Telecomunicações

5G. A rede que vai colocar (ainda mais) as máquinas a falar umas com as outras

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Espectro, terminais, standards são algumas das incógnitas com que o sector das telecomunicações se enfrenta. O ISCTE debateu hoje o 5G.

Máquinas a falar com máquinas, telemedicina, carros autónomos, redes cada vez mais rápidas é a promessa do 5G. Bruxelas tem feito pressão para que na Europa esta rede comece a ser implementada, não querendo perder a corrida tecnológica para o mercado asiático.

Na Coreia do Sul a expectativa é que haja uma oferta comercial disponível para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, diz o Financial Times. Mas na Europa isso não deverá acontecer antes de 2020. Em Portugal, nenhum dos operadores arrisca uma data para um lançamento de uma oferta 5G. Só no próximo ano será conhecida uma primeira definição dos standards do 5G e permanecem dúvidas quanto à forma como irá ser distribuído o espectro necessário para transmitir os dados à velocidade pretendida. Mais, nesta fase, nem há terminais móveis disponíveis com capacidade 5G.

Os desafios são assim muitos. E nem todos de teor tecnológico. “O 5G é uma inovação tecnológica mas também económica! A sua implementação, por parte dos operadores, estará relacionada com os investimentos em CAPEX e OPEX e com o retorno previsto, e as operadoras saberão muito bem fazer esse balanço. Qualquer avanço tecnológico é implementado por fabricantes e operadores se conseguir aportar, por um lado, valor para o consumidor mas também para as empresas que exploram os produtos, serviços, processos e/ou sistemas”, refere Pedro Sebastião, professor do ISCTE e organizador da conferência sobre 5G, a IEEE 5G Summit, que decorreu esta quinta-feira, em Lisboa.

O estado da arte em Portugal

Um desafio que surge numa altura em que as operadoras estão a fazer investimentos em redes de nova geração e ainda a rentabilizar a aposta no 4G, onde gastaram muitos milhões na compra de espectro.

“O principal desafio é rentabilizar as redes móveis e não forçar a introdução de novas tecnologias sem a garantia que as redes atuais estão exploradas até à sua maturidade e sem a garantia que o mercado está recetivo para as mesmas”, frisa fonte oficial da NOS em declarações ao Dinheiro Vivo. “A NOS está a acompanhar a estandardização do 5G, a estudar e avaliar a tecnologia e o ecossistema e a tomar opções estratégicas no desenvolvimento da sua rede atual orientadas a uma futura evolução para 5G.”

As políticas de gestão de espectro atualmente em vigor não são compatíveis nem incentivadoras da procura de espetro pelos operadores para a introdução do 5G”, diz a Nos

E o mesmo é o estado da arte do lado da Vodafone. “O 5G, a tecnologia móvel do futuro, irá numa primeira fase evoluir a partir da rede 4G já existente. A arquitetura de rede irá migrar para soluções de cloud, que começam já a ser implementadas em 4G e que serão desenvolvidas e melhoradas, no futuro, em 5G”, diz fonte oficial da operadora liderada por Mário Vaz. “Há já algum tempo que a Vodafone Portugal tem vindo a preparar as suas infraestruturas para a rede móvel do futuro, quer através da instalação de equipamentos “5G ready”, quer através do upgrade do software atualmente existente e do desenvolvimento de funcionalidades que permitem elevadas taxas de transferência de informação”, diz a companhia. Preparando o salto para o 5G a Vodafone tem ainda optado por implementar “equipamentos 4G agnósticos à tecnologia, ou seja, com capacidade de serem futuramente configurados por software para 5G”.

Um trabalho de preparação que, diz a Vodafone, tem vindo a ser feito desde 2014 “complementado com a realização de testes reais, feitos em parceria com alguns dos mais importantes fornecedores de tecnologia do mundo, no caso da Vodafone Portugal, com a Ericsson, onde são atingidas velocidades muito próximas do que se espera para o 5G ( acima de 1Gbps)”.

