Climate Change Leadership

Al Gore elogia investimentos crescentes nas renováveis

Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA e prémio Nobel da Paz em 2007
Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA e prémio Nobel da Paz em 2007

A “liderança assumida em Portugal é um exemplo para todo o mundo”, defendeu o Nobel da Paz

Nem tudo é mau quando se fala em alterações climáticas. Sim, o cenário é catastrófico e é preciso agir já, mas há também boas notícias, como destacou Al Gore, o principal orador da segunda edição da Porto Summit, a cimeira do clima organizada pela Taylor’s no âmbito da Climate Change Leadership. E o investimento crescente nas energias renováveis é um deles. O ex-vice presidente dos EUA lembrou que 88% dos novos projetos energéticos na Europa são já de energia solar ou eólica, número que é de 53% na China, de 65% na Índia e de 49% nos EUA. “É uma revolução dramática” e com efeitos no emprego, que está a crescer “seis vezes mais” nestas indústrias do que o resto da economia.

A aposta nas renováveis em Portugal foi também destacada por Al Gore, designadamente no setor do vinho. “A liderança assumida em Portugal é um exemplo para todo o mundo”. Antes, o ministro do Ambiente havia centrado o discurso precisamente no roteiro da neutralidade carbónica até 2050, sublinhando estar em curso “não uma transição, mas uma revolução”, já que, para tal, é preciso reduzir em mais de 85% as emissões de carbono em relação a 2055, e obter uma capacidade de sequestro de 12 milhões de toneladas de CO2.
Uma meta que obriga a que, em 2050, 100% da energia seja proveniente de fontes renováveis, incluindo nos transportes, o que permitirá, garante Matos Fernandes, “reduzir de 65 para sete milhões de barris ao ano as importações de petróleo”, diminuindo a dependência energética do país de 74% para 17%. Mas lembra que a mudança tem que ser justa. “Não podemos deixar ninguém para trás”, frisou.

Pela Alfândega do Porto passaram, durante três dias, mais de 30 oradores de 40 nacionalidades, ouvidos por cerca de 850 pessoas. O último dia dos trabalhos foi marcado pela presença de Al Gore, mas também pela intervenção de Afroz Shah, o jovem indiano premiado pela ONU pelo processo de limpeza da praia de Versova, em Bombaim. “Quantas vezes vos dão um prémio por limparem a vossa casa”, ironizou Afroz, lembrando que “o planeta é a nossa casa”.

Ester Asin, diretora-geral para a Europa da World Wide Fund for Nature (WWF), defendeu que as metas para a neutralidade carbónica deviam ser antecipadas de 2050 para 2040, enquanto Kaj Török veio explicar o caminho seguido pela Max Burguers, a primeira empresa no mundo com uma pegada ecológica positiva. “Temos que fazer o máximo que conseguirmos. Ninguém consegue fazer tudo, mas todos podemos fazer algo. Ainda há esperança”, defendeu.

A Climate Change Leadership, que em 2018 teve em Barack Obama, antigo presidente dos EUA, o seu principal orador, regressa em 2021, porque no próximo ano a prioridade total do grupo Taylor’s é a abertura do World of Wine, o mega centro de visitas da indústria do vinho, que representa um investimento de 100 milhões e 300 empregos, e que deve ser inaugurado em maio de 2020.

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