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55 multinacionais europeias querem reformar a política da concorrência

Margrethe Vestager, comissária europeia da Concorrência. REUTERS/Yves Herman
Margrethe Vestager, comissária europeia da Concorrência. REUTERS/Yves Herman

Mais de cinco dezenas das maiores companhias do Velho Continente pedem que a regulação ao nível da concorrência lhes permita competir à escala global.

Uma regulação ao nível da concorrência que permita às companhias europeias concorrer com as maiores economias mundiais. É este o pedido que 55 líderes de algumas das maiores empresas do Velho Continente – como as espanholas Telefónica, Inditex e Iberdrola, as francesas L’Oréal, Orange e Renault, as holandesas Heineken e Philips, a germânica Siemens, a britânica Vodafone, alguns dos membros que compõem o European Round Table of Industrialists (ERTI, Mesa Redonda de Industriais Europeus, numa tradução livre) – fazem a Bruxelas.

O grupo de empresários – que, em conjunto, é responsável por cinco milhões de empregos – tornou público um documento em que aborda as necessidades que as firmas europeias sentem em termos de concorrência na economia de hoje, que é global e em constante mudança. Por isso, escreve o jornal espanhol Cinco Días, estes presidentes executivos de grandes empresas asseguram que precisam de operar em mercados que sejam regidos por regras de concorrência “mais inteligentes”, que procurem a criação de um campo de jogo global e que respondam perante as mudanças nas condições de um mercado que é cada vez mais global.

“A rápida digitalização da maior parte dos setores da economia e o domínio crescente de gigantes da China e dos Estados Unidos são provas da necessidade de reflexão e mudanças”, indica a ERTI, citada pelo jornal espanhol. Os líderes empresariais aproveitam ainda para lançar algumas farpas às propostas recentes de Bruxelas e que vão no sentido de que as decisões sobre operações tomadas pela Comissão Europeia passem também pelo crivo do Conselho Europeu. “Não estamos convencidos que um maior peso político nas decisões sobre concorrência seja uma mudança positiva”.

Os empresários apresentaram ainda quatro recomendações. A primeira é: “alinhar a supervisão da concorrência com as exigências da economia digital”, o que pressupõe que venha a ser tido em conta fatores que ainda não têm reflexo no preço, com dados, a inovação ou os potenciais benefícios para o cliente das relações entre empresas, indica o jornal Cinco Días. A segunda prende-se com um regime de controlo mais ligeiro, pedindo simplificação e maior celeridade nos processos de aprovação.

A terceira é “elevar a segurança jurídica da colaboração concorrencial” que, indicam, é uma forma de procurar um ambiente favorável a atividades concorrenciais. E, por fim, propõe também um ponto de vista “holístico” para garantir a concorrência ao nível mundial. “A Comissão Europeia deve adotar uma visão completa das práticas e o poder de mercado de empresas estrangeiras públicas com o apoio público que operam na Europa e introduzir mais flexibilidade nas regras das ajudas de Estado, em especial em áreas sensíveis”.

A ERTI pede ainda à Europa uma posição mais firme em relação às práticas que este tipo de empresas estrangeiras para alavancar um maior nível de reciprocidade. “Quando as indústrias europeias enfrentam uma concorrência crescente das empresas estrangeiras com a vantagem do apoio público sem uma regulação semelhante (…) se deve ter em conta o impacto na concorrência mundial das empresas europeias quando se avaliam as ajudas de Estados ou se decidem extensões ou reduções dos custos regulatórios”.

“Os membros da ERTI têm um compromisso com uma Europa forte, inclusiva e unida em que os jogadores industriais inovadores, grandes e pequenos, têm um papel chave”, disse Carl-Henric Svanberg, CEO da Volvo, numa nota de imprensa, citada pelo jornal espanhol.

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