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Altice. Negociações salariais suspensas até outubro

Alexandre Fonseca 
(Filipe Amorim / Global Imagens)
Alexandre Fonseca (Filipe Amorim / Global Imagens)

Dificilmente este ano haverá aumentos salariais na Altice Portugal, adianta Sindicato. Operadora admite aumentos no salário mínimo dos trabalhadores.

As negociações para aumentos salariais para os trabalhadores da Altice Portugal em 2020, no âmbito do Acordo de Empresa (ACT), estão suspensas até outubro, altura em que a empresa considera que poderá ter uma visão mais clara sobre o impacto da pandemia na economia do país, adianta Jorge Félix, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Altice em Portugal (STPT). A Altice não quis comentar.

“Dificilmente haverá uma atualização salarial este ano”, diz Jorge Félix, transmitindo o sentido das reuniões que foram mantidas com a operadora dona do Meo em torno da negociação ACT. A operadora, segundo o sindicalista, só admite disponibilidade para aumentos no salário mínimo da empresa, de 725 euros para 740 euros, medida que abrange cerca de 200 trabalhadores, mas isso está dependente de um acordo com os sindicatos em outubro. Segundo o presidente do STPT, a empresa já terá transmitido que dificilmente irá haver aumentos em 2020, estando a discussão dependente da evolução do impacto da pandemia na economia nacional e na companhia.

Até junho, a Altice Portugal registou uma quebra de 0,9% nas receitas, para pouco mais de mil milhões, com o EBITDA a recuar 2% para 411,4 milhões de euros. Até março este indicador crescia 1,8%. Mas, no segundo trimestre, registou uma queda de 5,7%, para 201,2 milhões de euros.

“Temos consciência e noção de que o ACT é um processo de grande relevância, pelo que não fazemos qualquer comentário público enquanto este se encontra em curso e em negociações, as quais têm sido positivas e consensuais com a maioria dos sindicatos”, diz fonte oficial da companhia, quando contactada pelo Dinheiro Vivo.

O impacto da pandemia na atividade e nos resultados da empresa terá sido igualmente invocado pela Altice para não avançar com o pagamento de um prémio entre 200 a 300 euros aos trabalhadores, relativo aos resultados de 2019, alertou a Frente Sindical em comunicado.

A Altice nega a existência de um prémio fechado com os Sindicatos. “Todo e qualquer benefício tem sido do conhecimento prévio dos sindicatos e dos colaboradores, pelo que desconhecemos qualquer iniciativa de prémio adicional/extraordinário no âmbito negocial, principalmente num contexto em que todo e qualquer esforço deve ser direcionado na proteção dos postos de trabalho e respetivas responsabilidades para com os colaboradores, nomeadamente nesta empresa que nem sequer recorreu ao mecanismo de lay-off”, diz fonte oficial da companhia. “A Administração da Altice Portugal sempre se preocupou pela manutenção dos postos de trabalho e pela estabilidade e garantias laborais. Isto está provado em praticamente três anos da atual equipa de gestão.”

“Durante a fase de pandemia, a Altice Portugal não deixou de realizar os pagamentos de componentes variáveis de salário a milhares de colaboradores, referentes ao seu desempenho e mérito, o que constituiu uma prova de reconhecimento e resiliência da Empresa, num momento especialmente difícil e que foi recebido pelos colaboradores com agradável surpresa, por ser totalmente em contraciclo com o mercado e economia nacionais. Isto sim, é de relevar e temos a certeza que os colaboradores da Altice Portugal se sentem protegidos e orgulhosos pela postura da administração da empresa em relação a esta matéria”, refere ainda a mesma fonte oficial da dona do Meo.

200 ainda não aderiram à Meo Serviços Técnicos

Cerca de 200 trabalhadores, de um total inicial de 1900, da Direção Operacional (DOI) ainda não aceitaram serem transferidos para a Meo Serviços Técnicos, adianta Jorge Félix.

Os trabalhadores recusam ser transferidos, através de um mecanismo de cedência ocasional, para a Meo ST, empresa arrancou em outubro do ano passado, e que além dos trabalhadores da DOI absorveu as empresas do grupo TNord e a SudTel, através da qual a Altice Portugal tem ambição de prestar serviços a empresas externas. O mecanismo, há largos usado ainda na antiga Portugal Telecom, é voluntário, não havendo perda de direitos nem garantias para os colaboradores que mantêm as mesmas condições de quando estavam na DOI. Mas apesar do prémio atribuído aos trabalhadores que aceitassem a mudança, ainda há cerca de duas dezenas que mostram resistência à mudança.

O STPT mostra-se preocupado já que os trabalhos, até aqui prestados pela DOI, estão a ser assegurados pela Meo ST, havendo o risco dos colaboradores ficarem sem funções.

“Todo o processo de criação da Meo Serviços Técnicos, a sua implementação e o desempenho da empresa e dos seus colaboradores em geral excedeu claramente as expectativas da administração. Mais acrescentamos que todo e qualquer comentário que se faça sobre o visível insucesso deste projeto demonstra uma clara falta de vontade de defesa, proteção e projeção da Altice Portugal”, reage fonte oficial da operadora, quando questionada sobre que solução está pensada para esses trabalhadores já que as funções estão a ser desempenhadas em outra empresa.

“Prova disso são as diversas certificações de âmbito internacional, poucos meses após a sua criação, que a Meo Serviços Técnicos obteve por parte da APCER que reconhecem o cumprimento das normas no que respeita ao Sistema de Gestão da Qualidade (ISO9001), ao Sistema de Gestão Ambiental (ISO14001) e ao Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (OHSAS18001)”, diz.

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