Telecomunicações

Altice acusa Anacom por atraso no 5G

Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal

(Filipe Amorim / Global Imagens)
Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal (Filipe Amorim / Global Imagens)

Dona do Meo receia que haja problemas com a migração das frequências hoje ocupadas pela TDT que arranca a partir de outubro

“Portugal está a perder muito claramente o comboio dos 5G” e a culpa é da Anacom que ainda não revelou calendário, nem o modelo para o arranque desta tecnologia no mercado nacional, acusa Alexandre Fonseca, CEO da Altice, num encontro com jornalistas.

Bruxelas determinou 2020 como o ano do lançamento comercial do 5G na Europa. Espanha, Reino Unido já tiveram em julho lançamento comercial, em algumas dezenas de cidade piloto, na Alemanha e Itália decorreram leilões para as frequências, em Portugal o sector aguarda uma definição. “Portugal que tem estado sempre na liderança das telecomunicações, está completamente na cauda da Europa”, no que toca ao 5G diz o CEO da dona do Meo.

“Ninguém sabe hoje qual o calendário, nem o modelo em que vão ser atribuídas as frequências”, responsabilidade que cabe ao regulador. “A Anacom é responsável por tudo o que tem a ver com o 5G”, frisa o gestor. “Sei que há preocupação da tutela sobre a questão do 5G”, diz Alexandre Fonseca, “imagino que seja comum à dos operadores”. “Estamos pelo menos 6 meses já atrasados para um país como a dimensão de Portugal.

Conhecido apenas é o calendário de migração das faixas dos 700 MHz, atualmente ocupadas pela Televisão Digital Terrestre (TDT). A partir de outubro até 30 de junho de 2020, o regulador quer essas faixas gradualmente libertadas em todo o país para o desenvolvimento do 5G.

A libertação das faixas obriga a que cerca do milhão de portugueses que têm TDT sintonizem os televisores/caixas nas novas frequências para continuarem a ter acesso aos canais de televisão. “Destes, metade não sabe sintonizar uma caixa”, diz. “Quem vai atender o telefone a estas pessoas?”, questiona.

A operadora, que tem a concessão da plataforma da TDT, diz já ter apresentado ao regulador um plano para a migração, com custos associados, cujo valor não adiantou, que passava, por exemplo, pela criação de um call center, mas que ainda não obteve resposta.

“O Governo tem aqui uma bomba relógio em mãos chamada Anacom”, afirma, acusando o regulador liderado por João Cadete Matos de estar focado em questões relativas aos consumidores, mas que “nos dossiers críticos para o país, não tem capacidade para agir”.

Fazer a migração dos mais de 200 transmissores TDT pelo país – “é preciso mudar um a um” – vai levar entre “seis a nove meses”, diz Alexandre Fonseca, adiantando que a proposta pela Altice de manter uma fase de simulcast, em que transmissão na frequência antiga (700Mhz) e nova (multidirecional) da TDT se mantém em simultâneo num determinado período de tempo, foi rejeitada pela Anacom.

Valores de eventual leilão

O modelo ainda não é conhecido, mas o leilão tem sido a opção para a atribuição de frequências. Na última licença para o 4G, o Estado teve um encaixe de 372 milhões de euros. Valores que fazem sentido nesta nova fase? “Tem de haver sensibilidade para não matar a galinha dos ovos de ouro”, diz Alexandre Fonseca, frisando que a monetização do 5G não é clara, nem imediata. “Algum cliente está disposto a pagar mais 10 euros para ter 5G?”, questiona.

(notícia corrigida dia 7 de agosto às 16h40 com alteração de data do arranque do processo de migração das faixas de TDT de setembro para outubro, de acordo com calendário da Anacom)

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