Indústria 4.0

Amberg. Esta fábrica produz um controlador por segundo

Fábrica modelo da Siemens em Amberg recebe 400 visitas por ano.
Fábrica modelo da Siemens em Amberg recebe 400 visitas por ano.

Unidade da Siemens produz 15 milhões de controladores Simatic por ano. A taxa de defeito é de 0,0012%

Poucas serão as fábricas no mundo que se podem orgulhar de apresentar uma taxa de defeitos de 0,0012%. A Siemens garante-o na sua fábrica digital em Amberg, na Alemanha, onde produz os controladores Simatic, que permitem a automação e a integração digital nos processos de fabrico. Por ano, são fabricados na Electronic Works Amberg, conhecida pela sigla EWA, 15 milhões de controladores Simatic, o que, a uma média de 230 dias úteis de trabalho, significa uma unidade a cada segundo.

Visitar a fábrica de Amberg é ter um pequeno vislumbre do futuro. Máquinas, muitas máquinas, robots e computadores são fiscalizados, de perto, por meia dúzia de funcionários. Na verdade, não são meia-dúzia, mas parecem. A fábrica tem apenas 1200 trabalhadores a laborar em três turnos. Que funcionam de segunda a sexta, consoantes as necessidades. O sábado é para as operações de manutenção dos equipamentos, mas estas podem passar para o domingo, se for necessário ter as linhas operacionais ao sábado. Em contrapartida, se a produção não o justificar, em vez dos três turnos, só um está operacional e os restantes trabalhadores vão para casa.

Criada em 1989, a fábrica modelo da Siemens tem vindo a arrecadar prémios atrás de prémios e assume-se, mesmo, como “a melhor fábrica da Europa”. Não admira. Embora a área de produção se tenha mantido inalterada, com cerca de 10 mil metros quadrados, e o número de trabalhadores também não tenha sofrido grande evolução, a produção da EWA é hoje oito vezes superior. Basta ter em conta que, em 1995, a fábrica processava cinco mil pacotes de dados por dia, hoje processa 50 milhões. É esta base de informação que permite seguir cada um dos componentes de um produto em cada uma das etapas do ciclo produtivo. A automatização do processo é da ordem dos 75%, sendo que o próprio processo produtivo da EWA é controlado pela tecnologia Simatic.

“Toda a indústria em que se pretenda controlar o processo produtivo de forma automótica e digital requer Simatic. Para a visualização e controlo de todos os processos são usados os sistemas HMI, que asseguram o interface homem-máquina”, explica Maximilian Schiessl, da Siemens, destacando exemplos como as indústrias automóveis, química ou de tratamento de águas, entre outras.

Mas não só. O Simatic S7 315 F ou o Simatic ET 200S são sistemas integrados de controlo para garantir a segurança do seu próprio funcionamento em áreas onde isso se revela determinante, como sejam montanhas russas.

Aumentar a produtividade das empresas, reduzindo o tempo de entrega, melhorando a sua flexibilidade e incrementando a eficiência é a palavra de ordem na empresa que conta com 60 mil clientes em todo o mundo.

Incluindo em Portugal. Os controladores Simatic da Siemens estão presentes em praticamente todas as indústrias nacionais, da aeroportuária ao automóvel, da pasta e papel aos cimentos, das águas aos sectores químicos e petroquímicos, passando pela alimentação e bebidas, pelas minas e pela siderurgia, entre muitas outras.

O secretário de Estado da Indústria não conhece, ainda, a fábrica de Amberg, mas não tem dúvida que a indústria 4.0 não se cinge às tecnologias da fábrica do futuro. Questionado pelo Dinheiro Vivo se algum dia os sectores mais tradicionais da economia portuguesa poderiam integrar um tal nível de digitalização e automação, João Vasconcelos é perentório: “As séries únicas, os produtos personalizados e o aumento da liberdade de escolha do cliente final permitidos pela digitalização da indústria são ótimas oportunidades para as indústrias tradicionais”.

Mais, lembra, a indústria 4.0 inclui, para além das tecnologias da fábrica do futuro, o comércio eletrónico e muitas soluções de digitalização das relações com o cliente final. E qual será a abrangência da indústria 4.0 em Portugal? “Dependerá do que as quase 80 empresas que participam nos grupos de trabalhos [criados pelo Governo para definir as prioridades estratégicas] decidirem”.

Já o CEO da Siemens Portugal destaca que, “sem dúvida que a fábrica de Amberg é um exemplo que qualquer empresa, incluindo as portuguesas, pode e deve seguir”. Melo Ribeiro acrescenta: “Aplicando os conceitos da indústria 4.0, bem espelhados nesta fábrica, tenho a certeza que a indústria nacional tem aqui uma grande oportunidade para ter um crescimento exponencial, ajudando a posicionar Portugal no mundo”.

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