Negócio

Tabaqueira quer produzir heatsticks em vez de cigarros

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Em breve, a fábrica de Albarraque poderá ser convertida para produzir apenas cigarros para tabaco aquecido

“Até quando é que a empresa líder na produção de cigarros se vai manter neste negócio?” A pergunta, em destaque no site da Tabaqueira, causa estranheza. O que poderá então produzir uma fábrica que existe desde 1962 e de onde saíram, no ano passado, 27 mil milhões de cigarros, 80% para exportação? A resposta é dada por Miguel Matos, o novo diretor geral da Tabaqueira, que não esconde o principal objetivo para o seu mandato à frente da subsidiária da Philip Morris International (PMI) em Portugal: ser a próxima fábrica eleita para receber um investimento avultado para a reconversão das linhas de produção dos cigarros convencionais para tabaco aquecido (cigarros conhecidos como heatsticks), o novo produto estrela da empresa.

Além de produzir e vender marcas de tabaco internacionais e nacionais, tais como Marlboro, L&M, Chesterfield, SG e Português, a Tabaqueira iniciou em 2016 a comercialização de uma nova forma de consumo de tabaco, sem combustão, sem fumo e, de acordo com a empresa, com um significativo potencial de redução de riscos associado ao tabagismo.

De um universo de dois milhões de fumadores em Portugal, 30 mil já são utilizadores da nova tecnologia de tabaco aquecido IQOS da Philip Morris (em todo o mundo são 3 milhões), tendo o mercado nacional sido o quarto escolhido pelo grupo para lançar o novo produto.
O desenvolvimento do equipamento tecnológico IQOS e dos respetivos heatsticks começou há 10 anos, com 400 cientistas na Suíça e um investimento em I&D de 3000 milhões de dólares. Entretanto, o grupo PMI já reconverteu várias fábricas para produzirem heatsticks, em Itália, Roménia, Alemanha e Rússia.

“O nosso objetivo é converter todos os consumidores adultos para este tipo de produto. Por isso, haverá também uma tendência de conversão de mais fábricas. E estamos a falar de investimentos avultados. No caso da Roménia, foram 300 milhões de euros para adaptar a fábrica e modernizá-la”, disse ao Dinheiro Vivo Miguel Matos, um convicto não-fumador que trabalha na Tabaqueira há 19 anos.

O pacote global de investimentos em capacidade industrial, anunciado pela PMI neste ano e meio, ronda os mil milhões de dólares. Em Portugal, a Philip Morris investe anualmente em média, entre 12 e 13 milhões de euros (num total de 300 milhões nos últimos 20 anos), mesmo apesar do mercado nacional doméstico de tabaco ter entrado em contração.

Na sua primeira entrevista à frente da Tabaqueira, Miguel Matos mostrou-se assim muito otimista na reconversão da fábrica da Tabaqueira para heatsticks: “Tendo em conta toda a grande aposta na Tabaqueira ao longo dos anos, faria sentido que fossemos um dos próximos mercados a produzir este tipo de produtos. Daí a minha confiança que vamos produzir heatsticks em breve”.

O que falta? “Se tivermos um ambiente de regulação que facilite e encoraje as pessoas a sair dos cigarros convencionais, vai de certeza facilitar a decisão da Philip Morris de trazer para cá a produção dos heatsticks”.

Desde que a Tabaqueira foi comprada pela Philip Morris, em 1997, a fábrica de Albarraque mais do que duplicou a sua produção, de 12 mil milhões para 27 mil milhões de cigarros, que são exportados para Espanha, Itália, França, Noruega, Inglaterra, entre outros países. Apenas 20% fica em Portugal, com a Tabaqueira no top 10 das exportadores portuguesas e a registar 600 milhões de euros anuais em exportações. “Esta contínua alocação de produção a Portugal é mais um sinal da aposta da PMI nesta afiliada”, garante Miguel Matos, que comandará agora uma força de trabalho de 770 pessoas.

A Tabaqueira registou um volume de negócios de 1,4 mil milhões de euros (1,1 mil milhões dizem respeito ao imposto sobre o tabaco) e resultados operacionais de 100 milhões de euros em 2016. “Este ano vamos crescer mais de 10%, ainda muito com cigarros convencionais. Não consigo dizer que percentagem de tabaco convencional a Tabaqueira irá produzir ainda daqui a cinco anos. Se correr bem irá produzir pouco, e muito disto”, diz, apontado para um maço de heatsticks.

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