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AEP: Aumentos na eletricidade são “incomportáveis” para as empresas

Paulo Nunes de Almeida, presidente da AEP. Fotografia: D.R.
Paulo Nunes de Almeida, presidente da AEP. Fotografia: D.R.

A Associação Empresarial de Portugal defende que o aumento de "25 a 30%" da eletricidade é "perfeitamente incomportável" e tem que ser "mitigado".

A Associação Empresarial de Portugal afirmou hoje que o aumento de “25 a 30%” dos preços da eletricidade, com que estão a ser confrontadas as empresas portuguesas e espanholas, é “perfeitamente incomportável” e tem que ser “mitigado”.

“No mercado ibérico da energia, os preços estão a subir vertiginosamente e a informação que temos, quer do lado português, quer do lado espanhol (até porque muitas das operadoras operam nos dois lados, como Iberdrola, Fenosa e EDP), é que os preços que estão a ser apresentados para a renovação de contratos estão a ser cerca de 25 a 30% superiores aos preços que as empresas tinham nos contratos anuais anteriores”, afirmou o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) em declarações à agência Lusa.

Salientando que “isto obviamente tem efeitos de perda de competitividade para as empresas, quer da Galiza, quer de Portugal”, Paulo Nunes de Almeida disse que a associação está, “junto do poder político, a tentar encontrar soluções para mitigar este esforço, que é perfeitamente incomportável”.

“Espanha eliminou um imposto sobre a produção, criado há uns anos para reduzir o défice tarifário, numa decisão do Governo central espanhol que depois os produtores repercutiram nos consumidores”, explicou.

Portugal “não tem esse trunfo, porque esse imposto não existe no país, mas já transmitimos ao secretário de Estado da Energia a nossa preocupação, que também é dele, e neste momento estamos a acompanhar o processo no sentido de tentar ver que soluções podem ser tomadas, quer do lado de Espanha, quer do lado de Portugal, para que este problema possa ser, pelo menos, reduzido”, sustentou Nunes de Almeida.

É que, disse, mesmo sendo as subidas das tarifas justificadas com “o aumento das licenças do CO2 [dióxido de carbono], as questões climatéricas ou o encerramento de algumas centrais nucleares em Espanha”, o facto é que, “neste momento, as empresas não estão em condições de o poder comportar”.

O líder parlamentar do Partido Socialista (PS), Carlos César, adiantou na terça-feira à RTP3 que o Governo vai tentar baixar a fatura da eletricidade no próximo Orçamento do Estado, mas que não vai ser por via de uma redução da taxa do IVA, já que tal implicaria uma forte perda de receitas.

Questionado se o Governo vai aceitar baixar o IVA da eletricidade novamente para 6%, o valor em vigor antes do período de ajustamento, tal como sugerido pelo Bloco de Esquerda (BE) e pelo PCP, Carlos César recusou “essa via”, mas admitiu “trabalhar em pares confinantes com esse objetivo, que façam diminuir a fatura especificamente da energia elétrica”.

“Podemos continuar a trabalhar e estamos próximos de uma boa solução para que a fatura da energia elétrica seja menos penalizadora”, garantiu, acrescentando que tal venha a acontecer “talvez atuando na área das renováveis”.

Segundo o líder da AEP, o tema dos preços da energia foi um dos que esteve em cima da mesa numa reunião realizada na semana passada com o Círculo Financiero de Galicia, entidade representativa do setor empresarial e financeiro do Noroeste de Espanha, no âmbito da pretensão conjunta de “intensificar as relações” entre os dois lados da fronteira.

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