Acordo com os EUA será bom negócio para o vinho do Porto

O acordo comercial que a União Europeia está a negociar com os EUA para abolir barreiras alfandegárias e facilitar a compra de bens e serviços em ambos os mercados não preocupa os produtores de vinho do Porto, mesmo se, do outro lado do Atlântico, há vinhos rotulados como "port" que poderiam confundir os consumidores.

A preocupação, expressada pelo presidente do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) numa entrevista publicada ontem pela agência Lusa, não tem motivos para existir, segundo as entidades contactadas pelo Dinheiro Vivo. Procurámos obter um esclarecimento junto do IVV, mas sem sucesso.

"As denominações de origem, como "porto", "madeira", "champagne", "chianti", entre outras, estão devidamente protegidas no que está a ser negociado nesta Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP)", garantiu Manuel Cabral, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). "Seria impensável para a UE abdicar da proteção destas denominações, e temos estado atentos a esse aspeto das negociações, sabendo que os EUA consideram o "port" como um tipo de vinho, não respeitando o "porto" como vinho específico de um local. Mas, quanto a isso, já em 2006 foi estabelecido um acordo que impede que sejam aprovados mais rótulos com a referência a "porto" e o atual acordo não abre possibilidades a que haja vinhos "port" norte-americanos à venda na UE", esclareceu o responsável.

O que poderia estar em causa seriam vinhos "port" dos EUA a concorrer com os nossos "portos" noutros mercados e isso nada tem a ver com o TTIP. "Todos os países com denominações protegidas estão a fazer acordos com os mercados compradores, de forma a proteger as denominações, como temos feito com a Rússia ou a China, por exemplo", disse.

Há designações como "vintage" ou "tawny" que não foi possível proteger, nem mesmo no espaço comunitário, pois referem-se à colheita e não à origem geográfica do vinho. Mas o consumidor não confunde um "port tawny" com um "Porto tawny", até porque são esses vinhos especiais os que mais exportamos, a bons preços e para consumidores exigentes. É no que acredita Isabel Marrana, diretora executiva da Associação das Empresas de Vinho do Porto.

"Nem a Europa trocava as denominações de origem pelas facilidades tarifárias que muito vão beneficiar as nossas exportações de vinhos do Porto para os EUA", acredita a responsável, que encara o TTIP como uma "oportunidade de reformular o que já foi alcançado em 2006 com os EUA, visto que agora começam a querer proteger vinhos de regiões como Napa Valley e começam a entender o conceito de denominação geográfica", explicou.

No top 10 dos mercados de exportação do vinho do Porto, entre janeiro e novembro do ano passado, segundo dados do IVDP, apenas dois mercados não pertencem à UE. Por ordem, em volume de negócios, o top 10: França, Portugal, Reino Unido, Holanda, Bélgica, EUA, Canadá, Alemanha, Dinamarca e Espanha.

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