Coronavírus

AHRESP: “Urge que sejam concretizadas medidas de apoio à tesouraria das empresas”

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Ana Jacinto, secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP). Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A associação realizou um inquérito e uma das conclusões é que a maioria das empresas não se candidataram às linhas de apoio lançadas pelo governo.

É um retrato negro o que envolve o setor da hotelaria, restauração e similares. Portas fechadas, lay-off, apoios financeiros que não chegam e, pelo menos, dois meses sem entrada de dinheiro em caixa. A AHRESP, associação que representa estes setores, lançou no passado dia 1 de abril um inquérito aos seus associados e cerca de dois mil responderam. As conclusões mostram um setor em que a maioria das empresas está encerrada, não sabendo quando voltam ou se voltam a abrir portas, com a maioria dos trabalhadores em casa e com os contratos suspensos. “Urge que sejam concretizadas medidas sérias de apoio à tesouraria das empresas”, defende Ana Jacinto.

A secretária-geral da AHRESP, em conferência de imprensa para apresentar as conclusões do estudo, notou que “neste momento, temos cerca de 75% das empresas encerradas e estou a falar de um inquérito que foi feito não só à restauração mas também ao alojamento. Destas respostas, quase 70% foram dadas pelo alojamento turístico e cerca de 30% pela restauração”, explicou.

A AHRESP sublinha ainda que 50% das empresas vai avançar para o mecanismo de lay-off, ou seja suspensão temporária dos contratos de trabalho. “Dessas empresas, cerca de 70% refere que não consegue pagar os respectivos salários em abril se entretanto a Segurança Social não fizer a entrega atempada do apoio”, que está previsto que chegue nos últimos dias deste mês. Da maioria das empresas que respondeu ao inquérito e admitiu que vai colocar os seus trabalhadores em lay-off, cerca de metade vai fazê-lo para toda a sua equipa.

Em meados de março, e para ajudar as empresas a minimizar os efeitos da pandemia nas suas contas, o governo lançou um conjunto de linhas de crédito. E o setor do turismo e restauração pode candidatar-se. Contudo, esta resposta do Executivo, e tendo em conta as conclusões do inquérito, não está a chegar ao setor que é sobretudo caraterizado por microempresas.

“77% das empresas [que responderam ao inquérito] não recorreram a apoios financeiros. Das 23 empresas que o fizeram, dois terços recorreram à linha do Turismo de Portugal”. A autoridade de turismo lançou também no último mês uma linha destinada às microempresas, com uma dotação de 60 milhões de euros.

“60% das empresas refere que as linhas de apoio não são adequadas às suas necessidades. Indicam como prioritário o apoio a fundo perdido sob pena de não conseguirem suster e manter os postos de trabalho”, indicou Ana Jacinto.

No que diz respeito a despedimento, o mês de março terá um saldo positivo: “o nível do emprego conseguimos apurar que cerca de 94% das empresas ainda não efetuaram despedimentos” em março. Do outro lado da moeda está, contudo, o facto de que “30% das empresas [que respondeu] não conseguiu pagar já os salários em março”. E o retrato fica mais negro no curto prazo: “cerca de 80% estima uma ausência de faturação em abril e maio”.

Esforço não chega
Ana Jacinto, durante a conferência de imprensa, sublinhou que a associação “reconhece o esforço que o governo tem feito; têm sido anunciadas varias medidas e muitas delas inadequadas ao setor que representamos. Para ajudar as empresas, o único apoio que têm foi o lay-off”.

É, por isso, que a associação que representa a hotelaria, restauração e similares tem “vindo a defender [que é necessário] dinheiro a fundo perdido para as empresas”.

“Tudo o que está a ser feito são moratórias, alívios temporários que nos vão causar a breve prazo custos enormes e que as empresas não vão conseguir saldar. A retoma não se faz de um momento para o outro. Vamos ter muita dificuldade no momento em que for levantando o Estado de Emergência em termos tesouraria para liquidar os encargos que estamos a assumir agora”.

Assim, “urge que sejam concretizas medidas sérias de apoio à tesouraria das empresas para que possam salvaguardar postos de trabalho. Sem esse apoio, não vamos conseguir aguentar”.

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