Infraestruturas

Aeroporto do Montijo começará a ganhar forma em 2019

Fotografia:  Homem de Gouveia/Lusa
Fotografia: Homem de Gouveia/Lusa

Estado e ANA devem assinar novo contrato de concessão já no início do próximo ano. Objetivo é que as obras comecem ainda em 2019.

A capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, está esgotada. A necessidade da construção de uma solução que permita receber mais turistas há muito que é reclamada. E 2019, promete o governo, será o ano em que o problema começa a ser resolvido. O Estado e a ANA – Aeroportos de Portugal vão concluir logo no início de 2019 as negociações para a revisão do contrato de concessão, garantiu ao Dinheiro Vivo fonte oficial do Ministério do Planeamento e Infraestruturas.

Isto significa que vão ficar fixadas as condições – como é o caso do investimento a realizar e as taxas a pagar pelas companhias aéreas – para a expansão da capacidade aeroportuária da região de Lisboa. Ou seja, a transformação da Base Aérea do Montijo numa pista para aviação civil e o aumento da capacidade do aeroporto.

A gestora dos aeroportos nacionais vai entregar em breve os últimos elementos pedidos pela Agência Portuguesa do Ambiente para o Estudo de Impacte Ambiental. É que sem este estudo, que terá de ficar em consulta pública, e sem a conclusão do acordo, as obras no Montijo não podem avançar. O que está, ainda assim, previsto é que a operação de transformação da Base do Montijo num aeroporto civil arranque em 2019. A abertura de portas está agendada para 2022.

No contrato de concessão assinado em 2012 estavam estipulados os quatro fatores de capacidade que permitiam ativar uma solução para aumentar a capacidade aeroportuária de Lisboa. Todos foram alcançados ao longo de 2017 – sendo que os 22 milhões de passageiros, um dos fatores, tinha sido já cumprido em 2016.

A escolha do Montijo foi confirmada no início de 2017 e foram apontadas sete vantagens desta localização. Entre elas está o facto de permitir uma utilização simultânea com a pista principal do Humberto Delgado, bem como a possibilidade de ter 72 movimentos por hora (nos dois aeroportos) e acolher anualmente 50 milhões de passageiros na região. Outra vantagem é a execução mais célere que a construção de uma nova infraestrutura.

O facto de a ANA ficar com mais um aeroporto, e terem de ser realizadas obras no sentido de adaptar a base do Montijo, exige uma revisão do contrato de concessão.

O custo das duas obras, ampliação do Aeroporto Humberto Delgado e adaptação à aviação civil do Montijo, está avaliado em mil milhões de euros e será inteiramente suportado pela empresa gestora aeroportuária. Nem todas as companhias aéreas deverão voar para o Montijo. Este aeroporto, de acordo com o que revelou recentemente o presidente da ANA, estará vocacionado para transportadoras que tenham as chamadas rotas “ponto a ponto”, o que significa voos sem correspondências. O Humberto Delgado vai manter o seu estatuto de hub, nomeadamente para a TAP.

“O Montijo é importante, tem de ser feito, mas é a outra família, não é a nossa família. Tenho de resolver o meu casamento com a Portela e não namorar o Montijo, porque a TAP não cabe no Montijo. É uma ilusão discutir que um dia a TAP vai para o Montijo. O grande problema é a Portela. Aguardamos a proposta para que o investimento seja feito”, disse recentemente Antonoaldo Neves, CEO da TAP.

As ligações entre o Montijo e Lisboa vão ser feitas de duas formas: pela Ponte Vasco da Gama, onde haverá uma saída específica, e através de uma ligação fluvial pelo Tejo, de acordo com o presidente da ANA.

Dor de cabeça para o turismo

O esgotamento do aeroporto que serve a região de Lisboa é uma das grandes dores de cabeça para o setor do turismo em Portugal. O aeroporto de Lisboa é a principal porta de entrada no país. E o número de passageiros que recebeu aumentou em cerca de dez milhões de pessoas de 2013 a 2017, acompanhando o forte crescimento registado pelo turismo. Neste ano deverá atingir os 29 milhões de passageiros, não tendo capacidade para receber muito mais antes de serem realizadas obras de ampliação.

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, em entrevista recente ao Dinheiro Vivo, sublinhou a importância do aeroporto para o setor. “O aeroporto é ‘o’ problema do turismo. Todos os outros são pequenos problemas. Arrisco dizer que provavelmente pode acontecer virmos a ser o melhor destino do mundo com o pior aeroporto do mundo, o que é uma contradição inaceitável. A extensão do aeroporto de Lisboa, o Montijo, tem de ficar decidida de uma vez por todas. É uma questão de desígnio nacional.”

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