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Altice à espera do Governo. “Não queremos enriquecer com a venda da SIRESP”

Alexandre Fonseca, presidente da Altice
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)
Alexandre Fonseca, presidente da Altice (PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Altice aguarda resposta do Governo à compra da posição dos privados no SIRESP. A redundância da rede mantém-se, mesmo que "às custas" da Altice

A Altice está à espera de uma resposta do Governo sobre a proposta para a compra da participação dos privados na SIRESP SA, empresa que assegura a rede de emergência para situações de emergência. Alexandre Fonseca, CEO da dona do Meo, não comenta valores mas deixa uma garantia: ” Não queremos fazer lucro, não queremos enriquecer com a venda da SIRESP.”

No debate quinzenal António Costa garantia que um acordo entre o Estado para a compra das participações dos privados estaria por horas, mas passado mais de três semanas ainda não está assegurada a tomada de controlo pelo Estado da empresa que gere a rede de emergência. O que falta? “O que está a faltar neste momento é uma resposta”, diz Alexandre Fonseca ao Dinheiro Vivo, à margem da Air Summit, em Ponte Sor.

“O canal de comunicação está aberto. Quando digo uma resposta é, quando alguém faz uma proposta normalmente tem de haver um sim, ou não ou uma contraproposta. É isso que estamos à espera, de um sim, de um não ou de uma contraproposta”, precisa o gestor.

E para quando uma resposta? Alexandre Fonseca aponta para o prazo já adiantado pelo Executivo que, lembra, disse que “até ao final do mês de maio gostava de ter esse assunto resolvido. É hoje ao final do dia. Por isso, vamos aguardar serenamente.”

Alexandre Fonseca não adianta o valor pelo qual os privados estão dispostos a vender a sua posição – a Altice controla 52,1%, a Motorola 14,9% estando os restantes 33% nas mãos do Estado através da Parvalorem – sendo que o valor que circula no mercado é que rondará os 100 milhões de euros.

“Esse é um negócio que está a ser discutido e, como é óbvio, e ai concordo plenamente com o senhor ministro das Finanças que já o referiu oportunamente, não se fala sobre negociações em curso. Portanto, alinho pelo mesmo diapasão do senhor ministro das Finanças não falamos sobre valores numa negociação que está a decorrer”, diz Alexandre Fonseca.

Quando questionado sobre o valor dos 100 milhões, diz apenas. “Não vou falar de valores mas há um tema que é importante que fique claro: aquilo que queremos é que seja um valor justo. Só isso.”

“Existem pessoas cuja sua especialidade é exatamente valorizar companhias, empresas, sociedades, portanto, queremos apenas o valor justo. Não queremos fazer lucro, não queremos enriquecer com a venda da SIRESP SA”, frisa o CEO da Altice Portugal. “Queremos o valor justo que compense aquilo que foi o nosso investimento, a nossa participação, todo o trabalho que fizemos e todo aquele que tem sido o trabalho das centenas de profissionais da Altice Portugal que colaboraram para garantir que a rede SIRESP funciona. Só isso.”

Redundância da rede irá manter-se “nem que seja às nossas custas”

A empresa, na qual a Altice é atualmente acionista maioritária, debate-se com uma dívida de mais de 10 milhões incorrida para assegurar a redundância por satélite da rede pedida pelo Governo, cujo pagamento foi chumbado pelo Tribunal de Contas, e que está a colocar em causa a sua solvabilidade financeira. “A solvabilidade da SIRESP SA é um tema que já colocamos e que já dissemos que ainda este ano, se a empresa não for ressarcida dos investimentos que foram feitos, terá problemas sérios do ponto de vista financeiro”, aponta Alexandre Fonseca.

O gestor deixa, no entanto, uma garantia. “Aconteça o que acontecer à SIRESP SA, a Altice Portugal, que não nos podemos esquecer é, além de acionista o maior fornecedor tecnológico, garantirá com certeza, pelo menos até o final da época de incêndios, dure ela o tempo que durar, o funcionamento da redundância da rede, nem que seja às nossas custas. Depois esperamos ser ressarcidos oportunamente.”

Mesmo que se chegue a um acordo, a operadora, assegura o gestor, mantém o interesse em permanecer como parceiro tecnológico da rede SIRESP. “Sim temos. Mas mais do que sim temos, não há outra empresa em Portugal que tenha essa capacidade.”

“Os 451 pontos onde estão os 451 emissores em Portugal Continental da SIRESP SA são únicos. A torre de Monsanto, a torre do Monte da Virgem, outros emissores espalhados pelo país são nossos e são os únicos pontos no país onde existe essa possibilidade”, reforça. “Os únicos técnicos altamente especializados em tecnologia da Motorola para fazer esta implementação e garantir esta operação são os da Altice Portugal; mais os únicos técnicos em Portugal que têm conhecimento de satélite, que trabalham na estação de Alfouvar (em Sintra), capazes de garantir a redundância satélite, são os nossos”, continua.

“Ninguém em Portugal tem capacidade técnica para no curto ou médio espaço de tempo conseguir prestar este tipo de serviços que não a Altice Portugal. Por isso, é que estamos muito tranquilos e queremos garantir essa tranquilidade. Temos a capacidade e sabemos que temos a capacidade de fazer esta rede funcionar e a operar bem”, assegura Alexandre Fonseca.

“Haja ou não haja uma venda de curto prazo, haja ou não haja venda de participações, haja ou não haja um SIRESP descapitalizado, pelo menos que, no meio desta confusão toda, os portugueses saibam que no que toca à rede SIRESP estão seguros”.

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