ALEP: "Sem alojamento local não há retoma no turismo"

Migração elevada do AL para arrendamento tradicional pode representar um duro golpe nas economias de Lisboa e Porto.

C om uma fatia de 40% das dormidas em 2019, o alojamento local (AL) é um "pilar do turismo" e sem ele não haverá retoma do turismo. Quem o defende é a ALEP, associação que representa o alojamento local. Grande parte deste alojamento para turistas está fora dos grandes centros urbanos, nas zonas de férias. Mas para Lisboa e Porto, sustenta a associação, perder esta forma de hospedagem é matar não só o turismo, mas também a economia local.

"As estatísticas oficiais ainda apontam que o AL representa 14% das dormidas, mas este é o que tem dez ou mais camas. As estatísticas oficiais só abrangem esse segmento. O que significa que 80% do AL fica de fora. Na análise que fizemos, através do nosso projeto Locall Data, o AL já tinha ultrapassado um terço, começando a chegar aos 40% das dormidas em Portugal. Em termos de oferta, os dados são públicos, o AL já é a principal oferta de alojamento turístico no país", diz ao Dinheiro Vivo Eduardo Miranda, presidente da ALEP.

Em 2020, devido à pandemia, a ocupação neste alojamento e a faturação afundaram. As contas da associação apontam que a ocupação turística do AL ficou em cerca de 23% e a faturação teve uma quebra superior a 70%, tendo a quebra ultrapassado os 80% nos centros urbanos. Apesar do ano negro, Eduardo Miranda não tem dúvidas ao defender que o "AL hoje é pilar do turismo, e isso é fundamental entender até nesta crise", e que "sem o AL não vai haver retoma no turismo".

Os dados que existem mostram que 71% do alojamento local se encontra fora dos grandes centros urbanos. Os locais de férias, como por exemplo o Algarve, são os mais numerosos em termos de registos. Ainda assim, e olhando para os números, o AL representou em 2019 cerca de 45% das dormidas em Lisboa e 62% no Porto.

A ALEP analisou o mercado e adianta que o saldo de registo do RNAL (abertura - cancelamentos) apresentou uma queda de 141 registos em Lisboa, enquanto no Porto houve uma estagnação. Contudo, nas plataformas como a Airbnb registou-se uma diminuição de cerca de 2000 anúncios de apartamentos (casa inteira) em Lisboa.

Eduardo Mirando defende que muitos dos que optaram por cancelar o registo enveredaram pelo arrendamento de média a longa duração. Mas, recorda, o AL não é a solução para que haja mais casas para arrendamento tradicional. Em especial no centro das grandes cidades, os apartamentos em AL são T0 ou T1 de pequena dimensão, não sendo adequados para albergar famílias.

"Se tivermos uma migração massiva do AL como alguns parecem querer, era a destruição do turismo nessas cidades. Ou seja, se perder metade do AL significa qualquer coisa como 25% a 30%, no Porto, da capacidade de alojamento da cidade desaparece. Se isso acontecer, nunca mais conseguimos recuperar nem perto dos ritmos que tínhamos antes de turismo e que significavam emprego", acrescenta Eduardo Miranda.

Os hóspedes de AL movem toda uma economia à sua volta. As refeições não estão incluídas no alojamento, nem qualquer viagem, tendo por isso que optar por fazê-lo recorrendo aos meios locais.

Subida do interior
Com a pandemia, houve uma mudança no tipo de destinos mais procurados para férias. Os locais com muitas pessoas foram trocados por locais mais reservados e que permitem distanciamento. Os dados da ALEP mostram que os distritos que cresceram na oferta do AL foram todos do Interior, com destaque para Bragança, Guarda e Portalegre.

Da análise que foi feita, diz Eduardo Miranda, o alojamento local "está a caminhar para aquilo que são os destinos mais estratégicos para o futuro do turismo em Portugal; estamos a falar numa viragem para a sustentabilidade, que passa por descentralização, ir para destinos do Interior, destinos de natureza, cultura e gastronomia. Em quase todos estes destinos, se for analisar, o AL é o principal e às vezes a única forma de alojamento turístico".

"Não ter isto em conta, não perceber o papel que o AL pode vir a ter na estratégia futura do turismo, é pôr em risco o turismo", frisa ainda.

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