"A TAP ficará comigo." Abílio Martins de saída da transportadora

Gestor anuncia saída em carta aos trabalhadores em que recorda os êxitos dos anos de gestão privada da companhia. E sublinha que "Portugal precisa de uma TAP forte e competitiva".

"A TAP não passa, fica connosco, ficará comigo." Assim arranca a carta de despedida que o até agora vice-presidente de marketing&sales com as áreas de vendas marketing customer care , digital , comunicação e cultura e tripulantes de cabina da TAP, Abílio Martins, enviou aos colegas a marcar a sua saída. Antigo administrador do Sapo e da PT Portugal, chegou à direção da transportadora aérea há seis anos, tendo entrado na empresa com o consórcio Atlantic Gateway (de David Neeleman e Humberto Pedrosa), quando a TAP foi privatizada.

Com experiência nos mercados português e brasileiro e currículo em media e marketing, a sua entrada na liderança da TAP foi justificada pelos acionistas privados - que já assessorara no processo de aquisição da companhia - pelo seu know-how, "especialmente útil à TAP no reforço da cada vez mais decisiva, área do e-commerce".

Sem adiantar agora razões para a sua saída, em pleno processo de reestruturação liderado pelo governo, devido à pandemia, que há um ano levou à recuperação de mais de 70% do capital por parte do Estado, o gestor, comunica agora o fim de um ciclo. Numa carta a que o Dinheiro Vivo teve acesso, recorda o percurso, as conquistas e os desafios ali vividos e os anos dedicados "a um fantástico objetivo de relevância nacional: tornar a TAP melhor e mais competitiva, mais presente pelo mundo fora, com mais destinos, mais passageiros e um serviço capaz de responder com rapidez e eficácia aos nossos clientes, 24 horas por dia, sete dias por semana".

Numa mensagem longa e emotiva, em que sublinha que "Portugal precisa de uma TAP forte e competitiva", Abílio Martins garante ter estado "de corpo e alma, do primeiro ao último minuto" na transportadora, a ajudar "a corporizar os valores que fazem da TAP a Love Brand de Portugal". E reforça que a companhia tem de continuar a ter força e a ser assim reconhecida sobretudo no período de "enormes dificuldades" que enfrenta.

"Temos todos a noção de que os momentos mais desafiantes testam a nossa força e capacidade de superação. Este último ano confrontou-nos com um teste sem paralelo em que todos estivemos à altura das circunstâncias, revelando capacidade de sacrifício e concentração. Durante todo este período nunca deixámos de dedicar tempo a desenhar o futuro, o nosso contributo para a recuperação e reestruturação da TAP, definindo os três pilares da atuação estratégica para os próximos cinco anos: 1. Recuperação da Receita; 2. Eficiência na Gestão do Cliente; 3. Segmentação da Experiência de voo", concretiza.

Elencando as melhorias conseguidas durante os anos de gestão privada da companhia - incluindo melhorias na relação com o cliente ("permitiu que a TAP deixasse de ser a segunda pior companhia da Star Alliance e passasse a integrar a média da indústria"); investimento no digital ("permitiu-nos dar um salto qualitativo e aumentar as vendas e fizemos tudo para que cada pessoa que viajasse connosco se sentisse realmente única"); e resultados ao nível da satisfação do cliente ("O NPS duplicou em dois anos e as vendas diretas no Flytap cresceram 129%, gerando significativas poupanças de custos", estratégia fundamental para a expansão e abertura de 31 novas rotas) -, e nos quais fez parte da liderança, Abílio Martins destaca ainda inovações como "a criação do programa Stopover, considerado um dos melhores do mundo pela Condé Nast Traveller".

"Valorizámos a TAP e ajudámos a criar oportunidades de negócio para as empresas nacionais nos mais diversos setores, enquanto mantivemos a nossa força nos mercados tradicionais da TAP, como Brasil e os países africanos de língua oficial portuguesa", resume ainda na mensagem aos trabalhadores, na qual vinca que a transportadora é hoje uma empresa muito diferente do que era há apenas cinco anos: "mais robusta, com uma frota renovada, consistente, mais eficiente e ecológica, com aviões mais confortáveis, finalmente, em linha com a qualidade oferecida pelas melhores companhias europeias".

"Foi com satisfação que vi esta família consolidar-se e crescer ao longo dos anos (...) De pessoas para pessoas, em conjunto, liderámos a transformação da comunicação e cultura da TAP. Não só concebemos e implementámos os projetos, como os soubemos comunicar e celebrar com toda a organização, veiculando em cada um deles os nossos valores. É por tudo isto que terei sempre muito orgulho em ser TAP", remata Abílio Martins.

E deixa conselho aos que ficam: "Devem continuar a colocar as perguntas mais difíceis, a usar o bom senso e o senso, digamos, incomum - a pensar alto, a voar alto, para aí posicionar a companhia."

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