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Ameaça da easyJet deixa turismo na Madeira apreensivo

Foto: Helder Santos/ASPRESS
Foto: Helder Santos/ASPRESS

Low-cost admite deixar de voar entre o continente e a Madeira com o novo modelo de subsídio de mobilidade. Em 2019, transportou 360 mil passageiros.

Low-cost admite deixar de voar entre o continente e a Madeira com o novo modelo de subsídio de mobilidade. Em 2019, nesta rota foram transportados 360 mil passageiros.

O turismo é um dos principais motores da economia. Com a easyJet a ameaçar deixar de realizar as 21 frequências semanais que ligam a região ao continente, o setor mostra-se preocupado.

Com sete unidades na Madeira, o mercado nacional tem uma expressão reduzida para o grupo PortoBay, mas um eventual cancelamento das ligações da easyJet entre o Porto, Lisboa e o Funchal pode ter um impacto na chegada dos principais clientes. “O segmento de residentes irá buscar alternativa de transporte na TAP. Temos de ter em consideração, no entanto, que metade dos clientes da TAP são turistas, o que representa cerca de 25% dos turistas entrados na Madeira. Ao haver uma pressão dos residentes sobre a TAP, não tendo a companhia possibilidade de aumentar frequências porque não tem frota, assistiremos a um constrangimento muito grande tanto nos residentes como nos turistas”, diz António Trindade, CEO da cadeia PortoBay.

O Grupo Pestana – com 17 unidades na região – está a acompanhar a situação “com particular atenção”. Paulo Prada, da comissão executiva, espera que até à implementação da medida possa haver uma afinação de mecanismos para “acomodar as preocupações das companhias aéreas”. “A mobilidade aérea é o principal fator crítico do sucesso do turismo de uma ilha como a Madeira. Por variadíssimas razões temos vindo a perder algumas ligações (…) pelo que o feed do nosso turismo passou a fazer-se mais via Lisboa. Não é de todo boa notícia a eventual perda de uma companhia aérea”, diz.

O Orçamento do Estado aprovou o novo modelo de subsídio de mobilidade da Madeira. Não está ainda regulamentado, por isso não tem data para entrar em vigor. A easyJet – que transportou 360 mil passageiros entre o continente e a Madeira em 2019, 120 mil residentes – já fez saber que não conseguirá implementar as mudanças.

Em 2019, a Madeira contou com 1,4 milhões de hóspedes, menos quase 2%. Nos últimos anos, 14 companhias de aviação faliram, nove das quais voavam para a região. António Trindade assume que o efeito de um eventual fim das rotas domésticas da easyJet pode ser ainda pior. “Não há qualquer equiparação com a falência das companhias que operavam para a Madeira e deixaram de o fazer. O impacto dessas falências é inferior a este possível cancelamento. E estamos a falar num contexto em que assistimos a esta ameaça de cancelamento de operação aérea conjugada com um aumento exponencial de camas na Madeira. Com menos procura e aumento da oferta, a situação irá agravar-se.”

A easyJet fala de “presente envenenado” e alerta que o eventual fim das ligações domésticas terá um “impacto astronómico para o turismo”. “Existe uma grande instabilidade, o que faz que os investidores pensem duas vezes antes de avançarem para a Madeira”, sublinha José Lopes, diretor da companhia em Portugal.

A Secretaria Regional do Turismo não tem dúvidas em dizer que a easyJet é “um player extremamente importante para o turismo” e considera “que tudo deverá ser feito, pelo governo da República em sede de regulamentação da lei, para que a operação da easyJet não seja afetada. A Madeira conta com a easyJet, não só para o serviço que hoje já presta à região, como desejamos mais: mais frequências, mais ofertas de lugares e mais pontos ligados de outras origens”.

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