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Altice “culpa” demora da decisão dos reguladores para fim do negócio com TVI

Patrick Drahi lidera grupo Altice. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens
Patrick Drahi lidera grupo Altice. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Altice reafirma aposta nas telecomunicações em Portugal e alerta para demora das decisões para investimento.

A Altice “culpa” a demora da decisão dos reguladores para o fim do negócio da compra da TVI. Operação que arrancou em Julho do ano passado chegou ao fim depois de ultrapassado o segundo prazo de 15 de Junho firmado com a Prisa. Esta semana era aguardada uma decisão da AdC. Mercado aguardava um chumbo.
O grupo de Patrick Drahi reafirma a aposta nas telecomunicações em Portugal, mas alerta para a demora nas decisões no investimento estrangeiro no país.
“A Altice reafirma a sua aposta em Portugal, principalmente no mercado das telecomunicações, onde continuará o seu investimento em tecnologia e inovação. No entanto, espera-se e até se torna imperioso que todos reflitam sobre as consequências causadas aos investidores, quer nacionais quer estrangeiros, à criação e sustentabilidade de emprego, à criação de valor e por último à economia nacional, dado o excessivo arrastar de tempo deste processo, com as autoridades a indiciar decisões insuficientemente justificadas sem qualquer tipo de paralelo ou referência internacionais e em contraciclo com as atuais tendências nos sectores envolvidos”, diz o grupo.
O grupo aponta a responsabilidade do fim da operação a demora nas decisões dos reguladores.
“A Altice lamenta que, apesar de ter desenvolvido os melhores esforços nesse sentido, os reguladores não tenham emitido as decisões necessárias à concretização da transação em tempo útil”, reagiu a Altice em comunicado.
“Na verdade, os esforços da Altice para obter atempadamente uma decisão favorável incluíram a apresentação de um conjunto muito abrangente de compromissos, com uma vigência alargada, a ser monitorizados por um mandatário independente e sujeitos a um mecanismo acelerado de resolução de litígios, com destaque para a separação das várias áreas de negócio, a implementação de uma oferta a plataformas concorrentes, atuais ou potenciais, do canal generalista TVI a um preço bitolado pelos custos históricos, e a renúncia a conteúdos exclusivos, com atribuição de condições preferenciais aos concorrentes”, refere.
Para a Altice o fim do negócio é uma oportunidade perdida. “A Altice considera que se perdeu uma oportunidade crucial para dinamizar o setor das telecomunicações e dos media em Portugal, bem como para a criação de valor neste setor, resistindo-se, injustificadamente, e em prejuízo da atratividade da oferta no mercado nacional, à tendência global para a consolidação entre telecomunicações, media, conteúdos e publicidade digital”, garante.
“Esta tendência, que o Grupo Altice já lidera, noutros mercados geográficos, foi reconhecida e reforçada pela recente decisão das autoridades judiciais norte-americanas no sentido de autorizar, sem quaisquer compromissos, a aquisição da Time Warner pela AT&T, com base na constatação de que a consolidação é necessária para permitir às empresas de media e telecomunicações tradicionais concorrer minimamente com os gigantes da economia digital que disponibilizam, de forma crescente, um conjunto alargado de conteúdos muito atrativos diretamente ao consumidor, um raciocínio que é válido não só nos EUA, mas também, e especialmente, em Portugal, onde as dificuldades dos media tradicionais em resistir à concorrência digital global são ainda mais claras”, exemplifica.
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