Altice sobre Media. "Não há nenhuma perspectiva de aquisição no horizonte"

Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal, critica o papel da Anacom considerando que "tenta puxar para si o protagonismo do sector"

"O caso Media Capital está encerrado e não há, neste momento, nenhuma perspectiva de aquisição no horizonte", garante Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal, em entrevista à Reuters.

"Nós estamos tranquilamente a procurar sinergias neste momento e quando for oportuno analisaremos oportunidades que possam surgir e que também decorram de uma postura regulatória e de concorrência distinta daquela que infelizmente nós verificámos com este processo da Media Capital", diz.

Quase um ano depois de ter uma oferta de compra de mais de 440 milhões pela dona da TVI e da produtora Plural, a Altice acabou por ver expirado o segundo prazo para o fecho da operação com a espanhola Prisa. O negócio gerou preocupações junto da Autoridade da Concorrência que levou a compra para investigação aprofundada por considerar que o negócio colocava entraves ao nível da concorrência em diversos mercados. A Altice apresentou um conjunto de compromissos que foram considerados insuficientes pelo regulador, tendo a companhia detida por Patrick Drahi recusado a apresentar novos compromissos para fechar o negócio.

A compra da Media Capital integrava-se numa estratégia de convergência de ativos de telecomunicações, media e publicidade, levada a cabo pela Altice em vários mercados.

"Estamos a equacionar modelos de acesso e produção de conteúdos, que se enquadrem na nossa estratégica atual e que sejam viáveis no curto prazo. Essa é a nossa prioridade a curto e médio-prazo, e tentar perceber como podemos continuar a trazer esta convergência", diz. "Acredito que Portugal, sendo um mercado aberto e com algum empreendedorismo e inovação no que toca a modelos de negócio das telecom, não será exceção", referiu.

"Não se muda a estratégia (de um grupo) por causa de um incidente num determinado país".

Anacom "tenta puxar para si protagonismo do sector"

O CEO não poupou críticas à Anacom. O regulador não tem sido um "protagonista normal, pois tenta puxar para si o protagonismo do sector, tenta criar uma agenda do sector que não tem a ver com a agenda dos seus regulados, dos operadores e não parece que tenha também a ver com a agenda dos consumidores", considera Alexandre Fonseca.

"É incontornável dizer que o ambiente atual que se vive entre os operadores e o regulador está obviamente a causar alguma perplexidade e algum momento de reflexão sobre aquilo que são os investimentos significativos que temos de fazer no sector e que com eles trazem inovação também." O sector aguarda uma definição sobre os termos do leilão de frequências para o 5G, para o qual há o objetivo de pilotos na Europa em 2020.

"A rentabilidade dos operadores e do sector como um todo está em causa", lamentando que, "desde 2011 até 2017 se perderam cerca de 1.500 milhões de euros de receita e por isso isto é um sinal de destruição de valor", disse ainda.

CEO confiante com estratégia da operadora

Alexandre Fonseca garante que a Altice reforçou liderança em Portugal no primeiro semestre. "Não só há espaço (para esse reforço) como é uma realidade".

"Oito anos depois, a Altice Portugal volta a ganhar quota de mercado no mercado fixo. Só ainda não é dito pela Anacom porque a Anacom infeizmente e por razões que eu desconheço ainda não publicou dados de 2018", afirmou o CEO. De acordo com o responsável da Altice Portugal, 60% do crescimento de ativações líquidas de clientes em Portugal no primeiro e segundo trimestre de 2018 foram ganhas pela Altice Portugal.

A receita total da Altice Portugal derrapou mais de 5% no segundo trimestre de 2018 face ao mesmo período no ano passado, com o EBITDA a descer 12%. A receita da telecom cresceu 1,8% para 516 milhões no segundo trimestre deste ano, a comparar com o primeiro trimestre de 2018.

"Tenho muita confiança que esta estratégia que temos vindo a implementar (...), que este crescimento operacional vai continuar e que os resultados e o crescimento financeiro vão também surgir no curto e médio-prazo, o que é normal quando o crescimento operacional existe", afirmou o CEO. "Portanto, estamos com muita tranquilidade sobre isso e com um 'outlook' positivo sobre aquilo que é a nossa prestação e a nossa posição no mercado", concluiu.

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