Altice. "Lançamento comercial do 5G em 2020? Tenho algumas dúvidas"

Alexandre Fonseca defende revisão da consulta do 5G e pagamento faseado das licenças. Migração do TDT poderá retomar a partir de meados de julho.

Alexandre Fonseca acredita que o processo do 5G poderá ser retomado ainda este ano, em paralelo com a migração da rede de emissores da TDT, mas o CEO da Altice Portugal tem dúvidas que haja condições práticas para o arranque comercial da quinta geração móvel ainda em 2020.

"Acredito que o 5G avança este ano em termos processuais", diz o CEO da dona do Meo, referindo-se ao reinício do processo de consulta do 5G ao mercado interrompido pela pandemia do covid-19. "Agora se isto resulta no lançamento comercial do 5G, tenho algumas dúvidas”, disse o gestor numa teleconferência com jornalistas após a apresentação dos resultados do primeiro trimestre da operadora, período em que registou 522 milhões de euros de receitas.

“Consulta (do 5G) foi interrompida e acho que é evidente que o mundo mudou”, comenta o gestor. “Este momento que atravessamos leva a que tenhamos alguma prudência de investimentos e que os investimentos associados ao 5G terão de ser também encarados à luz desta mudança", diz ainda.

Para Alexandre Fonseca a paragem forçada pela pandemia deverá levar a uma reflexão "sobre o que serão os caminhos a seguir do 5G e as características de uma nova consulta ao mercado". Ou seja, "terá de haver uma revisão da consulta".

O gestor fala da necessidade de "racionalidade" e de “bom senso e equilíbrio” no que toca "ao investimento para a compra das licenças", para que se possa assegurar que “teremos arranque faseado do 5G”.

“Temos de garantir que o valor inerente ao valor das licenças 5G tem de ser equilibrado e que nos permita não gastar o dinheiro todo a construir a estrada e não ter dinheiro para comprar o carro. Tem que permitir que façamos investimento nas licenças mas que tenhamos depois liquidez para podermos fazer os investimentos na rede para termos o 5G", explica.

"Para isso é importante que se olhem para as obrigações de cobertura e aos valores associados ao espectro. Não podemos ter aqui a fábula da galinha dos ovos de ouro, não podemos matar a galinha. Se queremos receber o dinheiro todo à cabeça vamos descapitalizar os operadores pata eles fazerem esse investimento. Por isso, defendemos que tem de haver um natural faseamento do pagamento das licenças, diluindo-as ao longo do tempo, de forma proporcional à exploração comercial da rede 5G", reforça.

Um processo de relançamento do processo que pode decorrer em paralelo com a migração da rede de emissores da TDT, para que seja libertada a faixa dos 700 Mhz, atualmente usada para transmitir os canais de televisão em sinal aberto, para o 5G.

“A consulta pode ser relançada enquanto se faz a migração da TDT”, diz. "O 5G será retomado este ano, não tenho dúvidas que sim, depois em termos de disponibilização comercial vai depender dos critérios e do que forem as obrigações de cobertura. Mas sobretudo dos investimentos e do faseamento dos pagamentos indexados aquilo que for a realidade do 5G em Portugal", reforça.

O Governo já pediu à Altice um novo calendário para a migração da rede de emissores da TDT. "Segundo o calendário da Altice, quando foi interrompida a migração da TDT faltavam aproximadamente 4,5 meses, estes meses terão agora de ser respeitados quando as atividades retomarem", diz.

"Não podemos dar ainda uma data de retoma para a atividade de migração, isso prende-se com entidades externas, fornecedores tecnológicos externos que carecem também eles de viagens para poderem vir a Portugal colaborar", justifica.

O calendário será formalizado em breve, aguardando a operadora uma indicação desses parceiros para quando poderão poder colaborar nesse processo. "Essas entidades vêem essencialmente da Alemanha e Norte de Itália, regiões fortemente afetadas pelo tema do covid-19", diz. "Contamos na próxima semana termos essas respostas e podermos formalizar junto do Governo a recalendarização, mas teremos de colocar 4,5 meses em cima da data de reativação do cronograma", refere.

“Acredito que a partir da segunda metade de julho poderá eventualmente ser possível, mas isso carece de confirmação, e se for assim estaremos a falar de final de de novembro, dezembro para termos as frequências completamente migradas”

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