AHP: Receita da hotelaria pode cair até 3,6 mil milhões de euros neste ano

No ano passado, as receitas da hotelaria foram de 4,48 mil milhões de euros e a projeção da Associação da Hotelaria de Portugal admite que este ano a receita possa cair entre 70% a 80%, o que se traduz num perda de receita entre 3,2 mil milhões e 3,6 mil milhões de euros.

As receitas da hotelaria vão sofrer um grande trambolhão em 2020. No ano passado, as unidades de alojamento turístico (o que incluiu por exemplo alojamento local) acolheram mais de 27 milhões de hóspedes, que se traduziram em mais de 70 milhões de dormidas. Deste montante, 58 milhões foram na hotelaria. A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) realizou uma projeção em que admite que o cenário mais provável nesta altura seja de menos de 70% nas dormidas, o que significa 40,6 milhões de dormidas a menos. Embora, num cenário mais catastrófico, uma queda de menos 80% vá traduzir-se em 46,4 milhões de dormidas perdidas.

Em 2019, o peso das receitas da hotelaria nas receitas turísticas (que ascenderam a 18,4 mil milhões de euros) foi de 24%, o que se traduz 4,48 mil milhões de euros. Para este ano a AHP traçou duas projeções. A primeira pressupõe uma queda de receitas de menos de 70%, ou seja, uma perda de receitas na casa dos 3,2 mil milhões de euros. Num cenário mais negativo, com uma descida das receitas de menos de 80%, a perda de receita hoteleira pode ser de 3,6 mil milhões de euros.

Retoma para níveis de 2019

A AHP realizou um inquérito - entre 21 de setembro e 15 de outubro - aos hoteleiros nacionais e uma das conclusões é que a retoma da atividade para níveis do ano passado não será para já. Quase 15% dos inquiridos admite que pode acontecer a partir do segundo semestre do próximo ano. Quase 20% na primeira metade de 2022 e 21,18% na segunda metade de 2022. Mas 27,11% acredita que a retoma para os valores de 2019 só vai acontecer no segundo semestre de 2023.

No estudo de opinião realizado pela associação, questionados sobre a queda da receita neste ano, quase 30% aponta para uma queda entre 70 a 79% e pouco mais de 20% antecipa um tombo entre 80 a 89%.

Com a atividade turística a travar de forma acentuada, e com a elevada incerteza que atualmente todas as economias atravessam, questionados sobre as ações dos próximos meses, 51% admite que não pensa reduzir o quadro de trabalhadores e 45% pretende, por outro lado, diminuir o quadro de trabalhadores.

A grande maioria considera que são necessárias medidas extraordinárias de apoio ao turismo, por parte do governo. Como já tem sido clamado pelo setor, o regresso do lay-off simplificado foi a medida mais pedida, seguida por novas linhas de apoio e diferimento de contribuições da empresa para a Segurança Social.

Último trimestre

A AHP perguntou aos hoteleiros como estão distribuídas as reservas para os meses de outubro a dezembro. Para este trimestre, o Alentejo e o Norte são as regiões com maior procura, embora níveis baixos. O Norte conta com 26% de reservas neste mês, 20% para novembro e 21% para dezembro. O Alentejo neste mês conta 33% de reservas, 12% em novembro e 12% em dezembro.

Os grandes centros urbanos, tal como nos últimos meses, estão com perspetivas de baixas taxas de ocupação, penalizados nomeadamente pelo facto de não haverem eventos, um segmento que impulsiona a atividade hoteleira nas grandes cidades. Por exemplo, a Web Summit, que tipicamente acontece em novembro em Lisboa, este ano será em dezembro e totalmente online.

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