AG do BPI para decidir venda de banco angolano adiada para 13 de dezembro

Assembleia-geral do BPI que ia votar a polémica entrega do BFA a Isabel dos Santos foi adiada para 13 de dezembro por proposta do CaixaBank

A assembleia-geral do BPI que hoje se iria realizar para debater a venda do Banco Fomento Angola foi adiada para 13 de dezembro, segundo proposta do CaixaBank. De acordo com acionistas presentes na reunião, o grupo catalão justificou o pedido de suspensão com o facto de ainda aguardar a confirmação por parte do BCE de que a venda do BFA permite ao BPI deixar de estar em incumprimento com o limite de exposição a grandes riscos.

Os acionistas do BPI tinham duas assembleias-gerais marcadas para hoje, a primeira iria decidir a venda de 2% do capital do Banco Fomento Angola e a segunda iria aprovar a nomeação de dois novos representantes do CaixaBank para a administração. Esta segunda reunião magna não foi adiada, tendo os seus dois pontos sido aprovados.

O BPI já informou em comunicado que "no seguimento de proposta nesse sentido apresentada pelo representante do acionista CaixaBank, S.A. a Assembleia Geral aprovou por 65.68% dos votos expressos a suspensão dos seus trabalhos e a continuação dos mesmos para o próximo dia 13 de dezembro de 2016, às 14h30".

A retoma dos trabalhos do BPI será assim posterior à data limite imposta pelo próprio banco para receber 66 milhões de euros do BFA em dividendos, condição essencial para a concretização do negócio, segundo a administração de Fernando Ulrich.

De acordo com o comunicado sobre o adiamento, nesta AG estavam presentes 239 acionistas, detentores de 83,9% do capital. Tomando em linha de conta a estrutura acionista do BPI, terão sido os votos de CaixaBank e dos acionistas associados a Isabel dos Santos a decidir a suspensão. O representante da empresária angolana não fez quaisquer comentários à saída da AG.

Os jornalistas presentes na AG já foram também informados que a administração do BPI não fará quaisquer comentários no final dos trabalhos de hoje, ao contrário do que é habitual nestas reuniões de acionistas.

O negócio da polémica

O negócio fechado pela administração de Fernando Ulrich para a venda de 2% do capital do BFA tem estado envolto em grande polémica desde antes do seu anúncio, com grande parte dos donos do capital do banco a contestarem esta transação por considerarem que só beneficia os dois maiores acionistas - CaixaBank e Santoro.

O grupo que reúne os acionistas minoritários do BPI já ameaçou publicamente abrir vários processos judiciais contra a administração do banco e prometeu que iria tentar impedir estes dois acionistas de votarem na AG de hoje, já que identificam um claro conflito de interesses no negócio.

Em causa o facto da venda do BFA a Isabel dos Santos ser vista como a moeda de troca para a aprovação da desblindagem dos estatutos do BPI por parte de Isabel dos Santos – o BPI entregou o controlo do BFA à empresária com desconto, com o CaixaBank a receber em troca a desblindagem, acusam.

Além disso, os minoritários sentem que foram igualmente lesados por este negócio, exigindo uma subida da contrapartida oferecida pelo CaixaBank na OPA que tem em curso sobre o BPI.

Já no entender da administração do BPI, a venda de 2% do BFA a Isabel dos Santos é "absolutamente fundamental" para o banco evitar "gravíssimas consequências".

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