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Adegga Winemarket vai internacionalizar-se em 2020

André Ribeirinho, fundador do Adegga
André Ribeirinho, fundador do Adegga

Mais de 1100 enófilos marcaram presença na 10ª edição do Adegga WineMarket que, este sábado, reuniu, em Marvila, mais de 600 vinhos de 70 produtores em prova.

O evento bateu todos os recordes e André Ribeirinho e a sua equipa estão já a preparar os eventos do próximo ano, com novos projetos na calha, designadamente na área internacional.

“Prevemos que seja uma grande edição comemorativa dos 10 anos do Adegga. Os bilhetes já esgotaram e a loja de vinhos online do evento já bateu o recorde de vendas dos anos anteriores. É um bom sinal do mercado e um ótimo tónico para os novos projetos na área do comércio eletrónico e da internacionalização que iremos lançar no mercado em 2020”, adiantou o co-fundador do Adegga, em entrevista ao Dinheiro Vivo, pouco antes do arranque do evento. A avaliação de André Ribeirinho é feita com base nas vendas dos bilhetes loja – todas as entradas no Adegga são pagas -, a versão em que o valor da entrada reverte para um vale de compras. “No fundo, trata-se de vinho que está já vendido, só não está, ainda, escolhido”, sublinhando que, habitualmente, estes clientes até acabam por gastar mais do que os meros 40 ou 60 euros pagos pelo bilhete (correspondentes a uma ou duas entradas).

Essa é, para André Ribeirinho, uma das grandes mais-valias do Adegga face a outras provas que proliferam pelo país. “O Adegga WineMarket é um evento que ajuda os produtores de vinho a dar a conhecer as suas novidades. As vendas são uma forte componente dessa promoção ao permitirem ao consumidores que adquiram, de forma confortável, todos os vinhos que descobriram no evento. Acreditamos que as vendas do evento – que acontecem na plataforma online do Adegga durante um período limitado de 10 dias, de 20 de novembro a 2 de dezembro – são uma forma de aproximar os vinhos dos consumidores porque permitem que as marcas que estão no evento passem a estar disponíveis rapidamente nas suas casas”, diz.

Cada um dos 70 produtores presentes foram convidados pela organização a estar no evento, representando “o que de melhor é feito em Portugal” no mundo dos vinhos. Para o consumidor, há o fator conforto a ter em conta, já que pode provar, conversar com os produtores, mas pode, também, compra-los na loja online e recebê-los diretamente em casa. Sem esquecer a questão da tecnologia, como o copo inteligente, por exemplo, que permite aos visitantes fazer uma lista dos vinhos provados e recebê-la por email, após o Adegga. “Trabalhamos para apresentarmos constantemente uma melhor experiência do vinho português junto do consumidor”, frisa André Ribeirinho.

Por ano, a loja online do Adegga vende “algumas dezenas de milhares” de garrafas, com um preço médio de aquisição “cinco vezes superior” à média nacional. “Individualmente, as vendas de cada produtor representam a possibilidade de atenuar o investimento no evento”, acrescenta.

Hugo Mendes foi um dos produtores presentes no evento, convidado a integrar o Adegga Rising Stars, espaço onde é possível conhecer novos vinhos, jovens enólogos e produtores em ascensão, e destaca a forma “cosmopolita, descontraída e jovial” como o vinho é abordado no Adegga WineMarket. “Posso dizer que é um evento que contribui para tirar o peso, o pó e a excessiva seriedade que continua a persistir noutras provas”, diz.

Produtor em nome individual, o seu projeto vai já no terceiro ano. Começou com uma produção de 2300 garrafas, em 2016, e espera atingir as 20 mil na colheita deste ano. Este é um projeto que se distingue dos demais, já que usa os consumidores como financiadores, tendo feito o primeiro crowdfunding de sucesso para um vinho em Portugal. Durante os primeiros dois anos esteve concentrado no mercado nacional, mas já começa a dar os primeiros passos na internacionalização, com vendas para a Bélgica, Taiwan e Singapura. Mas nem tudo é fácil. Este ano, aspetos burocráticos atrasaram-lhe, em quase três meses, a entrega dos seus vinhos, levando a que tenha perdido “quase todas as vendas” de verão.

“De uma forma geral, julgo que o mercado nacional vai dando mostras lentas, mas sólidas de que está a evoluir no sentido de valorizar as nossas marcas, a nossa identidade e a nossa unicidade (as nossas castas, nas nossas regiões). O grupo de consumidores que procuram mais conhecimento e estão dispostos a pagar mais por vinhos que apresentem alguma característica distintiva também tem aumentado. Tudo isto, juntamente com os fatores indiretos, como o aumento do turismo e a restauração com níveis cada vez mais altos, vai-nos permitir criar marcas fortes e bem cimentadas, capazes de a breve trecho conquistarem também o seu lugar no mundo”, acredita.

Embora tenha vendas “vestigiais” no Adegga, Hugo Mendes acredita que os produtores não devem centrar a sua presença no evento nas vendas imediatas, ou passarão ao lado “do real valor” do evento. “O cliente do Adegga WineMarket é um cliente diferenciado, que quer conhecer vinhos novos e que está disposto a pagar por eles. É um consumidor que gosta de conhecer os intervenientes e criar relação com quem lhes faz o vinho. Julgo que é essa a maior força deste evento”, argumenta.

Também a Quinta Maria Izabel é presença assídua nas provas do Adegga e Tiago Dias da Silva destaca que este é um evento que “promove a construção de marca e o reforço do nosso posicionamento”, e que “inova em várias frentes, seja ao nível das novas tecnologias, seja em termos de abordagens diferenciadoras nas redes sociais”, por exemplo. Com uma produção anual de 280 mil garrafas e tendo no Brasil, Portugal, Alemanha, França, Dinamarca e Inglaterra os seus principais mercados, a Quinta Maria Izabel não poupa elogios a esta iniciativa. “Mais que o peso e diferença nas nossas vendas, o Adegga WineMarket proporciona uma experiência 360º ao consumidor”.

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