Ajudar lojas locais financiando as compras dos trabalhadores

Tecnológica de Braga canalizou verba das festas de Natal para sensibilizar os colaboradores para a importância de salvar comércio tradicional

Se a covid não permite ajuntamentos, em vez de investir no habitual jantar de Natal, a F3M, de Braga, decidiu usar essa verba para apoiar o comércio tradicional, financiando os próprios colaboradores, para que pudessem ajudar os lojistas locais a superar as "terríveis dificuldades" com que se confrontam.

Para os festejos de Natal, a tecnológica tinha reservado entre 8 e 10 mil euros, um montante que veio a conhecer um destino bem diferente. Os perto de 130 colaboradores do grupo em Portugal foram "sensibilizados" para fazerem as suas compras no comércio tradicional. Como contrapartida, puderam entregar as faturas nos serviços financeiros da empresa. Concluída a fase das compras, foi feito um rateio e todos os trabalhadores que apresentaram as faturas foram ressarcidos da totalidade ou de parte do valor gasto, até se esgotar a verba que a empresa tinha destinado às celebrações.

Quase todos os trabalhadores - da sede, em Braga, dos escritórios de Lisboa e das duas participadas, uma em Avanca (Estarreja) e outra em Ponte de Sor - aderiram à iniciativa, beneficiando assim das compras natalícias pagas pela entidade patronal. A empresa também está em Angola e Moçambique, mas esses países ficaram fora desta ação, devido às características específicas destes países.

"O objetivo era mesmo dinamizar o comércio local e dar o exemplo para que outras empresas pudessem fazer o mesmo", explica Pedro Fraga, CEO da F3M. "Não tenho nada contra as grandes superfícies, mas senti as dificuldades terríveis que os comerciantes de rua estavam a passar."

Foi uma opção que não surgiu por acaso. Pedro Fraga é também presidente da mesa da assembleia-geral da Associação Comercial de Braga, cargo que acumula com o estatuto de embaixador empresarial da cidade, criado pela autarquia. "Estando ligado a estes movimentos, vivo muito o que o comércio local está a sofrer. A iniciativa que lançámos foi apenas uma pequena colaboração, mais para sensibilizar as pessoas para a importância de se ajudar."

Deu-se a feliz coincidência de a F3M ter vivido em 2020 "o melhor ano de sempre, não porque a atividade tivesse crescido em relação a 2019, mas por via da redução de custos, nomeadamente com deslocações" - limitadas as viagens por força dos confinamentos sanitários.

Engenheiro e empresário há 33 anos, os mesmos da empresa que criou, Pedro Fraga revela ter fechado o ano passado com uma faturação de 6,1 milhões de euros e espera neste ano crescer 11,5%, muito pelo lado do desempenho em África. As exportações representaram 18,3% no ano passado e agora deverão reforçar o seu peso nas vendas, para 22,5%.

Criada por ex-alunos da Universidade do Minho, a F3M dedica-se à produção de software em mercados verticais, isto é, nas áreas onde entra a empresa disponibiliza tecnologia que permite fazer a gestão de todas as etapas do negócio, em especial, nos segmentos da saúde (está na "maior parte da rede de cuidados continuados"), das óticas, da economia social ("estamos em 3500 instituições, 60% do total") e do têxtil (confeção).

Pedro Fraga confessa que a atual situação pandémica o abala, mas não o demove do rumo e afirma ter motivos para encarar o futuro com "expectativas positivas".

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