5G. Apritel "estranha" declarações de Pedro Nuno Santos. "O dinheiro não é elástico"

Declarações de Pedro Nuno Santos contrariam "aquela que tem sido a posição veiculada pelo Governo", aponta o secretário-geral da Apritel, Pedro Mota Soares.

A Apritel "estranha" as declarações do ministro Pedro Nuno Santos sobre o valor que está a ser atingido nas licitações do leilão do 5G, alertando que "o dinheiro não é elástico", alerta Pedro Mota Soares, secretário-geral da associação que alerta para o impacto que isso poderá vir a ter no investimento feito pelos operadores em serviços e produtos com esta tecnologia.

O ministro das infraestruturas, que tem a tutela das telecomunicações, mostrou-se ontem satisfeito com o decorrer do leilão do 5G, cuja licitação principal decorre desde janeiro. "Todos os dias aumenta receita, nós já vamos em mais de 350 milhões de euros de receita entre a fase de novos entrantes e esta", disse Pedro Nuno Santos. "Que continuem a aumentar as licitações porque nós precisamos de dinheiro que, depois, vamos investir noutro objetivo", que é "a necessidade de nós conseguirmos cobrir o território todo com fibra ótica", afirmou o ministro.

Declarações que causaram estranheza junto da associação que representa os operadores. "O dinheiro não é elástico. Se às obrigações de cobertura elevadas se somarem licenças de 5G caras, é o investimento no setor e a entrega de produtos e serviços compatíveis com os objetivos de crescimento do país que fica em causa. Menos investimento significa que Portugal pode ficar para trás no 5G e na transição digital", diz Pedro Mota Soares, em declarações ao Dinheiro Vivo.

Declarações que contrariam "aquela que tem sido a posição veiculada pelo Governo", aponta o secretário-geral da Apritel. "Na Resolução do Conselho de Ministros sobre o 5G, o Governo definiu que a prioridade não era o encaixe financeiro mas o desenvolvimento e promoção da coesão social e a transição digital", lembra.

"As declarações do Ministro são contraditórias, face às prioridades nacionais", reforça. "Também não se compreendem as afirmações sobre a alocação das receitas do leilão", diz ainda Pedro Mota Soares.

"Nos documentos oficiais o Governo determinou que as receitas devem ser utilizadas para a criação de medidas destinadas a apoiar projetos de estímulo à transição e inclusão digitais, designadamente na área da educação, da investigação, de produção de conteúdos digitais, da capacitação ou do fomento da literacia digital, bem como da transformação digital das empresas e da Administração Pública, o que é diferente da afirmação do Ministro Pedro Nuno Santos sobre a alocação à cobertura de fibra", diz ainda.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de