Americanos da Apollo querem todos os seguros do Espírito Santo

Os norte-americanos da Apollo Management International estão decididos a entrar no mercado segurador português. Depois de terem perdido a aquisição da líder Caixa Seguros - Fidelidade, Multicare e Cares - para os chineses da Fosun, a Apollo aposta tudo para ficar com os seguros do grupo Espírito Santo, que têm a segunda maior quota do mercado. E tudo, é mesmo tudo.

Apesar de o grupo Espírito Santo ter apenas um caderno de venda da Tranquilidade, o Dinheiro Vivo sabe que o fundo de private equity norte-americano fez uma oferta que inclui não só a Tranquilidade (detida a 100% pelo Espírito Santo Financial Group), como a BES Vida e a BES Seguros (ambas detidas pelo BES).

O objetivo da Apollo é agregar os seguros do grupo Espírito Santo numa só marca: Tranquilidade.

O Dinheiro Vivo sabe ainda que proposta da Apollo contempla, à semelhança do que propuseram na Fidelidade, que o BES tenha um contrato de bancassurance para continuar a distribuir os produtos seguradores aos balcões do banco presidido por Ricardo Salgado. Além disso, prevê que o BES possa ficar com uma participação de até 9,9% na seguradora para conter o impacto de Basileia III nos rácios do banco.

Com Basileia III, a detenção de participações em seguradoras é mais penalizadora para os rácios de capital dos bancos. Enquanto em Basileia II as deduções da exposição à atividade seguradora incidiam sobre todo o capital; nas regras de Basileia III os rácios core tier 1 e tier 1 são individualmente afetados.

Caso a venda da totalidade dos seguros do grupo Espírito Santo à Apollo Management International se concretize, os americanos ficam com mais de 20% do mercado segurador, passando a ser o segundo player do sector, logo atrás da Fosun que comprou a Caixa Seguros (e que representa cerca de um terço do mercado).

Em Portugal, no Ramo Não Vida, a Tranquilidade ocupa a segunda posição com uma quota de mercado de 8,3%, logo a seguir à Fidelidade (24,9%), segundo os dados do Instituto de Seguros de Portugal (ISP), referentes a 2013. Ainda neste ramo, a BES Seguros tem 1,8% de quota. Já no Ramo Vida, a BES Vida é a segunda maior seguradora com 21,6% do mercado, atrás da Fidelidade (27,2%).

Depois da passagem de um terço dos seguros para as mãos dos chineses, a venda das seguradoras do grupo Espírito Santo ao americanos, colocaria a maioria do mercado na mão de estrangeiros.

A atividade seguradora tem vindo a recuperar. Só no primeiro trimestre, registou um crescimento de 23,5%, com a produção global de seguro direto a atingir 3,4 mil milhões de euros, segundo o ISP.

Apollo também quer os Hotéis Tivoli

O interesse dos norte-americanos em Portugal já tinha sido manifestado no final do ano passado pelo senior managing director da Apollo.

Numa conferência, nos EUA, Marc Rowan afirmou que "Espanha é um mercado muito interessante e provavelmente apenas ultrapassado em interesse por Portugal". E reforçou: "Não me surpreende que possamos fazer fortíssimos investimentos em Portugal."

Na altura, Marc Rowan admitiu que os norte-americanos estavam interessados em investir em várias áreas em Portugal. O Dinheiro Vivo sabe que a Apollo está a olhar para todos os ativos que o Grupo Espírito Santo tem à venda, incluindo os Hotéis Tivoli.

Tal como o Dinheiro Vivo já tinha noticiado esta semana, o grupo já recebeu quatro propostas pela sua cadeia de hotéis Tivoli Hotels & Resort e espera, com esta operação de venda, encaixar cerca de 200 milhões de euros.

As ofertas foram de investidores ingleses e norte-americanos, tanto de fundos de "private equity" como de grandes grupos hoteleiros internacionais. Uma das ofertas foi feita por um consórcio entre um grupo internacional e um parceiro português, que tudo aponta para que seja o Grupo Pestana.

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