"Acreditamos todos na Media Capital nos conteúdos que a TVI está a desenhar"

Quinze mil utilizadores subscreveram desde junho a TVI Player Internacional. Ricardo Tomé, diretor coordenador da MC Digital, explica estratégia.

Em média um milhão de utilizadores passa por mês no TVI Player. Desde junho que o grupo Media Capital avançou com a aplicação da estação de Queluz para o mercado internacional, com um modelo de subscrição. Desde então, já 15 mil pessoas aderiram ao serviço.

Ricardo Tomé, diretor coordenador da Media Capital Digital, explica os planos do grupo para este serviço, que tem vindo a apostar em conteúdos específicos para esta plataforma. "Não faria sentido manter o TVI Player apenas como serviço de catch-up TV", diz.

O grupo tem vindo a ampliar as plataformas de distribuição do TVI Player - agora vai estar na Smart-TV Android - e está já a preparar o próximo ano ao nível de conteúdos. O objetivo é claro. "Queremos naturalmente crescer. Aliás, queremos liderar. Acreditamos todos na Media Capital nos conteúdos que a TVI está a desenhar, desde a ficção, ao entretenimento, à informação e ao desporto. O crescimento portanto passa primeiro por aí. Depois, e criticamente, passa por alargar a distribuição. Sem isso nada feito."

Arrancaram com um serviço TVI Player para o mercado externo. Qual o balanço em termos de adesões - há mercados onde a procura se destaque?

Arrancámos no primeiro semestre com o TVI Player Internacional, uma versão com oferta específica, quer no pack de canais, quer de programas. A principal razão versou poder entregar uma melhor experiência de televisão via OTT com uma oferta mais sólida; muitos programas estão abrangidos por limitações na sua distribuição por território; em paralelo temos também a própria venda de canais a distribuidores de cabo nesses países, o que colocava situações complexas na gestão do catálogo disponível em modo aberto. Desta forma e em modelo pago, podemos assegurar um catálogo mais consistente com a oferta que a TVI tem em Portugal, que é o que muitos procuram precisamente, de forma a estarem ligados ao que por cá se vê nos nossos canais, sem limitações, e ainda adicionalmente somamos outros títulos. O balanço destes seis meses do serviço pago é muito bom, com melhor feedback dos clientes, precisamente por oferecermos uma alternativa onde já 15,000 pessoas subscreveram o serviço.

Que reforços a nível de conteúdos estão a ser feitos para servir esse público?

Há três. Num primeiro eixo, a ficção, pois com este modelo de serviço podemos garantir a distribuição sem restrições; isto quer para a ficção que está ‘no ar’, como para séries, filmes e novelas que estamos a recuperar. Em segundo, os formatos de reality, que até este ano não eram possíveis de acompanhar lá fora. Pudemos finalmente permitir que muitos vissem em direto o canal TVI Reality bem como em on-demand programas como o “BB2020” e agora o “BB – A Revolução”. Tal não era antes possível, estando limitado sobretudo ao nível de canal ao território português. Por fim, conteúdos exclusivos, desenvolvidos para o TVI Player e que vão desde formatos de entrevista, a magazines, humor, etc. Por exemplo arrancámos em plena pandemia com um conjunto de programas onde convidámos muitos dos nossos rostos a ajudarem a população a suportar de forma um bocadinho menos difícil este momento que nos ficará para sempre marcado, lançando vários episódios de atividades em família com nomes como Ana Sofia Martins, Soraia Tavares, Ana Varela, Rodrigo Paganelli, Paulo Pires, Ruben Rua, Filipe Vargas, Etc. A série de humor “Arrebenta a Selfie”, com a Ana Arrebentinha, foi também um marco, tivemos inclusive de prolongar para além dos 3 meses inicialmente previstos e fizemos uma temporada de verão.

E a nível nacional? Há algum conteúdo que se destaque em termos de procura nesta plataforma?

Fazem-nos várias vezes essa pergunta, que é natural. Mas nos serviços de VOD que têm forte ligação com canais de TV lineares podemos sempre esperar um alinhamento forte com o que é mais visto em antena. No TVI Player tal não é exceção. As novelas, neste caso “Quer o Destino” e “A Corda Bamba” estão no top, bem como o “BigBrother”. Seguem-se os programas de informação principais, o “J1” e o “J8”. Depois entram os “Morangos com Açúcar”, que não estando a ser emitidos na TVI nós estamos a recuperar e a disponibilizar no TVI Player algumas temporadas. A partir daqui então é que começa a “long-tail” de visualizações, com maior dispersão. As grandes reportagens também estão de forma regular no top de visualizações. Os espectadores gostam de boa investigação e informação aprofundada e bem feita.

Fizeram parceria com a Universidade Lusófona para a criação de conteúdos. O que podemos esperar?

Foi uma construção feita gradualmente. O Manuel José Damásio convidou-nos há uns anos para nos juntarmos com mais televisões num programa anual, onde ajudamos os alunos no desenvolvimento das suas obras na academia. Conhecemos nesse ano os trabalhos mas quisemos manter-nos mais perto e ver a evolução daqueles jovens. Falámos com a Lusófona no sentido de apoiar o desenvolvimento de alguns trabalhos que tínhamos visto e o Manuel desafiou-nos a ir mais longe. Vimos aquilo que de melhor já tinha sido feito, e era muito! Decidimos então avançar com uma janela inicial de 10 filmes de jovens autores e realizadores e restante equipa técnica. É tudo feito por eles. É incrível. Conseguiram feitos artísticos únicos. Surpreendentes mesmo. Temos a certeza de que alguns nomes vão dar que falar nos próximos anos. Temos histórias mais dramáticas, mais de humor, até ficção histórica.