“A PT já começou a fazer este caminho para o 5G e está comprometida com o desenvolvimento continuado de tecnologias de comunicações móveis e no lançamento de redes LTE cada vez mais rápidas e avançadas em Portugal”, diz fonte oficial da operadora dona do Meo. Primeiro passo nesse caminho foi a demonstração levada a cabo durante Web Summit “de uma rede móvel 4,5G, tendo sido atingidas velocidades de 1.7 Gbps, mais de 5 vezes a velocidade atual da rede móvel e 2 vezes superior à velocidade premium de fibra ótica”, lembra fonte oficial da PT.

A promessa do 5G

O potencial desta nova tecnologia é imenso. “Espera-se que o 5G potencie a proliferação das comunicações entre máquinas (M2M ou IOT), na medida em que a rede conseguirá suportar milhões de máquinas ligadas entre si, bem como o respetivo volume de dados que as mesmas vão gerar”, destaca fonte oficial da Vodafone. Vai ainda permitir obter “níveis de latência, ou seja, o tempo de resposta da rede, até cinco vezes mais baixos do que os atuais, o que potencia a utilização de serviços interativos (por exemplo realidade virtual, realidade aumentada) com maior fiabilidade”, continua a mesma fonte.

Vai ser uma revolução acredita a NOS. “O 5G permitirá revolucionar a forma como interagimos com o mundo, acelerando a integração em rede de equipamentos e sensores (carros, domótica, remotização de procedimentos, veículos). Os equipamentos que nos rodeiam terão mais “inteligência” e estarão ligados ao mundo permitindo um número sem fim de novas aplicações e serviços.”

As incógnitas

Mas ainda se mantêm uma série de incógnitas em torno do 5G. Para começar, os “standards 5G ainda não estão fechados”, lembra a NOS. “Perspetiva-se que a primeira versão esteja terminada em 2018, mas definições em detalhe das bandas de frequência só mesmo em 2019 no WRC19 (reunião internacional de harmonização de espectro)”, reforça a operadora de Miguel Almeida.

A Comissão Europeia quer dar gás à implementação antecipada do 5G e estabeleceu um objetivo para disponibilização desta tecnologia, pelo menos, em uma grande cidade em cada país, garantindo a competitividade tecnológica europeia.

A NOS diz estar disponível para responder ao desafio europeu, mas deixa um recado. A operadora espera que “também as entidades relevantes comunitárias e nacionais, incluindo o regulador e o Governo, atuem em conformidade e de forma coerente com os objetivos estabelecidos”.

Como irá ser distribuído o espectro?

E toca ainda em outro dos temas sensíveis quase se fala em 5G: o espectro. “Vale a pena salientar que, no âmbito da promoção do 5G, a Comissão fez um apelo à razoabilidade de fixação de taxas sobre os operadores, em geral e sobre a atribuição e utilização de espectro, em particular. De referir que esta posição está formalmente vertida na proposta da Comissão para o novo Código do setor das comunicações”, lembra.

Para entregar a grandes velocidades o tsunami de dados que se avizinha, o 5G exige grandes densidades de espetro, disponível em faixas de alta frequência (entre 24 e 70 GHz), ou no caso de serviços massificados, que não requerem elevados débitos e exigem menor largura de espectro, em faixas mais baixas (entre 600 MHz e 5 GHz).

Mas sobre a questão do espectro há uma série de dúvidas sobre a forma como o mesmo poderá vir a ser disponibilizado. “O 5G por definição requer grandes quantidades de espectro. As políticas de gestão de espectro atualmente em vigor não são compatíveis nem incentivadoras da procura de espetro pelos operadores para a introdução do 5G”, alerta a operadora liderada por Miguel Almeida.

“É por isso expectável que o modelo seja revisto, caso contrário poderá ser um entrave à adoção do 5G em Portugal no curto espaço de tempo”, reforça. Em Portugal, caberá à Anacom definir quais as regras de atribuição do espectro em coordenação com as diretivas da comissão europeia, lembra a NOS.

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