Prémio Inovação NOS

Aeroprotechnik. Drones ajudam a prever o futuro.

Nuno Marques, explica como o software único da Aeroprotechnik relaciona informação disponível, desde o fabrico dos equipamentos às condições geográficas, para ajudar a gerir parques eólicos ou desenhar mapas de risco das linhas elétricas.
Foto: Adelino Meireles / Global Imagens
Nuno Marques, explica como o software único da Aeroprotechnik relaciona informação disponível, desde o fabrico dos equipamentos às condições geográficas, para ajudar a gerir parques eólicos ou desenhar mapas de risco das linhas elétricas. Foto: Adelino Meireles / Global Imagens

Empresa de inspeção avançada instalada em Viseu exporta 90% dos serviços para as maiores multinacionais de energia.

Quando acendemos uma luz ou ligamos o computador, raramente nos ocorre todo o trabalho que está por detrás da energia que alimenta quase tudo o que nos rodeia. Seja de origem convencional ou renovável, a energia tem de ser transportada e distribuída em condições de segurança e com rentabilidade para as empresas. Para assegurar todo o ciclo, em 2014 nasceu a Aeroprotechnik, uma empresa sediada em Viseu que fornece soluções de inspeção avançada com recurso a drones.

“A Aeroprotechnik está direcionada para a inspeção de acessos críticos, mas foi evoluindo também para soluções de software e de análise de dados em função dos requisitos dos clientes e das necessidades do mercado”, resume Nuno Marques, fundador e diretor técnico da Aeroprotechnik.

A trabalhar em nichos específicos dentro da área da energia – powerlines, parques solares de grandes dimensões e telecomunicações -, a empresa acaba por exportar “90% do trabalho” e o que sobra é “algum trabalho em Portugal para um cliente internacional”. Os drones, os sensores instalados nos locais a inspecionar e, em caso de necessidade, de helicópteros em tamanho real são os meios técnicos para chegar a locais de difícil acesso e recolher dados. Algo que, adianta Nuno Marques, já existia no estrangeiro. A inovação está no tratamento desses dados e as ferramentas desenvolvidas à medida das necessidades.

“O que não existe no mercado, que saibamos, é quem correlacione os dados inspecionais com os dados históricos de operação e de manutenção e com eventos que podem ser meteorológicos ou de outra natureza, através de um software desenvolvido pela Aeroprotechnik que permite extrair informação vital para a tomada de decisões, não só a nível de otimização operacional, mas também decisões de negócio em real time”, desvenda.

Muito complexo? Então, imagine que tem de gerir um parque eólico de 600 hectares (cerca de 600 campos de futebol) e que os dados de inspeção lhe dizem que há um setor inteiro a produzir abaixo do esperado, sem qualquer motivo aparente para tal. “Pode ser um defeito de fabrico dos painéis e também temos um parceiro que consegue rastrear os módulos até há cinco anos e saber o que se passou durante o processo de fabrico”, adianta Nuno Marques.

Mas o nosso exemplo corresponde a um caso real e toda a informação disponível concluía que não havia defeitos de fabrico ou de funcionamento. A Aeroprotechnik conseguiu desvendar o mistério: “Havia uma estrada de gravilha pelo meio do parque e os guardas tinham moto 4, pelo que andavam a brincar com as motos e projetavam gravilha. Uma coisa tão simples, mas impossível de detetar se a inspeção não fosse feita de forma global”, refere o diretor.

A inovação da jovem empresa, que procura maximizar as sinergias internas de uma equipa de cinco pessoas e com os clientes e parceiros para desenvolver produtos à medida dos problemas, poderá ganhar em breve escala mundial, através de parcerias com players importantes que estão interessados em dar escala às soluções da Aeroprotechnik. “Já temos um acordo assinado, mas não podemos revelar quem são”, diz Nuno Marques.

“Além disso, vamos continuar a desenvolver uma área em que temos investido bastante, que é a análise de risco em corredor de servidão [locais onde estão instaladas as infraestruturas de transporte e distribuição de energia], em que fazemos a gestão da florestação, analisamos ventos dominantes, tipos de solo, o index de chuva e outros fatores para realizar uma simulação do risco, traduzida em mapas de risco e planos de intervenção para mitigação do risco”, explica Nuno Marques, acrescentando que o sistema permite “prever o futuro para cinco, dez e até 15 anos”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: Artur Machado/Global Imagens.

Donos de alojamento local contestam agravamento das tarifas da água

Miguel Pina Martins, CEO da Science4you.

(Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens)

Science4you quer alargar prazo da oferta pública até fevereiro

(Carlos Santos/Global Imagens)

Porto de Setúbal: Acordo garante fim da greve às horas extraordinárias

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Aeroprotechnik. Drones ajudam a prever o futuro.