Acionista diz que Telecom Itália é "navio sem leme"

Grupo francês Vivendi detém 20% da Telecom Itália. Proposta de conversão de 6 mil milhões de ações preferenciais da companhia italiana em ordinárias pode levar a diluição da posição do grupo francês.

A Telecom Itália é como um "navio sem leme" pois o seu conselho de administração não reflete a base acionista, disse o grupo francês Vivendi, sinalizando a frustração do maior acionista da operadora italiana que arrisca a não ver aprovada a sua proposta para obter mais lugares na administração.

A Vivendi investiu desde junho mais de 3 mil milhões de euros na Telecom Itália e pediu para nomear quatro administrador para o conselho. Mas tudo indica que os fundos, outros grandes acionistas da operadora italiana, deverão chumbar a proposta.

"Para uma companhia de qualidade como a Telecom Itália ter uma administração que não reflete a sua estrutura acionista é como ter um barco sem leme", disse Arnaud de Puyfontaine, CEO da Vivendi, ao Corrieri della Sera, citado pela Reuters. "A Telecom Italia precisa de coesão de liderança entre a administração, o chairman e equipa de gestão para alcançar projetos chave para o país. Primeiro entre os quais, a rede de banda larga, um assunto em que estamos alinhados com o Governo do (Primeiro Ministro) Matteo Renzi", disse o responsável da Vivenvi.

As declarações de Puyfontaine surgem depois do grupo francês ter já dito que se vai abster durante a votação da proposta feita em novembro pela administração da companhia italiana para converter 6 mil milhões de euros de ações preferenciais em ordinárias. Uma abstenção que dificulta a aprovação da proposta na assembleia geral de accionistas no próximo dia 15, já que a mesma tem de ser aprovada por maioria de dois terços.

A posição da Vivendi, que detém 20% da Telecom Itália, coloca o grupo francês em rota de colisão com a administração da companhia italiana e os fundos de investimento, grande acionistas da empresa e que têm apoiado a conversão de ações. Esta visa a obtenção de maior liquidez, mas tem como efeito a diluição das posições detidas pela Vivendi, dos atuais 20% para cerca de 14%, como a do milionário francês Xavier Niel, outro dos acionistas de referência.

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