Indústria

Altronix. Empresa da Trofa inicia produção em Vigo

Rui Fonseca, CEO da Altronix. Fotografia:  José Carmo/Global Imagens
Rui Fonseca, CEO da Altronix. Fotografia: José Carmo/Global Imagens

A empresa portuguesa quer reforçar o seu negócio em Espanha, mercado que, a médio prazo, pode valer mais do que o nacional

A Altronix, empresa de sistemas de informação, está a equacionar expandir a área produtiva para Vigo, em Espanha. O investimento rondará os 300 mil euros e, desta forma, a sucursal reforça os seus serviços, até agora centrados nas vertentes comercial, técnica e administrativa. Segundo Rui Fonseca, CEO da Altronix, esta aposta visa “reduzir os custos de distribuição, garantir uma resposta mais rápida e consolidar” a presença. A opção por Vigo deve-se à proximidade geográfica com a casa-mãe, sediada na Trofa.

Em Espanha, onde marca presença desde 2014, quando abriu um escritório em Madrid, a Altronix identificou quatro áreas geográficas a explorar: Galiza, Barcelona, Rioja e Grande Madrid. São regiões com forte presença industrial e de serviços, onde as soluções da empresa têm potencialmente mercado.
A título de exemplo, refira-se que a Altronix atua na área do fabrico de etiquetas, gestão de stocks, cartões de plástico, sistemas logísticos. A carteira de clientes ativa agrega mais de oito mil entidades, em que se destaca empresas como Sonae Distribuição (dona do Continente), Nos, Brisa, Bosch, câmaras municipais ou hospitais.

Rui Fonseca reconhece que a internacionalização no país vizinho “é complexa e enfrenta o triplo da concorrência” face a Portugal. Sem papas na língua, admite que “a esta altura esperava melhores resultados”. Ainda assim, o negócio está a correr bem – no ano passado, o mercado valeu cerca de 600 mil euros. O responsável assume: “O objetivo a curto e a médio prazo é faturar mais em Espanha do que em Portugal. Estamos a conseguir ter preço, a dar orçamentos e prevejo que em dois anos o esforço dará frutos.”

Os planos para a internacionalização, que já concretizou projetos para países como Cabo Verde, Moçambique, Angola e Timor-Leste (além de Portugal e Espanha), não se limitam apenas pelo país vizinho. Rui Fonseca adianta que está a estudar o regresso a Marrocos, onde abriu um escritório comercial há dois anos, mas que encerrou ao fim de ano e meio, porque “os níveis de faturação foram muito pequenos”. O gestor acredita que há oportunidades neste país e está a preparar o regresso para 2020-21, com uma “abordagem diferente, porque aprendemos com os erros”.

Novas instalações
A Altronix está a finalizar um investimento de dois milhões de euros na construção das novas instalações. A empresa já se mudou de armas e bagagens para a nova sede, mantendo a sua presença no concelho da Trofa, mas ainda falta construir mais um pavilhão, que deverá estar concluído no próximo ano. Como é política da sociedade, os investimentos são realizados na sua grande maioria com recursos a capitais próprios.

Esta mudança prende-se com o crescimento contínuo que tem registado desde a fundação, em 2004. “O nível de faturação foi aumentando de forma vincada ano após ano, na ordem dos 20%”, sublinha Rui Fonseca. O antigo espaço já era exíguo para uma unidade que está a operar em dois turnos e equaciona introduzir o terceiro. “Fizemos um investimento de um milhão de euros, entre 2015 e 2016, em equipamentos fabris e, para nós, fica mais barato criar turnos do que adquirir mais máquinas”, diz. A Altronix emprega 62 pessoas.

A empresa registou um volume de negócios de 5,3 milhões de euros em 2017, um crescimento de 22% face ao ano transato, com os mercados externos a valerem 18%. O negócio está essencialmente centrado na produção de etiquetas (vale 30% das vendas), em soluções tecnológicas (30%) e na comercialização de equipamentos de códigos de barras e impressão de etiquetas (40%). Para o atual exercício, as expectativas são de um crescimento acima dos 20%.

A Altronix é detida a 100% por Rui Fonseca e a irmã Lurdes que, há 14 anos, decidiram criar o seu próprio negócio. “A empresa começou com todas as dificuldades de uma nano empresa, sem clientes, com um fax e uma secretária. Tivemos de ir para o mercado – que por vezes é muito difícil e ingrato – e batalhar”, conta Rui Fonseca. O início foi na área da comercialização dos equipamentos de etiquetas e código de barras, “com uma abordagem ao mercado diferenciadora, com o foco no cliente, e ano após ano tivemos muito sucesso. Face ao volume de compras a terceiros, decidimos produzir”. Foi há sete anos que a Altronix iniciou essa nova etapa e hoje afirma-se como líder em Portugal nas soluções de codificação e identificação de produtos.

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