Reestruturação

Somague. Sindicato exige explicações da administração

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Construtora admite novo corte de pessoal. Sindicato reúne-se com administração esta quinta-feira, dia de plenário

Os trabalhadores da Somague reúnem-se amanhã em plenário para debater a situação da empresa e que medidas irão tomar, atendendo às dificuldades e aos salários em atraso. Mas antes, o presidente do Sindicato da Construção tem um encontro com a administração da Somague, atualmente propriedade do grupo espanhol Sacyr, para ouvir propostas.

Albano Ribeiro reconhece que “nenhuma empresa aguenta, eternamente, manter quase 700 postos de trabalho sem obras”, mas sublinha que “cabe à Somague dizer como quer fazer essa reestruturação”. Uma reestruturação que a administração adiantou, em várias das reuniões anteriores que manteve com o sindicato, “que iria fazer até agosto”, mas que, até agora, não avançou com proposta nenhuma.

Ontem, o Jornal de Negócios avançava que a Somague “está a analisar” uma nova redução da sua estrutura – em 2015 fez um despedimento coletivo de 273 pessoas e, já neste ano, terá feito propostas de rescisões ou de transferência a cerca de 40 quadros – para “adaptar a empresa à situação atual”. Contactada pelo Dinheiro Vivo, fonte do grupo reconhece que o tema “está a ser pensado” até porque a atividade que a construtora tem “não comporta” os cerca de 600 trabalhadores que a empresa tem em Portugal, de um total de 1500, mas, para já, não está definido quando nem como. À crise na construção em Portugal juntaram-se as dificuldades geradas em Angola e no Brasil pela crise do petróleo. A “tempestade perfeita”.

O grupo Somague tinha, em 2009, quase 3400 trabalhadores, dos quais quase 3000 afetos à área da construção, tendo nesse ano faturado 797 milhões de euros. Portugal pesava, então, quase 56% e Angola 24%. Em 2015, o grupo faturou 428,7 milhões, com Portugal a contribuir com cerca de 29% e Angola, que em 2012 chegou a valer 58% das vendas, a pesar 26%. O Brasil, outra das grandes apostas da Somague, valia, então, 12%. Os números de 2016 não são conhecidos.

Para o Sindicato da Construção, uma empresa com a dimensão da Somague não pode, simplesmente, desaparecer. “A Somague deixou a sua marca em todas as grandes infraestruturas do país, dos hospitais à ferrovia, passando pelas estradas e pelas barragens”, diz Albano Ribeiro, que admite exigir a intervenção das autoridades. Mas não adianta, para já, em que sentido, remetendo mais pormenores para amanhã.

“O sindicato, antes de mais, defende os postos de trabalho. Mas há trabalhadores com idade avançada e que estão disponíveis para negociar uma solução. Mas, para isso, a Somague tem de dizer em que condições”, diz Albano Ribeiro, que lamenta a situação atual, considerando que “a empresa parece querer vencer os trabalhadores pelo cansaço”.

Em causa estão os cortes de regalias, como os carros de serviço e os seguros de vida e de saúde, diz o sindicalista, bem como os ordenados em atraso. “A Somague ainda tem parte do salário de agosto por liquidar. Aliás, tem sido assim todos os meses”, explica.

A grande preocupação do sindicato tem que ver com as notícias que dão conta da reestruturação da dívida da Somague junto da banca. “O nosso grande medo é que os ativos da empresa passem todos para a banca e, depois, não haja nada para os trabalhadores reclamarem”, refere Albano Ribeiro.

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