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A password tem futuro. E Portugal está a dar uma ajuda

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Dashlane vai ter 45 pessoas em Portugal até ao final deste ano para melhorar segurança da plataforma de gestão de identidades.

A clássica password vai ser o futuro da segurança da identidade digital. Pelo menos essa é a convicção da Dashlane, a empresa norte-americana que já conta com mais de 200 mil utilizadores lusófonos. Portugal está a ajudar a tecnológica a desenvolver os seus serviços, depois da abertura de um escritório para o desenvolvimento de produto, engenharia e atendimento ao cliente. Instalado no Chiado, na Baixa de Lisboa, este espaço vai contar com 45 trabalhadores até ao final deste ano.

“Os dados biométricos foram introduzidos por uma questão de conveniência. Só que eles não são assim tão seguros: podemos obter esses dados pela impressão digital, pela gravação da minha voz ou mesmo por uma fotografia de alta definição. Além disso, se estes dados forem roubados, jamais poderão ser recuperados”, explica Emmanuel Schalit, o presidente executivo da Dashlane.

Com a Dashlane, as coisas são bem diferentes. Esta plataforma permite gerar e guardar, de forma segura, as passwords para acedermos a todas as contas que tivermos espalhadas pela Internet. A aplicação móvel funciona para o sistema operativo Android e iOS. A opção base é gratuita e depois existem ferramentas adicionais pagas mensalmente por particulares e por empresas.

E como é que esta empresa norte-americana garante que ninguém fica com a nossa palavra passe? “Quando é criada uma nova conta, pedimos uma chave mestra que é encriptada e que não deixa qualquer registo nos nossos servidores. Só o utilizador é que sabe deste código”, detalha o responsável em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Emmanuel Schalit é o presidente executivo da Dashlane. (fotografia cedida pela Dashlane)

Emmanuel Schalit é o presidente executivo da Dashlane. (fotografia cedida pela Dashlane)

Esta garantia de segurança é válida mesmo que “alguma vez os nossos servidores sejam atacados e mesmo que um governo nos venha a perguntar pelas passwords. “Não queremos saber quais são os dados do utilizador e fazemos tudo o que é possível para que não os consigamos ver. Cada utilizador tem o seu castelo e só ele tem a chave para lá entrar. É totalmente descentralizado”.

Graças a esta solução, a plataforma norte-americana já recolheu 210,9 milhões de dólares (189,3 milhões de euros) de financiamento e deu a volta ao mercado. “Alguns dos nossos investidores achavam que o Facebook tinha a solução para o futuro das passwords. Mas atualmente o Facebook é a última empresa em quem os utilizadores vão confiar para gerir a sua identidade.”

E os dados biométricos?

Mas nem tudo está perdido para os dados biométricos. “Esses dados foram desenhados para dar acesso a dispositivos que estejam ao pé de uma pessoa. Para abrir uma porta, um carro ou para desbloquear o telemóvel”, acredita Emmanuel Schalit.

Se um utilizador quiser aceder a uma conta de e-mail, aí, a solução é a password. Seja agora, seja daqui a cinco anos. “Temos a capacidade para gerar mais códigos do que os átomos que existem no universo”.

O gestor francês defende ainda o recurso à password por causa de um episódio ocorrido no final de 2014 com a então ministra da defesa da Alemanha. Ursula von der Leyen.

“Houve uns especialistas em segurança informática que conseguiram replicar a impressão digital da ministra com base em fotografias tiradas à senhora num evento em outubro. Com base nessa impressão digital, eles poderiam, no limite, penetrar no sistema de Defesa da Alemanha. Eles conseguiram mostrar, mesmo sem intenção, que os dados biométricos não são muito seguros.”

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