Indústria

Caldeira Cabral. “As empresas portuguesas estão a ser copiadas”

Manuel Caldeira Cabral, ministro da  Economia. Fotografia:
Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens
Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia. Fotografia: Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

Feira de bens de consumo reúne mais de 80 empresas portuguesas voltadas para a exportação

O ministro da economia, Manuel Caldeira Cabral, defendeu este sábado que, em alguns setores de atividade, as empresas portuguesas estão a diferenciar-se “pela qualidade, pela inovação e pelo design”, de tal forma que uma das maiores preocupações é a imitação dos produtos nacionais.

Numa visita às empresas portuguesas na feira Ambiente, de bens de consumo como cerâmica, cutelaria e decoração, que está a decorrer em Frankfurt, o ministro, em declarações ao Dinheiro Vivo, afirmou que “o problema das empresas portuguesas hoje é serem copiadas, o que demonstra até que ponto Portugal mudou radicalmente aquilo que está a produzir e é hoje um país em que as preocupações que temos é com os direitos das empresas e a proteção das marcas”.

“As empresas portuguesas em algumas áreas já se afirmaram tanto que estão a ser copiadas”, sustentou. Estes são “problemas positivos porque mostram bem em que patamar algumas empresas já chegaram. E as mais pequenas beneficiam do prestigio das empresas maiores que já abriram caminho. Os clientes profissionais já procuram as empresas portuguesas pela qualidade”, acrescentou Caldeira Cabral, no final da visita a mais de 40 das 88 empresas portuguesas que estão presentes na feira

48 empresas das 88 empresas presentes na Feira estão em participação com a NERLEI, associação industrial de Leiria, e há três portugueses no concurso de designers: a Bisarro, a O João e a Maria e ainda o português José Maria Salgado, que vem de Londres mas que sonha em “voltar para Portugal e abrir uma fábrica”, afirmou o jovem designer ao ministro.

 

Este é “claramente um setor em que Portugal surge ao lado das melhores empresas do mundo e onde as empresas portuguesas tiveram uma melhoria enorme de qualidade, com incorporação de tecnologia, com incorporação de design”, considerou o ministro, referindo que “quase todas as empresas disseram que tiveram um crescimento nas vendas e isso de facto reflete-se no enorme aumento das exportações que tivemos no final de 2016”. Apesar do crescimento de 12% de dezembro, a aceleração do último trimestre não foi suficiente para compensar a debilidade do resto do ano, o que levou a que o crescimento das exportações em 2016 fosse de apenas 0,9%.

Caldeira Cabral admite que, com a queda das exportações para mercados como o angolano, “a diversificação é muito importante e as empresas conseguiram compensar algumas perdas que tiveram nalguns mercados com o crescimento muito forte noutros”.

É o caso da Cutipol, de cutelaria. Com mais de 90% das receitas a vir das exportações e um grande peso do mercado norte-americano, a empresa, que exporta para mais de 60 países, tem sentido grande interesse do mercado do extremo-oriente, “sobretudo da Coreia do Sul”, diz ao Dinheiro Vivo David Ribeiro, diretor comercial da empresa.

A expectativa da empresa é que a faturação cresça 20% este ano. Um valor que está em linha com o referido pelas empresas questionadas pelo Dinheiro Vivo e visitadas pelo ministro da economia.

“Tivemos aqui grandes grupos como a Vista Alegre com crescimento de 11% nas exportações e outras a dizer que o crescimento em 2016 foi razoável e que em 2017 vai ser ainda melhor mas que tiveram um crescimento de 20% em 2016”, salientou Caldeira Cabral. É o caso, por exemplo, da aMetalúrgica, uma empresa familiar centenária que faz formas por medida e que cresceu 36% em 2016.

O ministro da economia referiu ainda a importância dos programas tecnológicos e de indústria 4.0 que estão a ser implementados pelo Governo para que as empresas se adaptem à nova realidade produtiva, um tema transversal “a todos os setores, em Portugal e na Europa”.

“As empresas que não se adaptem podem vir a ter muitos problemas e as que se saibam adaptar as oportunidades que a tecnologia traz podem ganhar um mercado muito mais amplo”, conclui o ministro.

A feira Ambiente decorre até dia 14, em Frankfurt. Fonte da NERLEI diz ao Dinheiro Vivo que “a maioria das empresas participa na feira com o objetivo de consolidar a sua posição, principalmente junto de clientes que já tem” mas a presença também é relevante para a “angariação de novos clientes e diversificar mercados de exportação”, além de “conhecer e monitorizar a concorrência”.

O ano passado, as empresas representadas pela NERLEI registaram um total de 815 encomendas em carteira e perspectivas de negócio, no valor de 3,7 milhões de euros, diz a mesma fonte. Foram realizados mais de 7200 contactos, cerca de 150 por empresa.

A feira Ambiente conta com mais de 4300 expositores, 80% de fora da Alemanha. Espera-se, na edição deste ano, 136 mil visitantes de 143 países, segundo números da organização.

*Em Frankfurt. A jornalista viajou a convite da Vista Alegre

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