelência em que se encontra”.

-Fausto Dionísio – Lista D:

“A CT tinha deixado de ser o elo de ligação entre os trabalhadores e a administração”. Esta é a principal razão para um dos fundadores da comissão liderar uma das candidaturas. Fausto Dionísio considera que a Autoeuropa “tem uma oportunidade única de deixar de ser uma fábrica de nichos de mercado”. Isto será possível com a conjugação do investimento em tecnologias e infraestruturas com as relações humanas e sociais dos trabalhadores. Em relação aos horários, e para corresponder à meta de produção, esta lista propõe a criação de um novo turno de 32 horas semanais (12 horas ao sábado e domingo mais oito horas no resto da semana). “Ninguém vai entender na fábrica, no parque industrial, nas nossas famílias e no país, que não façamos os 240 mil carros”, conclui.

-José Carlos Silva – Lista C:

Esta lista conta com membros ligados ao sindicato SITE Sul, afeto à CGTP. Concorrente há mais de 20 anos, José Carlos Silva diz que os trabalhadores “querem-nos ainda mais” a liderar a CT. Esta lista defende que “é possível chegar a uma solução com a administração que vá no sentido de cumprir com a produção esperada a partir de 2018 e ao mesmo tempo salvaguardar os direitos e garantias dos trabalhadores”. Na administração encontram uma postura pronta para “retomar o diálogo” e negociar os novos horários de trabalho e os aumentos salariais para 2018.

Paulo Marques – Lista A:

Representam os trabalhadores de todos os sectores da Autoeuropa e garantem que, desta forma, “têm um conhecimento profundo do funcionamento da fábrica”. Defendem o “aproveitamento máximo da capacidade instalada” na empresa para “manter grandes índices de empregabilidade com melhores condições salariais e sociais”. Antes de apresentarem qualquer proposta, os membros desta lista querem ouvir as reivindicações de cada uma das equipas da fábrica e “conseguir uma base de entendimento para um acordo que seja vantajoso para todas as partes”. Sem dizer se concordam com o horário obrigatório aos sábados, dizem que a Autoeuropa “tem de ser adaptar à nova fase de grandes produções.”

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