AHRESP pede plano de amortização dos créditos de longo prazo para o pós-moratórias

Numa audição parlamentar, associação defendeu que "é urgente que as moratórias independentemente das aprovações europeias, possam ser prorrogadas até ao máximo permitido". E quando estas terminarem que haja "planos de amortização de longo prazo".

Há mais de um ano, quando a pandemia entrou em força em Portugal, o governo aprovou um regime de moratórias bancárias para famílias em empresas. Essas moratórias, que são diferimentos de pagamentos, podendo abranger capital e juros, já foram alvo de um prolongamento até ao final de setembro deste ano sendo, para já, a data para sua conclusão. Com a retoma das atividades económicas a conta-gotas, há setores que têm sido duramente fustigados como o turismo e a restauração que teme esse momento. Com a perspetiva do fim das moratórias, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), pede que, quando esse momento chegue, exista a possibilidade de um plano de amortização dos créditos até dez anos.

"A AHRESP no passado dia 18 de fevereiro apresentou ao governo um conjunto de medidas de apoio às empresas, liquidez e capitalização. Muitas delas foram anunciadas pelo ministro da Economia no dia 12 de março. Mas há um conjunto de medidas que apresentámos, e que não estão ainda em prática, e que são da maior importância para a sobrevivência do setor. Medidas de apoio à liquidez das empresas; é fundamental que haja um reforço dos apoios a fundo perdido para a tesouraria. Não há possibilidade de sobreviver com estas quebras de faturação que evidenciamos sem apoio a fundo perdido", começou por explicar Pedro Carvalho, diretor do gabinete económico da AHRESP, esta quarta-feira, 7 de abril, numa audição parlamentar na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, conjunta com a Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia e do processo de recuperação económica e social.

O responsável defendeu que apesar do alargamento da dotação que o programa Apoiar Rendas já teve, esse montante é insuficiente. "A sua dotação de 150 milhões tem de ser reforçada para dar cobertura a um dos principais custos das nossas empresas", disse.

Além disso, considerou que: "É urgente que as moratórias bancárias, independentemente das aprovações europeias, possam ser prorrogadas até ao máximo permitido para aliviar a tesouraria das empresas". Sendo que, "findas as moratórias, é impensável que as empresas retomem os seus pagamentos como tinham no período pré-pandemia. Todos estes créditos têm de ser alvo de planos de amortização de longo prazo, de até 10 anos, para que o seu encargo mensal possa ser reduzido".

Os dados mais recentes, divulgados pelo Banco de Portugal, relativos a janeiro deste ano, mostravam que 54 mil sociedades não financeiras tinham empréstimos em moratória, no montante global de 24 mil milhões de euros, e que as empresas de alojamento e restauração eram as que mais se destacavam, com 57% do montante dos seus empréstimos em moratória.

Durante o período de resposta a questões levantadas pelos deputados, Carlos Moura, primeiro vice-presidente da AHRESP, sublinhou que "também estamos de acordo que a prorrogação [das moratórias] não resolve o problema". A associação reuniu-se recentemente com a Associação Portuguesa de Bancos "para perceber melhor os mecanismos europeus".

"O que sabemos é que não vai haver capacidade de solver responsabilidades futuras. Sendo certo que reconhecemos o esforço do governo, no sentido de apoiar o tecido empresarial, é manifestamente insuficiente", salientou. "Já dissemos ao ministério da Economia: precisamos de ter um plano de amortização das moratórias a 10 anos. Há moratórias financeiras que decorrem de decisão pública, mas também há outras moratórias que são relações comerciais. Nas primeiras, o Estado tem de ajudar o tecido empresarial, se houver subvenções tanto melhor, mas para se pagar tem de se ter um plano a longo prazo", acrescentou.

Ainda dentro das medidas que a AHRESP considera necessárias para apoiar este setor, de acordo com Pedro Carvalho, está a "disponibilização de apoios para empresas recentes". Antes da pandemia, o setor do turismo vinha a crescer anualmente - tanto no número de hóspedes, como dormidas e proveitos - tendo alimentado o nascido muitas empresas antes da crise. "É importante haver um fundo de capitalização das empresas. É urgente que as empresas possam reforçar as suas estruturas de capitais para poderem concorrer a novos apoios no pós-pandemia", disse, acrescentando nomeadamente que é necessário aposta em campanhas de dinamização do consumo.

Alojamento local com primeiro trimestre negro

A Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) também participou nas audições parlamentares que decorreram esta manhã. Eduardo Miranda, presidente da associação, fez uma atualização dos dados mais recentes para o setor. Com Portugal e outros países com elevadas restrições à circulação no início de 2021, o Alojamento Local (AL) contou com quebras na casa dos 80% entre janeiro e março.

"Estamos a falar de quebras no primeiro trimestre que andam em torno dos 80% e, em alguns casos, foi até superior a 90%" como é o caso dos centros urbanos, indicou. Uma das tendências registadas ao longo do último ano é que os viajantes procuram locais que permitam um maior distanciamento social. Por isso, o turismo nas cidades, que vinha a crescer antes da pandemia, tem sofrido muito.

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