Amazon, Philips, GM e Bloomberg. Todas vão comprar à EDP Renováveis

O foco da empresa liderada por Manso Neto vai continuar a ser, nos próximos cinco anos, o mercado norte-americano

“Começou com uma estratégia de relações públicas”, conta o presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto. Mas agora “a lógica é outra. Aperceberam-se de que é sustentável do ponto de vista económico”. As grandes multinacionais norte-americanas estão a apostar cada vez mais na contratação de energia renovável produzida em parques eólicos ou solares, e se há empresa que está bem posicionada para lhes vender eletricidade é a portuguesa EDP Renováveis, uma das maiores produtoras eólicas do país.

Só em 2015, a companhia liderada por João Manso Neto fechou cinco contratos de venda de energia deste género, correspondentes a 70% dos novos parques que a EDPR tem atualmente em construção nos EUA e que ficam concluídos neste ano e no próximo. E todos eles são com empresas de renome, como a Home Depot, a Amazon, a Philips, a General Motors ou a Bloomberg.

O primeiro foi logo com a Home Depot, uma grande cadeia de lojas de bricolage, que vai comprar eletricidade produzida num pequeno parque no Sul do estado do Texas para abastecer 90 lojas. Seguiu-se a Amazon, que vai comprar eletricidade produzida num parque no estado do Ohio para a empresa Amazon Web Services. E depois a Bloomberg, que vai abastecer os escritórios de Nova Iorque no parque Arkwright. Já quase no final do ano foi a General Motors e a Philips: ambas vão comprar energia ao parque Hidalgo, no Texas. A GM para abastecer uma fábrica de camiões e a Philips para 133 localizações.

“Elas contratam energia a longo prazo, a 15 ou 20 anos, porque é barata, competitiva e porque permite ter um preço fixo. Hoje estamos a beneficiar de um preço de petróleo baixo, mas amanhã ele sobe e a eletricidade feita com gás também vai subir, e ao fazerem estes contratos as empresas ficam com um preço fixo. Ou seja, dão um sinal verde, mas simultaneamente é sustentável do ponto de vista económico”, disse Manso Neto na conferência de imprensa após a apresentação da estratégia até 2020, em Londres, na quinta-feira.

Nesse plano de negócios a EDPR estima desenvolver 700 MW de eólicas por ano, mais do que os 500 MW estimados entre 2014 e 2017, e investir 3,7 mil milhões de euros em cinco anos, mais do que os 1,8 mil milhões do plano anterior. Além disso, prevê continuar a autofinanciar-se sem recorrer a dívida, ou seja, a vender posições minoritárias em parques eólicos, desta vez no valor de 1,1 mil milhões de euros. No plano anterior eram apenas 700 milhões.

Ora, este tipo de contratos que a empresa fechou nos EUA encaixa na perfeição no novo modelo de negócio. Contudo, não têm de ser só com grandes empresas. “Desde que o risco de crédito seja bom, somos agnósticos quanto ao tipo de empresa. O que interessa é ser um contrato de longo prazo.” E com preços fixos, que são, por norma, mais altos do que se a energia fosse vendida no mercado, como as ações na Bolsa.

EUA, estrela da companhia

Os EUA são, segundo a EDPR, o melhor mercado para fazer isto, porque na Europa os preços do mercado estão mais baixos e “uma empresa que tenha a coragem de fixar um preço mais alto a longo prazo é assassinada. Nos EUA, quem concorre a longo prazo é porque está disposto a pagar um prémio”, explicou Manso Neto.

Por isso, o foco da Renováveis nos próximos cinco anos são os EUA. É que além do crescente interesse destas empresas há todo um sistema fiscal de incentivos às eólicas que torna os projetos mais rentáveis. Aliás, além das empresas acima referidas, a EDPR assinou um acordo com a Google, mas em vez de energia a empresa pagou 211 milhões de euros para usar os tais créditos fiscais concedidos à empresa portuguesa para construir o parque Waverly no estado do Kansas.

“O grosso do investimento é nos EUA porque há estabilidade nas regras do jogo”, comentou o CEO do grupo EDP, António Mexia, notando que essas regras claras não existem na Europa e, pior, algumas são mesmo alteradas a meio do jogo, como aconteceu em Portugal com a introdução de taxas e contribuições extraordinárias. “Hoje, o investimento concorre entre várias localizações e as empresas vão investir onde existe procura, mas também onde existe respeito pelo investimento e tratamento adequado do ponto de vista fiscal.”

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