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Altice. “O que fizemos em França nos media será o mesmo que faremos em Portugal”

Alain Weill, Michel Combes e Paulo Neves

Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens
Alain Weill, Michel Combes e Paulo Neves Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Estratégia levada a cabo em França será modelo que Altice quer aplicar em Portugal com compra do grupo dono da TVI. Negócio aguarda luz verde da AdC

O que fizemos em França é um laboratório. O que fizemos aqui será o mesmo que faremos em Portugal”, afirma Alain Weill, CEO da Altice Media, num encontro com jornalistas portugueses em Paris.

França é um dos mercados onde a Altice, os donos do Meo, levou a cabo a estratégia de convergência entre media e telecomunicações, a mesma que pretende desenvolver em Portugal com a compra da Media Capital. A operação de mais de 440 milhões de euros está na Autoridade da Concorrência que tem papel decisivo no negócio que, a obter luz verde, juntará no mesmo grupo ativos como a TVI, a TVI24, a produtora Plural, rádios como a Comercial e a M80, e o portal IOL à plataforma de televisão paga Meo e o portal Sapo.

A dimensão do negócio e os receios de que com isso a Altice possa ficar com uma posição dominante no mercado tem gerado muita controvérsia e oposição da NOS e Vodafone. Paulo Azevedo, da Sonae (acionista da NOS), em entrevista ao Expresso, considerou mesmo que o negócio era uma “aberração” que deveria ser travada pela Assembleia da República. Antes disso o empresário, em declarações à Lusa, tinha considerado que a compra do grupo dono da TVI pela Altice tinha potencial para ser uma Operação Marquês, dez vezes maior.

Apesar da oposição que o negócio está a gerar, Alain Weill mostra-se otimista que passará no regulador da concorrência. “Estou confiante. Penso que a operação será positiva para toda a gente em Portugal”, diz. “Com o desenvolvimento do Netflix, da Amazon, é importante ter grandes empresas europeias a investir em conteúdos. Penso que as telecom serão os únicos com capacidade para concorrer com os GAFA (Google, Apple, Facebook, Amazon)”, argumenta o responsável do braço de media do grupo fundado por Patrick Drahi.

Se a compra do grupo dono da TVI não avançar, Weill não adianta qual poderá ser o plano B, mas garante: “A nossa estratégia não vai mudar. A maior convergência entre media e telecomunicações é boa para o grupo e vamos continuar em todos os países em que estamos presentes.” Menos churn (mudança de clientes), aumento da receita média por cliente e melhores margens são algumas as vantagens apontadas por Alain Weill a esta estratégia.

Leia ainda: Altice. Processo de compra da Media Capital na AdC pode deslizar até março

Alain Weill volta a garantir que em Portugal os conteúdos TVI serão disponibilizados à concorrência. “Não há risco de termos a TVI e a TVI24 reservada para os clientes Meo, será distribuída nas outras plataformas”, refere. “A Altice foi firme não quer o exclusivo da TVI e da TVI24, mas é importante para as telecom assegurar acesso aos conteúdos no futuro”, justifica o CEO da Altice Media.

Queremos desenvolver o negócio de media em Portugal”, diz Alain Weill. Por isso, a ideia, explica, é desenvolver novos projetos, como “novos canais de séries ou cinema”.

Tal como em França, a operação de fusão entre a Media Capital e a PT trará uma série de novas propostas para a TVI”, defende.

Desde 2015 que a Altice passou a controlar os ativos da NextRadioTV, grupo fundado por Alain Weill, com ativos de rádio (como a RMC) e de televisão (como a BMF ou BMF Business), juntando-os a ativos de imprensa como o L’Express ou o diário Libération, que tinha entretanto adquirido, sob o chapéu Altice Media.

Desde então lançamos 7 novos canais”, contabiliza Alain Weill. SFR Sports (1 a 5), bem como a BMF Decouverte foram os canais criados já sob a alçada da Altice. Um conjunto de novos projetos que teve um impacto de 20 milhões ao nível de custos nos resultados do grupo, adianta Weill.

E há planos de aumentar o portefólio de ativos. No próximo ano o grupo quer arrancar com um projeto de criar 10 novos canais regionais de televisão de informação. “Um projeto muito disruptivo e inovador, um mix entre digital e TV linear e não linear”, descreve o CEO da Altice Media, sem adiantar valores de investimento neste projeto.

Parte dos quadros que irão ser contratados ficarão em Paris, no novo Campus Altice, mesmo ao lado no edifício do Ministério da Defesa, onde o grupo de Patrick Drahi está a convergir os ativos de media e de telecom. Os ativos de media da área de imprensa transferiram há cerca de uma semana para um dos quatro blocos de edifícios do campus, com o pessoal da SFR a fazer também a mudança da antiga sede da operadora. Quando completo o campus irá receber mais de 5 mil pessoas, dos quais 1200 do braço de media.

Se entre as rádios e TV do grupo há alguma sinergia de conteúdos – com programas de rádio a serem transmitidos nos canais de televisão -, o mesmo já não sucede com os ativos de imprensa, que enfrenta o desafio que conter quebras de circulação e rentabilizar a presença online.

A área é deficitária, admite Guillaume Dubois, diretor-geral da área de imprensa. A quebra de circulação paga vivida pela imprensa é também sentida no L’Express: com uma média de 300 mil exemplares de circulação, hoje a publicação já não lidera nas bancas. É a terceira num total de quatro newsmagazines francesas, com a liderança a cargo do L’Obs (antigo Nouvelle Observateur), seguida do Le Print e, por fim, a Marianne. Cerca de 16 milhões de pessoas contactam com a marca mensalmente, 13 milhões através do online, diz Dubois.

E é no digital que a marca quer apostar. Prepara-se para fundir as redações da edição em papel e online, colocando os 120 colaboradores a trabalhar em conjunto para as edições, mas também quer instalar uma paywall na edição online, com um sistema 2 a 3 artigos gratuitos, findo os quais para aceder o leitor terá de fazer uma subscrição. “Mudamos no início de 2018. Espero que no final do ano ter alguns indicadores. Mas estaremos ainda longe” de resultados positivos.

*Em Paris. Jornalista viajou a convite da Altice

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