A empresa têxtil do Vale do Ave que “veste” a polícia alemã

Manuel Barros é diretor executivo da LMA
Manuel Barros é diretor executivo da LMA

O edifício enorme e austero, à face da Estrada Nacional 105, em Rebordões, Santo Tirso, não deixa adivinhar que, por detrás daquelas paredes, está uma referência internacional no mercado de produção de tecidos de malha com performances técnicas. E muito menos que, os seus sete milhões de euros de faturação, são obtidos com uma equipa de, apenas, 42 pessoas.

A LMA, empresa familiar do Vale do Ave, desenvolve e produz malhas e tecidos de fibras sintéticas com múltiplas funcionalidades e altos níveis de qualidade, que servem para vestir, desde o mais anónimo dos desportistas, às forças de segurança de vários países europeus. É o caso da polícia alemã, mas também de várias corpos de bombeiros e exércitos, que não pode nomear por razões de confidencialidade.

“A área de vestuário de proteção está em grande crescimento. Obriga a um investimento muito grande ao nível da investigação e da inovação, porque há uma série de requisitos técnicos que tem de cumprir, designadamente ao nível da proteção física, mas também das características antibactereanas, anti-odor, etc”, explicou ao DN/Dinheiro Vivo o diretor executivo da LMA, Manuel Barros.

Fundada em 1995, a LMA- Leandro Manuel Araújo, SA nasceu estritamente vocacionada para a produção de malhas de desporto com elevada performance funcional. Das 32 seleções que marcaram presença no Campeonato do Mundo de Futebol de 2002, organizado pela Coreia do Sul e Japão, 22 foram equipadas com malhas da LMA.

Mas o desvio das grandes encomendas têxteis para a Ásia – uma tendência que está a acabar, com a alteração dos padrões de consumo e a necessidade das empresas em não acumular stocks – fez com que, em 2006, e perante a perda de 40% do seu volume de negócios num só ano, repensasse o seu modelo de negócio e apostasse em novas áreas, como o vestuário de proteção, a indústria automóvel e a publicidade outdoor /decoração, entre outras. Sete anos depois, recuperou as vendas perdidas, ao fechar 2013 com sete milhões de euros de faturação.

Hoje, continua a fornecer marcas como a Adidas, mas reduziu o peso do desporto na sua faturação dos 90% no início do novo milénio, para os atuais 30 a 40%. Mas está presente nos grandes eventos, como a Volta a França, os Jogos Olímpicos ou o Mundial de Futebol. No Brasil, pelo menos duas seleções vestirão equipamentos com malhas LMA.

Nos desportos de inverno, fornece, entre outros, a Salomon, na área de outdoor tem a Berg, marca do grupo Sonae, e no segmento da moda- “funcional, sempre” – trabalha com grupos tão distintos como os espanhóis da Inditex ou os gigantes Louis Vuitton e Prada. Fornece duas das principais equipas da Formula 1, embora manuel Barros não indique quais.

Dos sete milhões que fatura, exporta diretamente 30 a 40%. Mas de forma indireta (através dos produtos finais dos seus clientes) acredita que 90% do que faz vai para o exterior. O centro e norte da Europa são os principais destinos, embora também venda “qualquer coisa para a Ásia e para África”. Este ano espera fechar o exercício com um crescimento de, pelo menos,

O reconhecimento do trabalho desenvolvido fica patente não só nas marcas de renome que fornece, mas também nos prémios que arrecada. Em fevereiro, a LMA viu seis das suas malhas serem distinguidas na ISPO, a maior feira mundial de malhas e artigos funcionais para desporto e outdooor, que anualmente decorre em Munique, na Alemanha.

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