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Aerosoles fecha rede de lojas em Portugal e Espanha

Em Portugal há 18 lojas Aerosoles
Em Portugal há 18 lojas Aerosoles

Falência do Aerogroup International põe em risco a manutenção da licença de calçado para a Europa.

A falência do americano Aerogroup International está a preocupar a MoveOn, empresa de calçado de Esmoriz, detentora da licença de produção e comercialização da Aerosoles na Europa, Índia e África do Sul. Uma licença válida, ainda, por 25 anos -foi negociada por três décadas -, mas que o Aerogroup pretende, agora, vender, livre de direitos, no âmbito do processo de liquidação da empresa.

Uma pretensão contestada pela MoveOn e pelo seu acionista, a indiana Tata International. Em suspenso do evoluir da situação nos próximos meses estão os 50 trabalhadores da fábrica de Esmoriz e os 400 das unidades na Índia. Para o desemprego vão os 35 funcionários da rede de lojas Aerosoles em Portugal e Espanha, que fecha já no fim do mês de fevereiro.

“Foi um ano mau. Muito mau. O Aerogroup International está em liquidação e deixou-nos um rombo de quase dois milhões de euros por receber”, explica Fernando Brogueira, diretor-geral da MoveOn. Isto para não falar dos 200 mil pares de sapatos que a empresa deixou de produzir, só esta época, para os Estados Unidos. Um mercado que absorvia 40% da produção da MoveOn.

Fernando Brogueira falou aos jornalistas no seu stand da Micam, a feira de calçado de Milão, onde apresentou a nova coleção da Aerosoles, mas, também, a nova marca da empresa, a Saydo. Sapatos de homem e senhora com o mesmo conceito de conforto da Aerosoles, mas muito mais leves. Em média 40% menos. Destina-se a um consumidor “um pouco mais jovem”, na ordem dos 30 a 40 anos e é uma coleção de sneakers e similares.

“Se a Aerosoles terminar e eu ficar sem licença, tenho de ter uma marca. Não foi com esse objetivo que criamos a Saydo, que nasceu quando quisemos criar uma coleção de homem, mas é um facto que temos de temos de ter alternativas”, acrescenta Fernando Brogueira. Que assume a sua incapacidade de prever o que irá acontecer aos trabalhadores das fábricas. “Vamos ver o que acontece nos próximos meses. O rombo que é deixado pelos Estados Unidos é sério e só depois de saber quem será o novo proprietário do Aerogroup é que podemos tentar negociar a marca”, refere o empresário. Que especifica: “É preciso que vá a leilão… se for e por um valor que esteja dentro das nossas possibilidades…”.

A multinacional entrou com a declaração de insolvência nos tribunais americanos em setembro, anunciando a intenção de vender a empresa ou proceder ao seu refinanciamento. Em causa estavam, então, mais de cem milhões de dólares.

A somar às dificuldades de cash flow criadas pelos americanos estão os problemas no retalho europeu. “O retalho está muito difícil, sobretudo quando se trata de lojas monomarca e de produto muito específico como é a Aerosoles. Não vemos forma de sermos rentáveis e antes que se vão os dedos…”, afirma. As lojas – 9 em Portugal e 7 em Espanha – fecham no fim de fevereiro. A MoveOn vai, agora, concentrar-se na sua loja online, um investimento de 100 mil euros que arrancou em setembro de 2017, “após quatro anos de negociações com o Aerogroup International”, e onde tem já vendas da ordem dos 1500 pares ao mês.

Questionado sobre as contas do exercício, que termina em março, Brogueira é perentório. A MoveOn terá, este ano, perdas à volta dos 2,5 milhões de euros. Em 2017 havia atingindo, no segmento industrial, um volume de negócios de 18 milhões. E o retalho? “Vamos fechar com uma pequena perda. Mas as lojas têm tido pequenas perdas há vários anos e não vemos solução. Os custos são incomportáveis”, diz.

Recorde-se que a MoveOn é o que resta da Investvar, que chegou a ser o maior grupo de calçado nacional, com 600 trabalhadores distribuídos por quatro fábricas, além de uma rede de 120 lojas em toda a Europa. Em 2009, quando recorreu aos tribunais em situação de falência, acumulava cerca de 40 milhões de euros de dívidas. Só os prejuízos de 2008 foram de 20 milhões. A empresa foi comprada pela ECS Capital, o fundo de recuperação de empresas detido pelo Estado e pelos cinco maiores bancos nacionais que eram, também, os maiores credores da Investvar, e vendida, em 2010, aos indianos da Tata International, que renegociaram o uso da marca Aerosoles que, entretanto, havia perdido.

A jornalista viajou para Milão a convite da APICCAPS

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