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Transportadoras “de luto” exigem demissão do ministro

Fotografia: José Carmo / Global Imagens
Fotografia: José Carmo / Global Imagens

Empresários sentem-se "insultados" por Caldeira Cabral ter apelado ao "civismo" para não abastecerem em Espanha

As empresas de transporte rodoviário de mercadorias pedem a demissão do ministro da Economia. Dizem-se “insultados” com as declarações de Manuel Caldeira Cabral apelando ao não abastecimento de gasóleo em Espanha, por razões de “civismo”, e garantem que o sector está “de luto”.

Nas próximas duas semanas, os camiões vão circular pelas estradas com faixas negras penduradas; depois, se não houver resposta, ameaçam com uma marcha lenta pelo país dentro de 15 dias.

“Declaramo-nos de luto porque, com a falta de apoio que temos e com a falta de conhecimento que o ministro da Economia demonstra ter sobre a realidade do país, este é um sector que vai morrer a curto prazo”, declarou ao Dinheiro Vivo o presidente da Associação Nacional de Transportadoras Rodoviárias de Mercadorias (ANTRAM) no final da reunião em Pombal, que juntou cerca de três mil empresas para discutir a indisponibilidade do Governo para minimizar o impacto do aumento dos impostos sobre os combustíveis.

Gustavo Duarte considera que as declarações do ministro são “um completo insulto”, não apenas ao sector transportador, mas a todos os portugueses “que têm vindo, sucessivamente, a perder rendimentos nos últimos anos”. E acrescenta: “O senhor ministro não percebe que este é um sector vital para a economia portuguesa e que está a falar de empresários que pagam, só num mês, mais impostos do que provavelmente ele pagará em toda a vida”.

De visita a Famalicão, na sexta-feira, Manuel Caldeira Cabral foi confrontado com as preocupações da Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis com o aumento de portugueses a abastecer os seus veículos em Espanha, pondo em “situação difícil” os postos transfronteiriços. E foi claro: “Deixo um apelo para que as pessoas evitem fazer isso [ir abastecer a Espanha], porque no fundo estão a pagar impostos a Espanha em vez de pagarem a Portugal, mesmo tendo um desconto. Penso que por civismo é de pedir às pessoas para que evitem fazer isso”.

E ao extenso rol de protestos que as suas afirmações causaram, juntam-se agora os das empresas de transportes de mercadorias. Além da ANTRAM, também a Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) considera que as empresas “se sentem gozadas pelo Governo”. Márcio Lopes recusa que os camionistas sejam antipatrióticos, apesar de reconhecer que vão continuar a abastecer os camiões em Espanha.

E qual é a poupança que isto permite? Qualquer coisa como 550 euros. “Atestar o depósito de um camião em Portugal custa cerca de 1500 euros, enquanto em Espanha oscila entre 920 e 950 euros”, diz Gustavo Duarte, que estima em 35 %a 36% o peso dos combustíveis na estrutura de custos das empresas de transportes.

O sector exige do Governo “ações e soluções urgentes” para evitar o “descalabro” e garante que “não pede milagres, pede coisas concretas”. A primeira das quais é uma redução, em 20 cêntimos por litro, do preço do gasóleo em Portugal, de modo a equipará-lo ao praticado em Espanha. “O Governo não perderia 300 milhões com esta medida, como argumenta o senhor ministro. Provavelmente ganharia essa receita. É que o Governo faz a conta ao número de viaturas de mercadorias licenciadas em Portugal e ao seu consumo para calcular a perda, mas esquece-se que esses camiões já não abastecem em Portugal. Essa receita não existe. Mas pode existir se os preços baixarem”, sublinha Gustavo Duarte.

As transportadoras reclamam, ainda, a redução dos preços das portagens. Em quanto? “Estamos dispostos a discutir valores”.

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