Amorim compra terras para explorar agricultura em Moçambique

Américo Amorim detém a maior fortuna
Américo Amorim detém a maior fortuna

Depois da Galp, Américo Amorim tem os olhos postos em África.
Nos últimos meses, o maior acionista da petrolífera nacional
acelerou a compra de terrenos em Moçambique, criando agora uma nova
empresa para a exploração agrícola. Na descrição da sociedade, a
que o Dinheiro Vivo teve acesso, lê-se que a empresa terá vários
objetivos: a produção e comercialização de produtos agrícolas e
a importação de máquinas, entre outras atividades.

Nos estatutos abrem-se ainda outras hipóteses: “A sociedade
poderá participar no capital social de outras sociedades (…), bem
como em agrupamentos complementares de empresas, agrupamentos
europeus de interesse económico, consórcios e associações em
participações”, lê-se no documento.

Em Maputo, Amorim já é acionista do Banco Único, onde entrou,
em 2010, com 43 milhões de euros, em parceria com a Visabeira – que
tem também investimentos em telecomunicações, energia e turismo,
entre outras. Para além do Único, Amorim tem mais projetos
financeiros nos mercados emergentes. Com 25% do Banco BIC – que
comprou o BPN em Portugal -, Amorim tem ainda um terço do Banco
Luso-Brasileiro, com sede em São Paulo, onde detém um terço do
capital. O investimento mais antigo – e de onde vem a maior fatia de
dividendos – continua a ser a participação da Amorim no Banco
Popular, onde o comendador tem 6,8%, segundo os últimos dados, de
julho de 2011.

5% agora, Sonangol depois?

Nos últimos quinze dias, Américo Amorim passou a ser também o
acionista maioritário e chairman da Galp. Até agosto, o empresário
vai fechar a compra de mais 5% da Galp, ficando com 38% do capital. O
acordo para a saída dos italianos da ENI prevê que Amorim possa
comprar até mais 10,34% da petrolífera num ano, mesmo que haja
espaço para a entrada de um novo parceiro na empresa. Os angolanos
da Sonangol
– parceiros na Amorim Energia – são os principais
candidatos a comprar os 18% que a ENI já disse estar disponível
para vender, apesar de assumir que as atuais condições do mercado
não são as mais favoráveis.

Desde o início de abril, as ações da petrolífera
desvalorizaram 3,6%, apesar de os analistas apontarem para uma
valorização que puxe a ação, nos próximos 12 meses, para 16,77
euros. Ontem, a Galp caiu 2,5%, para 11,13 euros.

Olhos em Júpiter

Na segunda-feira, a Galp aprova as contas, os dividendos e a nova
política de remunerações para 2012, mas, até ao final do ano, a
petrolífera tem os olhos postos em Júpiter. O poço na bacia de
Santos foi o principal argumento de Ferreira de Oliveira, na
conferência com os analistas, há uma semana. “Júpiter é a
nossa joia no Brasil. Tem reservas gigantescas e a Petrobras está
tão comprometida como nós em lapidar essa joia”, garantiu.

As
estimativas são as melhores: cinco mil milhões de barris neste poço
em alto-mar, uma parte de gás natural e outra de CO2. A curto prazo,
e enquanto Júpiter não produz, a Galp espera bons resultados este
ano, com “o petróleo retirado do Lula [único em produção
atualmente] com a descoberta de Carcará [também no Brasil] e ainda
com Moçambique”, adiantou Ferreira de Oliveira. Com Ana
Baptista

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