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5G: Estados-membros detetam riscos de espionagem e de ciberataques externos à UE

(Foto: Ana Rita Guerra)
(Foto: Ana Rita Guerra)

Os Estados-membros da UE detetaram, numa análise feita aos riscos nacionais das redes 5G, a possibilidade de ciberataques vindos do estrangeiro.

A informação consta de um relatório divulgado esta quarta-feira pela Comissão Europeia, em Bruxelas, após os Estados-membros terem feito uma avaliação nacional sobre estes riscos. O relatório indica que, nessas mesmas análises, chegou-se à conclusão de que “a introdução das redes 5G ocorre no âmbito de um complexo cenário global de ameaças à segurança cibernética”.

“No geral, as ameaças consideradas mais relevantes” e apontadas no relatório estão “relacionadas com o comprometimento da confidencialidade, da disponibilidade e da integridade” dos dados nestes países, indica o executivo comunitário no documento, precisando que um desses riscos se refere à “espionagem de tráfego ou de dados através da infraestrutura das redes 5G”.

A Comissão nota, no relatório, que “em particular os países terceiros mais hostis podem exercer pressão sobre os fornecedores de 5G a fim de concretizarem ciberataques para atenderem aos seus interesses nacionais”.

Isto porque estes países de fora da UE têm “capacidades – intenção e recursos – para realizar ataques contra redes de telecomunicações dos Estados-membros da UE”, acrescenta.

Segundo Bruxelas, “as mudanças tecnológicas introduzidas com o 5G irão aumentar a dimensão de um [possível] ataque e o número de pontos de entrada com potencial para os invasores”.

Por isso, o executivo comunitário aponta que “as ameaças relacionadas com os Estados ou com os atores apoiados pelo Estado são consideradas de maior relevância”, já que representam “riscos sérios e prováveis que podem ter [por detrás] a motivação, a intenção e, mais importante, a capacidade de realizar ataques persistentes e sofisticados à segurança das redes 5G” na UE.

Assumida como uma prioridade desde 2016, a aposta no 5G já motivou também preocupações com a cibersegurança, tendo levado a Comissão Europeia, em março deste ano, a fazer recomendações de atuação aos Estados-membros, permitindo-lhes desde logo excluir empresas ‘arriscadas’ dos seus mercados.

Bruxelas pediu, também nessa altura, que cada país analisasse os riscos nacionais com o 5G, o que aconteceu até junho passado, seguindo-se depois uma avaliação geral em toda a UE, hoje divulgada. Até final do ano, deverão ser encontradas medidas comuns para mitigação das ameaças.

Apesar de Bruxelas rejeitar estar a incidir sobre uma determinada empresa ou sobre um determinado país, a tecnológica chinesa Huawei tem vindo a ser acusada, principalmente pelos Estados Unidos, de espionagem através das redes 5G. A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China. De um total de 50 licenças que a empresa detém para o 5G, 28 são para operadoras europeias.

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