aviação

Chineses da HNA vão ser terceiro maior acionista com 20% da TAP

Fotografia: Diana Quintela / Global Imagens
Fotografia: Diana Quintela / Global Imagens

Governo assina acordo e cumpre promessa de reversão do negócio fechado por Passos Coelho. Estado fica com 50% do capital.

Os chineses da HNA, afinal, vão juntar-se a David Neeleman e Humberto Pedrosa no consórcio Atlantic Gateway e aumentar a sua participação na TAP até 20% do capital. O grupo, que também é dono da companhia brasileira Azul, torna-se o terceiro maior acionista.

O reforço do grupo chinês – que atua nas áreas de turismo, aviação, imobiliário e logística – está previsto no acordo parassocial que foi desenhado nos últimos meses entre os acionistas privados e o governo e que definiu o novo modelo em que o Estado passa a deter 50% da companhia aérea. Este acordo foi assinados nesta sexta-feira e apresentado ontem pelo ministro Pedro Marques e Humberto Pedrosa, sócio maioritário do Gateway.

“A HNA terá uma participação indireta na TAP de 13% com a conversão das obrigações por parte da Azul que, somando aos 7% de que falei, poderá chegar aos 20%”, explicou Humberto Pedrosa, na cerimónia.

A presença dos chineses trará ainda uma aproximação ao Oriente que neste momento a TAP não tem. “Esperamos uma ligação tão cedo quanto possível a Pequim”, adiantou o ministro.

A conclusão definitiva do processo, que ainda está dependente da negociação da dívida com a banca, venda dos 5% aos trabalhadores e das autorizações da Autoridade da Concorrência e da ANAC, o regulador da aviação, só deverá acontecer daqui a “três meses”. Ou seja, só no final de agosto a TAP deverá ter fechada a nova estrutura, onde o Estado detém 50%, os privados 45% e os trabalhadores os restantes 5% – que irão comprar num processo de OPV que “começa de imediato” a ser desenhado.

Se tudo correr como planeado, a maioria do capital da companhia passa para mãos nacionais, desfazendo as dúvidas sobre a propriedade do capital que preocupavam o regulador da aviação civil. Mesmo assim ainda podem recair dúvidas sobre quem controla efetivamente a companhia, uma vez que a gestão vai manter-se privada e, aí, só Humberto Pedrosa cumpre o requisito do passaporte europeu.

Um dos próximos passos do processo, agora que o acordo está selado, é voltar a olhar para a dívida bancária da TAP que será renegociada junto dos credores na tentativa de se conseguirem melhores condições de pagamento e mais tempo para a saldar. A dívida da companhia aos bancos ronda 630 milhões de euros e as maturidades, apesar de terem sido renegociadas no final do ano passado, vão voltar a ser revistas. Nessa altura a Caixa Geral de Depósitos era o maior credor da TAP, mas também estavam na lista BCP, Deutsche Bank, BIC, CGD e BPI.

Humberto Pedrosa referiu ao Expresso que o objetivo é aumentar os prazos de pagamento para sete anos, baixando os juros para 3%, processo que contará com a garantia estatal para ser levado a bom porto. “O aumento da participação do Estado vai dar um conforto diferente à banca e será muito mais fácil fazer negociação da dívida”, adiantou ontem.

Quando todos esses pontos estiverem resolvidos, a TAP passará a ser “uma companhia de capitais mistos gerida como se fosse privada” e o governo, apesar de não interferir na gestão corrente, poderá ditar a última palavra através do presidente do Conselho de Administração, que terá de eleger. Esta nomeação irá decorrer em junho. Para já, ainda não há quaisquer convites. Durante este período serão escolhidos igualmente os nomes que irão ocupar as restantes cadeiras da administração – o Estado terá seis administradores e o Gateway outros seis. Fernando Pinto vai manter-se na presidência.

Ainda que a posição do acionista Estado cresça 16%, o governo apenas irá avançar com 30 milhões de euros para a subscrição, até junho, da parte que lhe cabe no empréstimo obrigacionista da companhia. O envolvimento financeiro, assegura o ministro Pedro Marques, ficará por aqui, até porque a recompra de ações será feita ao mesmo preço (10,93 euros por ação) que o consórcio privado pagou quando venceu o processo de venda da TAP. Esta operação de recompra vai custar 1,9 milhões aos cofres do Estado.

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