Energia

Iberdrola quer 15% do mercado doméstico até 2020

As obras das 3 barragens estão já a decorrer, sendo que o maior volume de trabalho será de 2018 a 2020. Fotografia: DR
As obras das 3 barragens estão já a decorrer, sendo que o maior volume de trabalho será de 2018 a 2020. Fotografia: DR

Empresa apresentou o Sistema Eletroprodutor do Tâmega, o maior investimento hidroelétrico dos últimos 25 anos em Portugal

A Iberdrola, líder em Portugal no segmento dos clientes industriais, está apostada em crescer no mercado residencial. A empresa espanhola conta com uma quota total de 17%, mas a diretora comercial da elétrica em Portugal reconhece que, no segmento doméstico, tudo está ainda por fazer. Ou melhor, a Iberdrola conta já com 100 mil clientes de eletricidade e gás, uma quota que é, ainda, “muito baixa”. O objetivo, diz Carla Costa, é chegar a 2020 com 15% de quota no mercado residencial. “No mínimo”, frisa.

Carla Costa falava ao Dinheiro Vivo à margem da apresentação oficial do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, que ontem decorreu em Ribeira de Pena, distrito de Vila Real. Este é um projeto que contempla a construção, em simultâneo, de três barragens – Daivões, Alto Tâmega e Gouvães, esta última com sistema de bombagem -, um investimento de 1,5 mil milhões de euros e que estará concluído em 2023. Até lá irá gerar 13.500 empregos diretos e indiretos na região. “O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é o maior no setor hidroelétrico português nos últimos 25 anos, representando mais de 50% do objetivo do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico”, destacou a responsável comercial da empresa.

Quando concluído, o complexo terá uma potência instalada de 1.158 megawatts e uma produção anual de 1.760 gigawatts por hora, ou seja, 6% do consumo elétrico do país, o que “prova o compromisso da Iberdrola com Portugal” destacou, por seu turno, o diretor geral do Negócio Liberalizado Internacional.
Aitor Moso sublinhou, ainda, o “papel fundamental” destas barragens no combate às alterações climáticas. O sistema evitará a importação de mais de 160 mil toneladas de petróleo por ano e a emissão de mais de 1,2 milhões de toneladas de CO2 anuais, garante a Iberdrola.

Por outro lado, o uso da bombagem hidroelétrica na central de Gouvães permite armazenar a energia, por meio da bombagem de água do reservatório inferior de Daivões para o reservatório superior de Gouvães. Sempre que as necessidades o justifiquem, esta água armazenada será usada para produzir eletricidade ao ser turbinada para o reservatório de Daivões. “A utilização da bombagem hidroelétrica apresenta-se como método mais eficiente para o armazenamento de energia em grande escala, reforçando o compromisso da Iberdrola com o incremento das energias renováveis imprescindível para a redução das emissões e para o desenvolvimento de um modelo energético sustentável”, sublinha a elétrica.

Também o secretário de Estado do Ambiente destacou o contributo deste investimento para o cumprimento dos compromissos assumidos em Paris no que à redução da dependência de combustíveis fósseis diz respeito. Carlos Martins prometeu, ainda, que o Governo e as autoridades do ambiente estarão “muito atentas ao cumprimento das medidas preconizadas pela Declaração de Impacto Ambiental” e recusou comentar a contestação que o projeto merece por parte de ambientalistas e movimentos cívicos locais. “Já não é o momento propício para por em causa o seu andamento”, considerou, lembrando que o empreendimento vai já a meio.

O maior volume dos trabalhos vai concentrar-se entre 2018 e 2020. Por exemplo, para já foram ainda só realizados 10% dos trabalhos de escavação, que terãod e estar totalmente concluídos até ao final do ano. Das 70 empresas portuguesas envolvidas na construção – MSF, Mota-Engil, ou Edivisa, por exemplo – 15 são locais. A Iberdrola alocou, ainda, 50 milhões de euros a projetos de cariz social e cultural nos seis concelhos envolvidos.

Com 30 milhões de clientes em todo o mundo e instalada em 40 países, onde conta com 33 mil trabalhadores, a Iberdrola é uma das cinco maiores companhias elétricas do mundo e líder mundial em energia eólica. Conta com mais de 14.700 megawatts instalados de energias renováveis. Em Portugal, a Iberdrola somava, no final de 2016, mais de 180 mil contratos e sete terawatts/hora de energia.

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