Alfa Pendular e Intercidades voltam a ter lugares bloqueados

Depois de ter retomado a lotação completa na segunda, a CP recuou na decisão nas últimas 24 horas. Rede Expressos põe autocarros a circular com todos os lugares disponíveis.

Diogo Ferreira Nunes
Comboio Alfa Pendular na estação de Santa Apolonia. © Arquivo/Global Imagens

Quem está a comprar bilhetes para os comboios Alfa Pendular e Intercidades já terá reparado que vários lugares voltaram a ficar indisponíveis. A CP tinha retomado a lotação completa nos serviços de longo curso na segunda-feira mas acabou por recuar nas últimas 24 horas devido ao agravamento da pandemia na região da Grande Lisboa.

Ou seja, desde quinta-feira que apenas são disponibilizados dois terços dos lugares nos comboios Alfa Pendular e Intercidades. A limitação aplica-se a todas as viagens, mesmo as que não passam nos concelhos de risco, como Lisboa e Braga, escreveu esta sexta-feira o jornal Público.

"Simplesmente não conseguiríamos controlar se a lotação teria de ser completa ou a dois terços", justifica ao Dinheiro Vivo fonte oficial da empresa.

No entanto, nos comboios históricos do Vouga e do Douro, apenas com lugares sentados, as viagens a partir de sábado, 19 de junho, já irão contar com a lotação completa.

As decisões da CP foram tomadas com base em duas resoluções do Conselho de Ministros relativas ao processo de desconfinamento. Em 2 de junho, o Governo determinou que, a partir de 14 deste mês, os transportes públicos apenas com lugares sentados poderiam ter a lotação preenchida.

Contudo, na semana seguinte, nova resolução indicou que empresas de transporte coletivo de passageiros "devem assegurar a lotação máxima de dois terços da sua capacidade para o transporte terrestre, fluvial e marítimo que se realize de ou para municípios de risco elevado ou no interior destes". Por exemplo, se um comboio sair do Porto e entrarem ou saírem passageiros em Lisboa, a lotação máxima permitida é de dois terços

As viagens poderão ser feitas com a lotação completa caso o percurso passe por zonas de risco mas sem entrada ou saída de passageiros. "Se o trajeto atravessar um concelho que esteja classificado como de risco elevado, mas sem haver paragens com entrada e/ou saída de passageiros no mesmo, poderá ser utilizada a capacidade máxima de lotação do veículo, ou seja, os 100%", explicou fonte oficial do Ministério do Ambiente ao jornal Público no início da semana.

É por essa razão que a Rede Expressos está a vender todos os lugares disponíveis desde segunda, mesmo nas viagens que atravessam os concelhos de risco. A transportadora segue o parecer jurídico da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Passageiros (ANTROP). A associação entende que as restrições aplicam-se apenas às viagens municipais e não a viagens interurbanas.

A principal concorrente da Rede Expressos, a FlixBus, está a aplicar a restrição da lotação de passageiros em todas as viagens e para os municípios de risco elevado.

Atualmente há 10 municípios no nível de risco elevado - Albufeira, Arruda dos Vinhos, Braga, Cascais, Lisboa, Loulé, Odemira, Sertã e Sintra - por terem registado, pela segunda avaliação consecutiva, uma taxa de incidência superior a 120 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias (ou superior a 240 se forem concelhos de baixa densidade populacional).

Sesimbra é o único município em risco muito elevado porque na segunda avaliação consecutiva registou uma taxa de incidência superior a 240 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias (ou superior a 480 se forem concelhos de baixa densidade populacional).

Devido ao agravamento da situação pandémica, deverá ser adiada a próxima fase de desconfinamento do país, admitiu na quinta-feira a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva. Entre várias medidas, estava previsto que todos os transportes públicos funcionassem com toda a lotação disponível a partir de 28 de junho.

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