Será mais esta a lógica de futuro? Ou seja, a criação de conteúdos específicos para esta OTT?

Acreditamos que sim, naturalmente não faria sentido manter o TVI Player apenas como serviço de catch-up TV. Esse foi o desafio dos primeiros anos. Estava conseguido e mantemo-lo, claro, com uma boa base de serviço do que passa na TV e que aqui está disponível não 7 dias, mas 30 dias, 100 dias, 5 anos... Para além disso temos um serviço que é único – Melhores Momentos. Os clientes acedem e não precisam varrer o programa à procura do momento que procuram. Cada episódio tem a versão na íntegra e também já numa oferta com os Melhores Momentos em clipes curtos. Ideal quando se quer simplesmente aceder a um momento específico. O futuro passa agora por conseguir enriquecer esta oferta com catálogo que temos e com novas produções. Infelizmente o meio digital é pulverizado por milhões de opções de navegação e oferta de conteúdos, pelo que o racional económico é aqui muito diferente da TV linear, onde a concentração de público e de publicidade torna essa equação diferente. Nos OTT não é fácil somar custos e opor proveitos e obter cenários viáveis. Poderia haver aqui apoios específicos para este tipo de obras pela Cultura. Sobretudo tendo em vista os novos talentos. O serviço público tem inerentemente esse apoio, nós não. E no meio digital todos usam a publicidade, não se concorre contra outros OTT, mas contra tudo, desde as redes sociais aos sites de classificados, motores de busca, etc. A dispersão no digital é rainha, o que favorece a concentração do investimento publicitário nos GAFA. Resta-nos uma gestão parcimoniosa do nosso orçamento. Portugal nesta encruzilhada não é exceção. Mas não baixamos os braços. Estamos a fazer o nosso caminho. Se por um lado é difícil, é isso que torna também desafiante. O fácil qualquer um faz.

 

 

Acesso é essencial quando se fala de apps/OTT. Onde estão disponíveis e que reforços estão a realizar nesse campo?

Quando arrancámos o projeto em 2014 o mundo estava a borbulhar mas ainda longe da cristalização dos devices que hoje parece óbvia. Nessa altura dizíamos que o smartphone iria substituir o portátil e tornar-se o device com mais acessos à web; havia quem achasse improvável! Seis anos depois nem se questiona. O smartphone foi por isso o ecrã central da experiência. Acreditávamos naquela altura e estávamos certos. Hoje o tempo distribui-se de forma multiscreen. E num jogo sequencial. Saltamos da TV para o laptop, para o smartphone, de novo para a TV... e muitas vezes também em paralelo. Tal como passámos dos telemóveis para os smartphones também passámos das TV para as Smart-Tv. Isto oferece desafios incríveis na usabilidade e na proposta de valor em cada ecrã, em cada device. Fomos ampliando a oferta e lançámos a primeira app em Portugal de um canal nacional numa box, no caso na Vodafone. Depois avançámos com a integração com Chromecast e Airplay e agora com a app para Smart-TV Android. Virão mais. É um esforço grande, mas é incontornável. Para o cliente e espectador a tecnologia deve ser invisível e o conteúdo omnipresente.

Neste momento, estão com uma média de 1 milhão de utilizadores/mês. Como em evoluído a procura?

Bastante estável, felizmente. Vamos acompanhando vários KPI, quer internos de referência quer comparações com dados que temos de mercado. Também acreditamos muito nos nossos parceiros, marcas e anunciantes que desde cedo estão connosco e nos têm apoiado e acreditado e a nossa equipa comercial tem feito um trabalho extraordinário. Felizmente há uma forte compreensão e visão no mercado de que o futuro da TV é linear com on-demand, que é nesta soma que está o virtuosismo. Os espectadores querem soluções que lhes garantam bons conteúdos numa boa experiência multiscreen mas também segura, ‘brand safe’, sem que a seguir salte uma recomendação de um conteúdo duvidoso, uma não-notícia ou algo pior. Sabemos também que no futuro surgirão mais ofertas on-demand, nacionais e internacionais, que vão agitar e sobretudo atrair mais atenção a este mercado. Pode ser bom pela dinamização do segmento. Mas vai aguçar a necessidade de propostas de valor mais claras para os clientes e espectadores. Com mais oferta, mais confusão. As marcas fortes são aqui um pilar de resistência inteligente.

Com estas novas formas de acesso qual é o objetivo em termos de utilizadores?

Neste momento estamos a desenhar a oferta de conteúdos para 2021. Queremos naturalmente crescer. Aliás, queremos liderar. Acreditamos todos na Media Capital nos conteúdos que a TVI está a desenhar, desde a ficção, ao entretenimento, à informação e ao desporto. O crescimento portanto passa primeiro por aí. Depois, e criticamente, passa por alargar a distribuição. Sem isso nada feito.

Esse valor posiciona a TVI em que patamar face aos seus concorrentes mais diretos?

O mercado compara-se de formas diferentes. Uma coisa é o acesso a OTT por subscrição, outro é o Youtube, outro é o segmento de catch-up services, etc... De um ponto de vista puramente de tráfego online, pelos dados mensais da Markest e em termos de volume, temos o Youtube, depois o Netflix e nós estamos a seguir, e com isto à frente do Vimeo, do Dailymotion, etc. Mas de novo, são comparações complexas. A única comparação correta é que, de facto, concorremos todos por tempo. E, portanto, além deste tráfego precisamos avaliar o tempo despendido, a frequência de uso, e por fim a rentabilidade. Sem rentabilidade não há sustentabilidade. Precisamos equilibrar corretamente o esforço e investimento em tecnologia, promoção e criatividade.

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