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Água Castello reforça capital em 2 milhões e vai entrar no Chile

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Água Castello reforça capital em 2 milhões e vai entrar no Chile

Marca quer expandir para novos mercados e aproveitar vaga de turismo para aumentar as vendas. O IVA a 23% nas águas com gás? Uma “distração”.

A Água Castello ganhou novo gás com a injeção de cerca de 2 milhões de euros de capital para impulsionar a nova fase de relançamento da marca centenária. Novos produtos e mercados de exportação são algumas das apostas da empresa de água gaseificada, que em 2016 quer atingir 5 milhões de euros de faturação líquida, um crescimento de 6%. Próximo mercado? Chile.

“Houve uma reestruturação do capital social com um objetivo único e claro: a expansão da empresa, novos projetos mas, sobretudo, para a exportação e a internacionalização”, adianta Jorge Henriques, diretor-geral da Mineraqua Portugal, dona da marca Água Castello. O investimento foi através da Capital Criativo que aplicou parte do fundo de 60 milhões de euros Revitalizar Sul (fundos europeus) na companhia que tem a linha de produção na região do Alentejo. A Mineraqua foi uma das 30 pequenas e médias empresas (PME) que, até ao final do ano passado, receberam financiamento. “A entrada foi feita através de um aumento de capital” para impulsionar a “nova fase de relançamento da marca com peso e valor histórico grande”, diz Gonçalo Mata, sócio e administrador executivo da Capital Criativo.

A Água Castello, com uma quota de 22% nas águas gaseificadas, tem como objetivo crescer mais. “Para já vamos entrar no mercado com um novo produto – a Castello Tónica – e pretendemos desenvolver ao nível da comunicação a presença da marca no mercado interno, com reforço no canal Horeca [hotéis e restauração] aproveitando a circunstância de Portugal estar a viver um momento interessante e importante ao nível do turismo”, adianta Jorge Henriques.

O mercado interno representa 75% das vendas da marca, à qual não passou ao lado a crise, que levou a quebras de vendas no sector das águas como um todo. “Os anos da crise mostraram que mais de 10% de quebra se deveu em parte à retração de consumo, mas também ao abaixamento de preços, às promoções permanentes”, revela Jorge Henriques. “Uma marca tem de se valorizar pelas promoções inteligentes. As promoções de preço são efémeras, deixam um rasto nas empresas que é a perda de valor, normalmente, a destruição das marcas”, argumenta.

A Água Castello tem vindo a registar crescimentos na ordem dos 3,5% desde 2014, adianta. E a manutenção do IVA a 23% nas águas com gás, quando as águas lisas recuam para a taxa intermédia (13%), não prejudica uma maior recuperação por via do mercado interno? “Naturalmente que não vem trazer nenhum benefício”, reconhece Jorge Henriques. “Vivemos num país de gente muito distraída. É uma distração. Uma desinformação. [Diferença de IVA nas águas] não faz sentido nenhum, porque estamos a falar de águas minerais naturais”, diz. “Naturalmente que procuramos sensibilizar os decisores. A distração, dizem, vai ser corrigida no início de 2017. É a informação que temos”, adianta.

Expandir para novos mercado está igualmente nos planos da companhia, já presente na América do Norte, Centro e Norte da Europa, mas também Macau, Hong-Kong e PALOP. “A exportação hoje representa 27% das vendas e queremos atingir os 30% até ao final de 2017.” Para isso querem reforçar a presença da marca centenária em alguns mercados onde está há décadas, como os EUA. As vendas para esse mercado, juntamente com o Canadá, representam 65% das exportações. “A nossa aposta continua a ser muito dirigida aos Estados Unidos. Acreditamos verdadeiramente no potencial desta região e, sobretudo, porque temos uma base forte e queremos ampliá-la”, adianta. Mas os esforços serão ainda canalizados para a América Latina. “Estamos a fechar uma parceria, que está ultimada, para o mercado do Chile”, revela o diretor-geral da Mineraqua.

Colômbia, onde a portuguesa Jerónimo Martins tem em marcha um plano de expansão, seria um potencial alvo? “Não seguimos modas, nem circunstâncias. Fala-se muito de Colômbia e acreditamos que pelo crescimento do mercado há potencial, vamos ver se temos depois condições para chegar ali.”

A aposta em Angola mantém-se, mas Jorge Henriques admite alguma preocupação em relação ao segundo maior mercado de exportação da Água Castello. “Temos conseguido manter a presença, com alguma diminuição no último ano, mas não muito expressiva”, diz. “Olhamos para este mercado com preocupação, a Água Castello tinha aqui um território extremamente importante, porque a marca é reconhecida e se justifica ter uma presença neste país”. O impacto está “neutralizado nas contas”. “O que afeta é mais a nossa ideia de expansão, do que o número que tinha nas contas.”

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